TERRAS DE PENAGOYÃ:

”Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?
"

Por Monteiro de Queiroz, 2018

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FONTE DA PEREIRA - Monte Argemudães

Hj (eu, a Nat e o Ped) fomos ao Monte de São Pedro, em Lobrigos (1), e tive conhecimento através um habitante local que por baixo do monte, para nascente, no caminho que liga a Vila Maior, existe um «encantamento» que era costume ser falado pelo povo mais antigo.

1-[[Monte Argemudães em 1210 segundo http://www.cm-smpenaguiao.pt/freguesias/uniao-das-freguesias-de-lobrigos-sao-miguel-e-sao-joao-baptista-e-sanhoane/ [Consulta em 5out2017]]]


No Grupo Facebook "Lobrigos para sempre", após ter lançado a publicação (www.facebook.com/groups/632917396721933/permalink/1866203280059999/)

«Caros Lobricences,
Soube hj que existirá uma lenda (de encantamento) por baixo do Monte de São Pedro em Lobrigos, virado prós lados de Vila Maior, por cima do caminho que liga o São Pedro a VM.
Sabem alguma coisa? Têm conhecimento de alguma lenda?

No cruzamento que segue do Monte São Pedro a Lobrigos e a Vila Maior existem umas alminhas em cantaria inseridas no muro de xisto, viradas para norte. Delas existem apenas a pedra/cantaria. Sabem por acaso o seu nome?

Li em qualquer lado que em Lobrigos existem ou existiram umas ruínas castrejas, possivelmente servidas posteriormente por uma via romana. Já ouviram falar?

Obrigado pela vossa atenção.»

apareceram os seguintes comentáros

1-
Por baixo do Monte de São Pedro em Lobrigos, virado prós lados de Vila Maior, por cima do caminho que liga o referido monte São Pedro a VM» «havia uma fonte, e a quem lavava nessa (fonte) aparecia uma menina que tinha sido morta nesse sítio pelo pai. Dizem que a menina encantava essas pessoas.»; Contributo de Lapinha Pereira Morais, de Lobrigos - 5out2017

Mais...

2-
JP - «CHAMA SE A FONTE DA PEREIRA, DESDE CRIANÇA QUE OUVI FALAR DESSA LENDA, NUNCA NINGUÉM A EXPLOROU, TAL COMO O NOME CEMITÉRIO DOS BURROS QUE VEM DO TEMPO DAS INVASÕES FRANCESAS, OUVI UMA PSEUDO HISTÓRIA»; JP - «A ÁGUA QUE VEM PARA VILA MAIOR, É PROVENIENTE DESSA MINA»; JP - «SEGUNDO CONTAM O CEMITÉRIO DOS BURROS É NA ESTRADA SECUNDÁRIA QUE LIGA LOBRIGOS À RÉGUA, POR REMOSTIAS, MAS EU GOSTARIA DE FALAR COM O COMANDANTE PARA ESCLARECER MELHOR PESSOALMENTE»; Contributo de José Pires, de Lobrigos - 5out2017.

3-
A minha mulher Natália tb se recorda de ouvir falar nas vindimas de Remostias - Peso da Régua que havia uma vinha chamada "Cemitério dos Burros".

4-
LM - «Eu também já ouvi falar, e sei de uma história que alguém já tentou lá entrar... Mas não conseguiu... Foi verdade porque essa pessoa ainda é viva....»; Contributo de Lucia Mendes, de Lobrigos - 5out2017.

5-
AC - «eu ja ouvi qualquer coisa em que aparece uma cobra que se transforma numa rapariga, n sei contar bem como e. mas sei de uma pessoa k ja a viu.»; MQ - «Ob Ana. E é no mesmo local? por baixo do Monte de São Pedro em Lobrigos, virado prós lados de Vila Maior, por cima do caminho que liga o São Pedro a VM?»; AC - «acho que sim»; MQ - «Ana quem é essa pessoa que viu?»; AC - «o meu pai.»; Contributo de Ana Claudia Cardoso , de Lobrigos - 5out2017.

6-
FB - «O João Fado chegou a contar a lenda por várias vezes que aparecia um encanto»; MQ - «Ob Fernando! Quem é o João Fado?»;  FB - «O João Pinto Fernandes mais conhecido por alcunha João Fado»; FB - «O João vive aqui em Lobrigos e ronda os 90 anos. Ele sabe muito desse encanto.»; Contributo de Fernando Pinto Borges, de Lobrigos - 5out2017.


O Douro e as 7 chaves do vale sagrado

09.05.2011 Sérgio C. Andrade
in lifestyle.publico.pt

Ir à procura de lugares, paisagens, templos e monumentos de valor histórico e patrimonial é a proposta de um novo roteiro para o Douro. Mas é preciso encontrar a chave que nos dá entrada nestes lugares de religião e à volta dos quais se organizaram as comunidades. Partimos em busca desses guardiões dos templos

Quando chegámos à igreja de Barcos, uma aldeia do Douro Vinhateiro no concelho de Tabuaço, com as suas ruas estreitas calcetadas de novo e muitas das suas pequenas casas recuperadas, perguntámos onde poderíamos pedir a chave para visitar o templo. "É ir logo ali à frente, à casa com o nº 5, e bater à porta", responde uma senhora sentada à sua janela, a ver quem passa. Na casa, Dona Lurdinhas Cabral está mesmo a acabar de almoçar; pede para esperarmos enquanto vai apagar o fogão. "Como é que vieram aqui parar? Não gosto nada de dar a chave, assim, a qualquer pessoa. Nunca se sabe... Costumo mandar ir buscá-la directamente ao senhor abade", diz esta mulher de idade avançada. Mas acredita nas nossas intenções e, solícita, abre-nos a porta desta igreja românica e gótica dedicada à Nossa Senhora da Assunção.

Alguns quilómetros mais à frente, passadas as numerosas curvas nesta encosta na margem esquerda do Douro virada a sul, quase a caminho das "Terras do Demo" de que fala Aquilino, é Dona Cassilda quem nos franqueia a porta da igreja de base gótica de Trevões, já no concelho de São João da Pesqueira. Mas, antes de nos revelar o seu nome, apresenta-se como "uma empregada de Nosso Senhor Jesus Cristo", desde há várias décadas, quando decidiu assumir o "compromisso sagrado" de cuidar da igreja da terra. "Não sei se vocês são dos Monumentos do Estado, daquele que caiu ou do que lá vem...", atira Dona Cassilda, nesse dia em que José Sócrates tinha acabado de anunciar a demissão do cargo de primeiro-ministro. Mas logo se faz guia da riqueza do interior desta igreja numa terra que chegou a ser residência de Verão do Bispo de Lamego. "Antigamente, dizia-se "Bispo de Lamego e Abade de Trevões"", salienta Dona Cassilda, a atestar os pergaminhos da sua aldeia. E encaminha-nos para o túmulo alegadamente de D. Francisco de Almeida, dizendo tratar-se de um vice-rei da Índia. "Foi um senhor dos Monumentos que veio cá um dia, e nos disse que tínhamos aqui uma figura muito ilustre", assegura a guardiã do templo, mostrando um pequeno papel com o nome citado.

São estas situações e estes encontros inesperados que o projecto Douro Religioso: conhecer, visitar, reconhecer quer proporcionar aos turistas e a qualquer dos visitantes portugueses e estrangeiros que procurem a região. "Queremos que as pessoas fiquem com uma ideia do valor patrimonial do Douro, mas que entrem também em contacto com a população e com a vida local", explica Varico Pereira, o coordenador deste projecto que foi lançado pela Turel, uma cooperativa de turismo religioso com sede em Braga, e que conta com a parceria da Diocese de Lamego, da Estrutura de Missão do Douro, das delegações de Turismo do Douro e do Porto e Norte de Portugal e também da Delegação Regional de Cultura do Norte.

Três roteiros

O programa Douro Religioso está decomposto em três roteiros de viagem através de 24 concelhos do território englobado pelo Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro, e que vai de Baião a Torre de Moncorvo, de Sernancelhe a Vila Flor, abrangendo as dioceses de Lamego, Vila Real, Bragança, Miranda e Porto. "É também um roteiro de aventura; é ir à descoberta dos tesouros escondidos em igrejas que normalmente estão fechadas ao público e cujo espólio constituirá certamente uma surpresa para o visitante", nota Varico Pereira.

O coordenador do projecto guiou a Fugas no roteiro Douro a 7 Chaves, o mais curto dos três que são propostos, e que sugere um circuito de quase 200 quilómetros com passagem por sete igrejas localizadas tanto a norte como a sul do rio. A intenção inicial da Turel era apresentar Douro a 7 Chaves como uma viagem para fazer num só dia, mas a experiência no terreno mostrou que, no mínimo, serão necessários dois para visitar todos os lugares assinalados, tirando deles - e da própria viagem e contacto com a população - o benefício proposto.

O ponto de partida desta viagem é Lamego, não tanto para visitar a Sé (esta entra no roteiro do Douro Maravilhoso - ver caixa), uma das mais importantes na região e com peso reconhecido na História de Portugal, mas para ir ao Museu Diocesano, mesmo em frente à catedral, que funcionará como ponto de acolhimento e de informação e também como centro de interpretação dos programas propostos. Aqui, a partir do final deste mês, o visitante poderá adquirir um livro-guia (que será igualmente distribuído, gratuitamente, nos postos de turismo do Douro, no Museu Diocesano de Lamego e na Turel, em Braga), ver um documentário e também uma exposição documental de fotografias (até 5 de Junho), de Hermínio Lopes e de Marco Mota, relativa ao inventário que precedeu a montagem das três rotas. Será ainda disponibilizado ao visitante um áudio-guia/MP3 que ajudará na viagem à descoberta de cada um dos trinta recursos patrimoniais, que serão referenciados com as respectivas coordenadas geográficas (GPS).

Sete chaves para sete igrejas

O roteiro que a organização propõe para a viagem Douro a 7 Chaves passa pelas igrejas seguintes: Desterro (Lamego), São João de Lobrigos (Santa Marta de Penaguião), São Frutuoso de Constantim (Vila Real), Provesende (Sabrosa), Trevões (São João da Pesqueira), São Pedro das Águias e Barcos (ambas em Tabuaço). Mas a ordem da viagem é arbitrária, e será sempre decidida pelo interesse e pela disponibilidade de tempo do viajante (que poderá naturalmente organizar o seu roteiro cruzando a seu bel-prazer os sítios inventariados em cada rota).

A ideia é mesmo ir à descoberta - e ir à procura da chave. A da igreja do Desterro, que passa despercebida a quem chega a Lamego vindo da AE24, está na posse do casal Aurora-António Almeida, na casa "logo a seguir à funerária". Coube a António Almeida, trabalhador reformado, fazer as honras da visita a este templo que "está fechado a maior parte do tempo" e onde "só há missa uma vez no ano, no dia de São Pedro", o padroeiro.

Como as outras igrejas que integram este roteiro, a do Desterro foi alvo de uma "intervenção conservativa, não de restauro", explicam à Fugas Victor Roriz e Marco Mota, dois técnicos da empresa Signinum, também com sede em Braga, que foi responsável pelo inventário do património envolvido neste projecto de turismo religioso. Do património desta igreja fazem parte grandes telas com representações da Natividade, mas actualmente encontramos aí apenas as cópias, já que os originais estão no Museu de Lamego. "A ideia é fazer regressar as telas, quando a intervenção na igreja estiver acabada", diz Varico Pereira, chamando também a atenção para uma pintura sobre madeira da Fuga para o Egipto, e para o valioso azulejo do século XVII - "são os azulejos que mais impressionam os turistas", salienta António Almeida. Mas a riqueza maior da Igreja do Desterro - como da maioria das que visitaremos a seguir -, muitas vezes escondida por fachadas de aparência discreta, está no barroco da talha dourada omnipresente tanto nos altares como nas decorações de tectos e paredes. A do Desterro é "uma talha muito rica, de estilo barroco joanino tardio" - explica Victor Roriz -, de autoria de artesãos lamecences, que tiveram uma importante escola desta arte, expressão da riqueza da região no tempo em que o ouro era trazido do Brasil.

No decorrer da jornada, ser-nos-á explicada a diferença entre o barroco, o barroco joanino e o nacional, com base na teoria elaborada pelo historiador de arte norte-americano Robert Smith, que se ocupou, em particular, do estudo deste estilo artístico em Portugal e no Brasil. A igreja de Barcos, classificada como Monumento Nacional, é um bom exemplo da proliferação do barroco nacional, marcado pela abundância de elementos decorativos fitomórficos, como parras de videira e cachos de uvas (estamos no Douro Vinhateiro), além da Fénix (a ave mitológica que representa o renascimento após a morte), das colunas salomónicas e dos altares rematados em arco.

Em Tabuaço, fizemos um desvio a um reduto inexplorado da natureza, para visitar a Igreja de São Pedro das Águias, um pequeno edifício românico construído num recanto isolado do vale do rio Távora. Num cenário onde predominam as oliveiras e se ouvem apenas os pássaros e o marulhar do rio, os monges erigiram um eremitério em granito, que tem a porta de entrada não só virada mas praticamente encostada à escarpa. "Esta igreja foi feita para servir deus e não os homens, daí a sua localização e orientação", explica Marco Mota, que nos chama ainda a atenção para a sua "decoração antropomórfica, com esculturas de animais e bestas pouco trabalhadas". Aqui não é preciso procurar a chave - a igreja só se abre em ocasiões muito especiais -, "trata-se apenas de descobrir o sítio e usufruir dele e admirar a igreja pelo exterior", realça Varico Pereira. É, de facto, um lugar único, uma autêntica viagem ao fundo do mundo neste lugar escondido do vale do Douro.

Do outro lado do rio

Em Trevões, para além do encontro indispensável com Dona Cassilda, é muito provável que o visitante se cruze com o jovem e pouco convencional padre Amadeu, eventualmente vestido com jeans e camisola vermelha, que "obrigará" o visitante a tomar um café no "seu" Lar de Santa Marinha, onde conseguiu proporcionar habitação e um quotidiano condignos para os habitantes mais velhos da terra. "O meu objectivo é agora construir um novo lar e acabar o museu", diz-nos o abade da aldeia, que, natural de Castro Daire, se "apaixonou" por Trevões quando aí fez o estágio eclesiástico. "Quem se portava mal no seminário, vinha parar ao Douro. Eu vim e fiquei", justifica.

Nova longa viagem, agora para passar para a margem norte do Douro, com travessia no Pinhão e chegada a Provesende, a poucos quilómetros mas muitas curvas encosta acima. Aqui não é preciso procurar a guardiã; a chave está mesmo na porta da igreja neoclássica, que tem um órgão de tubos velho e calado. Situação curiosa é o padre da terra ter vindo a receber, nos últimos anos, de forma anónima, muitas das peças isoladas do instrumento musical. "São os habitantes que recolheram os tubos do órgão quando eram crianças e agora acharam que deveriam devolvê-los para ajudar à sua recuperação, mas não tiveram a coragem de assumir o seu "pecado"", comenta Varico Pereira. Um altar com as Almas do Purgatório, a Santíssima Trindade e Nossa Senhora e o Menino, além de "talha barroca que mistura o joanino com o neoclássico, em motivos fitomórficos decorados a folha de ouro pintada", nota Victor Roriz, fazem o tesouro deste templo, que costuma acolher concertos de música antiga.

Em Constantim, na periferia de Vila Real, o padre Norberto Portelinha adia o início da missa das 18h00 para nos acolher e ciceronear a visita à sua igreja devotada a Nossa Senhora da Feira e a São Frutuoso - um missionário do século XII, de que a terra guarda uma relíquia (parte do crânio, "que tem alturas em que se conhecem os pelinhos da cabeça", assegura o sacristão) e o túmulo. Mas a peça mais invulgar do templo é uma sacristia rotativa, com cenas da vida de Cristo esculpidas a canivete, e que o padre Portelinha diz ser "única". "Já perguntei em todas as terras portuguesas no mundo, e ninguém me falou em ter nenhuma peça do género", diz o pároco, que também nos chama a atenção para o tecto da igreja revestido com "velhas aduelas de vinho fino - mas agora já não se sente o cheiro do vinho", graceja...

O roteiro feito pela Fugas pelo Douro a 7 Chaves terminou, já noite dentro e debaixo de chuva intensa, em São João de Lobrigos, à chegada a Santa Marta de Penaguião. Demorámos algum tempo a descobrir o paradeiro do ferreiro Joaquim Peixoto, que guarda a chave desta igreja que tem uma invulgar torre sineira ao centro e uma entrada em galilé encimada por uma cúpula. Mas, uma vez mais, é lá dentro que está a principal justificação para a visita: a riqueza da talha barroca, a porta do sacrário em relevo representando o cordeiro de Deus e uma notável série de pinturas na capela-mor representando a vida de São João Baptista e dos Apóstolos. E há também um órgão móvel, "o único que funciona em Vila Real, e toca todos os domingos", afirma, sorridente de orgulho, o ferreiro Joaquim Peixoto.

As igrejas

Lamego | Igreja do Desterro

A Igreja do Desterro foi fundada em 1640, no local onde existia uma ermida. É um edifício de arquitectura maneirista e barroca, encimado por um nicho com uma imagem de Nossa Senhora do Desterro. O interior é rico em talha dourada, com destaque para o altar barroco joanino dedicado à Sagrada Família, para os azulejos do século XVII e também os tectos revestidos com dezenas de caixotões com representações dos reis do Antigo Testamento, Nossa Senhora e o Menino, os Quatro Evangelistas e outros santos da Igreja. O templo está a ser objecto de obras de conservação, que deverão permitir o regresso das telas originais representando cenas como a Fuga para o Egipto, a Apresentação no Templo e a Adoração dos Reis Magos, e que se encontram no Museu de Lamego.

Esquina das ruas Cardoso Avelino e do Desterro

GPS: NA1º05"35"", W7º48"16""

Vila Real | Igreja Paroquial de São João de Lobrigos

Este edifício de arquitectura neoclássica do século XVII-XVIII tem a particularidade de apresentar uma torre sineira central e uma entrada em galilé. É dedicado a São João e a Santa Bárbara. No património interior, destaca-se a ornamentação em talha barroca, que vai do altar-mor até ao coro alto. Nas paredes laterais da capela-mor, uma notável sequência de 22 painéis retrata a vida de João Baptista, desde o nascimento até à decapitação às mãos de Herodes e de Salomé. A nave central ostenta também uma trama de caixotões com representações da vida de Cristo e dos seus apóstolos. A igreja tem um órgão de tubos do século XVIII, que é o único em funcionamento em Santa Marta de Penaguião. Rua da Igreja.

GPS: N41º11"56"", W7º46"35""

Trevões | Igreja Matriz de Santa Maria de Trevões

A origem desta igreja remonta ao século XIII. Sobre a base gótica, erigiu-se um edifício maneirista e barroco (séculos XVII-XVIII), que, com o seu recheio valioso, justificou a classificação como Monumento Nacional (1921). Uma sucessão de altares barrocos, o arco triunfal, a capela lateral (com sete belas pinturas sobre madeira) e uma centena de painéis no tecto fazem o tesouro deste templo que se encontra em bom estado de conservação. No tardoz do altar-mor, guarda ainda vestígios de frescos quinhentistas dedicados a Santa Marinha. Na capela lateral, existe um pequeno núcleo museológico com uma inscrição datada de 1628, e, ao fundo, sob um altar da Santíssima Trindade, há um túmulo que se diz ser de um dos vice-reis da Índia.

S. João da Pesqueira. Lugar da Igreja

GPS: N41º4"55.3"", W7º26"9.3""

Vila Real | Igreja Matriz de São Frutuoso de Constantim

São Frutuoso Gonçalves, que terá nascido no final do século XI em Constantim, não sendo o padroeiro da terra (Nossa Senhora da Feira), recolhe nela grande devoção popular, fruto da existência de uma relíquia (parte do crânio), que está guardada numa capela própria. Este templo barroco detém igualmente um sacrário raro de quatro faces, tanto por ser giratório como por estar decorado com cenas da Paixão de Cristo, num altar de estilo maneirista. Na nave lateral tem vistosos altares barrocos, dedicados a Santa Ana, às Almas, a Nossa Senhora de Fátima e a Nossa Senhora do Rosário. Tem ainda uma escultura de São Jerónimo em pedra exótica muito densa e pesada. A relíquia de São Frutuoso foi visitada pelo rei D. Dinis, em 1321.

Constantim. Rua do Ribeiro

GPS: N41º16"56"", W7º41"46""

Sabrosa | Igreja Paroquial de Provesende

Templo de recorte neoclássico, com torre sineira ao centro, construído em 1720, e dedicado a São João Baptista (representado numa escultura em pedra na fachada). No barroco do interior, destaca-se a talha de estilo joanino, nomeadamente no altar e no retábulo da capela-mor ornamentados com a representação do Cordeiro de Deus. O tecto da nave, em abóbada de berço, é de madeira policromada e apresenta quadros do baptismo de Cristo e também do Sagrado Coração de Jesus e do Juízo Final. No coro, tem um órgão de tubos do século XIX, bastante degradado. O topónimo Provesende, segundo a lenda, deriva de Zaide, nome de um rei mouro derrotado pelos cristãos numa batalha no Castelo de São Domingos. Provesende. Rua Cimo de Vila

GPS: N41º13"03"", W7º34"02""

Tabuaço | Igreja de São Pedro das Águias

Este eremitério de estilo marcadamente românico foi construído a meio da encosta no vale do Rio Távora, afluente do Douro. Mantendo a orientação canónica nascente-poente, tem a fachada a pouco mais de um metro da montanha escarpada - a Fraga Amarela -, o que lhe dá uma simbologia religiosa especial: foi feita mais para servir a Deus do que aos homens, diz-se. Mesmo assim, a fachada apresenta-se ricamente trabalhada, com colunas, rosácea, colunas, arquivoltas e uma decoração com motivos antropomórficos (animais e bestas) e fitomórficos. Numa das paredes laterais tem uma pequena porta encimada pela figura do cordeiro de Deus. É principalmente um tempo para admirar por fora, e para sentir o fascínio do lugar. Granjinha. Ramal de S. Pedro das Águias.

GPS: N41º4"32.2"", W30º49"6""

Tabuaço | Igreja Matriz de Barcos

Este templo medieval dedicado à Senhora da Assunção foi construído na transição do românico para o gótico, está classificado como Monumento Nacional e foi recentemente intervencionado. Por trás de uma fachada modesta, há a usual proliferação do barroco, nomeadamente na ornamentação da capela-mor, com um retábulo do princípio do século XVIII e um tecto formado por 28 caixotões, com representações da vida de Nossa Senhora e imagens de São Pedro, São Francisco e Santo António - temática que se prolonga pelo tecto da sacristia. Na nave, para além do arco triunfal, ao estilo barroco nacional, e de dois altares laterais, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora da Soledade, sobressai um púlpito maneirista e pinturas e esculturas de vários santos.

Barcos. Largo da Colegiada.

GPS: N41º07"07.9""

Paisagens e monumentos

Para além do Douro a 7 Chaves, o roteiro Douro Religioso: conhecer, visitar, reconhecer contém dois outros programas, intitulados Paisagem e Religião (com nove destinos) e Douro Maravilhoso (com 14 destinos), que propõem a descoberta e a visita a outros recursos patrimoniais de base religiosa na região.

www.turismoreligioso.org | Tel.: 253213873/4

in http://lifestyle.publico.pt/fugas/284453_o-douro-e-as-7-chaves-do-vale-sagrado [Consulta em 5out2017]

Peso da Régua e Godim

A história desta freguesia nasce pela reorganização administrativa decretada em 2013 pelo Governo Português, que resultou das fusão das duas maiores freguesias do Concelho do Peso da Régua.

História da Freguesia de Godim

Apenas o seu nome e a denominação de um ou outro dos seus pequenos lugares fazem lembrar a remota origem da sua propriedade e cultura, calculados principalmente pelas determinações contidas nos forais novos de Trás-os-Montes, mandados fazer por D.Manuel I. Um anfiteatro de pujantes parreiras com inicio na Cederma e fim no Vale. Godim talvez não seja o nome mais antigo que da freguesia se conhece. Consta provir de Gothini ou Godinho - qualquer trunfo godo que quis, ou de quem quiseram perpetuar o nome, aplicando-o a um torrão fertilíssimo e pitoresco. Foi ainda denominada de “Vale” ou “Nateiro dos Quatro Caminhos ”, o que comprova que desde pelo menos a época visigótica, se cruzavam vias importantes neste local. A denominação de Jugueiros derivou do facto de ter existido o “jugado” - Tributo que os “jugueiros” (lavradores que possuíam carros de bois) pagavam e que D. Afonso Henriques fez reverter a favor da coroa portuguesa. A origem etimológica de Ariz (um lugar da freguesia de Godim) será provavelmente Alarici ou Alarico, nome do rei dos visigodos. Mera, de mero, senhor que tinha um qualquer território a jurisdição civil e crime. Godim foi sede de concelho até 1836, o qual integrava as freguesias de Godim, Loureiro, Fontelas, Mouramorta, Sedielos e toda a área de actual freguesia de Peso da Régua. Teve o primeiro foral dado por D. Afonso III, em Maio de 1205, em Bostelo. Teve dois forais dados por D. Sancho I e Foral Novo concedido por D. Manuel I, Em Évora, a 15 de Dezembro de 1519. Tal como a Régua, fez parte do concelho de Penaguião. A sua jurisdição nos moinhos da Firvida, para cujas correições não lhe era permitido atravessar o Couto da Régua, extinguiu-se com o seu concelho em 1836. Em Fevereiro de 1837 passou a fazer parte do concelho de Peso da Régua. Á medida que se afasta do centro urbano, Godim vai acusando as marcas de ruralidade. Vale a pena admirar a Igreja Matriz, a casa da Quinta da Nogueiras (séc. XIX); a casa de Santa Maria (séc. XVIII); casa da Quinta das Casas Novas (séc. XVIII); e casa das Cerdeiras (séc. XIX). É, também, nesta freguesia que se encontra a maior parte das esculturas de ensino do concelho, várias instituições de solidariedade social e uma série de associações de promoção cultural. Ao falar de Godim, há nomes que se impõem como o de D. Antónia Adelaide Ferreira, conhecida carinhosamente por “Ferreirinha” ou “Ferreirinha-da-Regua” pelas gentes da sua terra. D. Antónia que nasceu no concelho de Godim no ano de 1810, viveu a sua infância na Casa de Travassos, vindo a falecer em 1896 na Casa das Nogueiras. Dois anos depois da sua morte, foi criada a Companhia Agrícola dos Vinhos do Porto, mais conhecida por “Casa Ferreirinha”. Seu avô Bernardo Ferreira, deixou três filhos, José, o mais velho, o António, e o mais novo, o Francisco. José Bernardo Ferreira, de grande bondade e respeito, foi o pai de D. Antónia Adelaide Ferreira, que seria mais tarde a grande administradora da maior casa agrícola do Douro. António Bernardo Ferreira era o mais inteligente e de espírito mais comerciante. Quando ainda só se falava de um possível confronto das lutas liberais, meteu-se num barco rabelo e foi até Vila Nova de Gaia, onde vendeu os armazéns com todo o vinho por preço inferior ao praticado na altura. Quem não gostou deste negócio foi o irmão mais velho, porque os bens também eram dele e não fora consultado para o efeito. Mas com o produto da venda compraram todo o vinho existente no Douro, transportando-o de seguida em carros de bois e récuas para a Figueira da Foz. Entretanto, rebentou a guerra civil, tendo os armazéns de Vila Nova de Gaia sido saqueados e o vinho derramado para o rio Douro. Mas enquanto o norte sofria na carne a desgraça de uma guerra civil e a barra do douro estava bloqueada, estes senhores faziam as exportações de vinho generoso para Inglaterra pela barra da Figueira da Foz. Fizeram um excelente negócio e a família Ferreira ficou muito mais rica e poderosa. D. Antónia Adelaide Ferreira e António Bernardo Ferreira, primos em primeiro grau e filhos de José Ferreira e António Bernardo Ferreira respectivamente, uniram as suas vidas pelo matrimónio e tiveram dois filhos uma menina Maria d’ Assunção, mais tarde Condessa de Azambuja e um rapaz a quem deram o mesmo nome do avô e do pai. Mas só depois da morte do primeiro marido, é que o espírito empreendedor desta senhora se manifestou de forma admirável, fazendo grandes plantações no Douro e obras de benfeitoria, tornando-se numa figura de primeira grandeza. Tão importante que o Duque de Saldanha, então Presidente do Concelho, pretendeu que seu filho, o Conde de Saldanha, contrai-se matrimónio com a filha de tão distinta senhora. D. Antónia recusou o convite, embora se sentisse muito honrada, alegando para o efeito a tenra idade de sua filha, que só tinha onze anos e que também gostaria que fosse ela a escolher o seu esposo. O Duque, habituado a não ser contrariado, mandou os seus homens raptar a menina. Mãe e filha, quando souberam o que lhes pretendia fazer, fugiram vestidas de camponesas, ajudadas por amigos, para Espanha e depois para Londres, onde se refugiam. Depois da filha casada com o Conde de Azambuja, D. Antónia casou com Francisco José da Silva Torres, seu secretário. Com pouco mais de meio século de existência e no auge das suas Capacidade de administradora, comprou todo o vinho do Douro para dessa forma ajudar os agricultores na luta contra os baixos preços praticados por consequência duma crise de abundância. Com todo o vinho comprado e guardado nos seus armazéns, surgiu a “filoxera”, que destruiu quase a totalidade dos vinhedos, lançando os durienses na miséria. Mas com o poder negociável que se lhe reconhecia e com todo o vinho nos seus armazéns, pôde com facilidade negociar da melhor maneira com os ingleses, tornando a casa agrícola Ferreira muito mais rica. Depois da catástrofe praga da filoxera, mandou replantar as vinhas. Pagou a construção de quilómetros de estradas e de caminhos-de-ferro, tendo dado trabalho a mil operários e desta forma cobriu as suas vinte e três quintas com milhões de cepas. Em 1880, ficou novamente viúva, mas mesmo assim continuou com a sua obra benfeitora, ajudando a construir os hospitais de Peso da Régua, Vila Real, Moncorvo e Lamego. Mandou construir no Moledo um palácio para acolher o Rei D. Luiz, as termas, a piscina e um fabuloso parque. Ajudou a Misericórdia do Porto, ficando esta obrigada a socorrer qualquer familiar seu.

Origem da palavra Peso da Régua:

Peso - pesagem e pagamento de impostos das cargas que se destinavam ao cais da Régua.

Régua - local de ajuntamento de cavalgaduras ou récuas junto ao cais fluvial.

A história da freguesia e sua localização junto ao Rio Douro determinam fortemente a sua evolução demográfica estritamente ligada à produção vinícola e consequente comercialização dos vinhos de feitoria e Porto. - séc. XVIII - “pólo residencial com forte ascendente vitivinícola (…) os seus efeitos associavam-se á grande concentração de armazéns vitivinícolas e de outras actividades conexas como tanoarias” - “ Além disso, esta vila para além de receber a linha de comboio em 1878, beneficiou da extensão desta infra-estrutura, pois aí permaneceram os estaleiros enquanto a linha se estendia até ao Pinhão. Neste contexto, o Peso da Régua registou contínuos aumentos populacionais que ainda se avolumaram com o decorrer do tempo, proporcionando que enquanto em 1878 aqui residissem 2990 habitantes, em 1900 já fossem 3851” 5 080 habitantes (2001)

de http://www.freg-reguagodim.pt/freguesia/hist%C3%B3ria.html, [consulta em 28set2017]

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Peso da Régua - Entre socalcos, a mais bela região.
24 de Fevereiro de 2014

Historia da Régua.

O facto de, na opinião de alguns historiadores, Peso da Régua ter sido habitada durante as invasões romanas e bárbaras, deu origem ao nome Vila Regula - casa romana de campo, soterrada em lugar da cidade. Outros, porém, defendem a hipótese de derivar de “récua”, devido aos ajuntamentos de récuas ou cavalgaduras que passavam o rio Douro. Uma terceira teoria, sustenta a derivação de “reguengo”, designação atribuída às terras dos reis.
Peso da Régua pode ainda ter origem no termo “regra”, aludindo ao direito que podia ser herdado de ascendentes ou conferido a descendentes através de um foral. Esta teoria baseia-se na doação de terras feita pelo Conde D. Henrique a D. Hugo, em 1093, que por sua vez as doou a D. Egas Moniz. Seria, portanto, esta “regra” a dar origem à palavra Régoa, mais tarde Régua. Em relação à proveniência do nome Peso existem duas correntes de opinião: a primeira defende a hipótese de derivar do lugar onde as mercadorias eram pesadas e cobrados os impostos; a segunda explica a probabilidade de o nome ter evoluído a partir de um lugar onde os animais de transporte eram alimentados ou pensados, o “Penso”.
Esta parte da actual cidade é antiquíssima. A ela se referiu o foral que D. Sancho I, que concedeu ao lugar de Godim, porque lhe deu a sua herdade do monte Argemundais com seus termos declarados, requerida em 1797 pelo Marquês de Abrantes, D. Pedro de Lencastre Almeida Sá e Meneses e passada na Torre do Tombo, do livro que serviu de registo na chancelaria de D. Afonso III.
A Régua é uma cidade moderna, que apenas conheceu a sua condição de concelho após a época pombalina, no ano de 1836. Toda a importância reconhecida se inicia por culpa e graça da criação, na Régoa, da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, pelo Marquês de Pombal em 1756. Tendo mandado delimitar as vinhas do Vale do Douro com marcos de granito – Marcos de Feitoria – determinando assim as áreas de produção dos melhores vinhos, Portugal criava no Douro a primeira região demarcada e regulamentada do mundo. A partir daí, e por via do comércio e sua centralização local, a Régoa passou a ser o centro da Região, o local onde todos chegavam e de onde tudo partia.
“A marca funda que deixou na paisagem, na vida dos homens e no sistema de relações, mais do que a sua importância económica, para a região e para o país, fez do Port Wine um facto cultural, património da cultura portuguesa, um vinho universal. É que este vinho generoso, de características singulares, velho, doce e aromático, encerra séculos de experiência, de trabalhos, de saber e arte, de solidariedades e conflitos. Favorecido pela natureza, que reúne condições excepcionais nas encostas xistosas do vale do Douro, o vinho do Porto é, como todos os grandes vinhos, um produto dos homens. Dos durienses, claro, mas também dos negociantes do Porto, dos ingleses, das gentes pobres das terras frias de Trás-os-Montes e da Beira, dos carreiros minhotos, dos galegos… Aqui, na região demarcada de vinhos que é considerada a mais antiga do mundo (1756), no sentido contemporâneo de uma denominação de origem, a história das gentes e a história do vinhedo seguem, desde há séculos, caminhos paralelos.”

PEREIRA, Gaspar Martins; BARROS, Amândio Morais (2000).
Memória do Rio. Para uma história da navegação no Douro. Edições Afrontamento. Porto
No dia 3 de Fevereiro de 1837, Peso da Régua foi elevada a vila, tendo-lhe sido anexado o concelho de Godim, com as freguesias de Godim, Loureiro, Fontelas, Moura Morta e Sedielos. A 31 de Dezembro de 1859 foram-lhe adicionadas, pela extinção do concelho de Canelas, as freguesias de Poiares, Covelinhas, Vilarinho de Freires e Galafura. A 11 de Dezembro de 1933 foi criada a freguesia de Vinhós, desanexada da freguesia de Sedielos. Com esta desanexação, o concelho de Peso da Régua integrava onze freguesias. Com a integração de Canelas, em 1976, o concelho completou o número actual de freguesias – doze.
Peso da Régua foi elevada à categoria de cidade a 14 de Agosto de 1985.Em 1988 foi reconhecida pelo Office Internacional de la Vigne et du Vin como Cidade Internacional da Vinha e do Vinho.

Fonte http://www.cm-pesoregua.pt/ [24 de Fevereiro de 2014]

de https://www.facebook.com/permalink.php?id=600752013338751&story_fbid=600766156670670, [consulta em 28set2017]

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A História - Peso da Régua

A origem da fundação da Régua remonta à época romana. Aqui, os romanos terão instalado na um presidium, tornando, em virtude disso, o território comunicável com outras terras.
Contudo, alguns escritores supõem que a fundação de Peso da Régua data do reinado de D. Sancho I, entre 1202 e 1207, altura em que terá começada a povoação de alguns lugares do concelho limítrofe de Santa Marta de Penaguião.
Em 1093, o conde D. Henrique e sua mulher D. Teresa escolheram para bispo do Porto, D. Hugo, a quem fizeram por doação, os dízimos das terras da Régua. Em 1135, os bispos do Porto fizeram deste território couto para a jurisdição civil, a qual foi confirmada por D. Pedro I ao bispo D. Afonso Peres Pinto. Em 1492 foi criado a arcediago da Régua, com metade dos dízimos.
Em 26 de Dezembro de 1513, el-rei D. Manuel atribuiu foral à Peso da Régua. Contudo, este não terá sido o primeiro foral atribuído às terras reguenses. Alguns historiadores consideram a possibilidade de o primeiro ter sido atribuído por D. Afonso Henriques, enquanto outros apresentam a possibilidade de D. Hugo ter integrado o território correspondente à Régua num foral concedido a Santa Marta de Penaguião.
As primeiras referências à Régua como vila datam de 1687, transcritas de um atribuído por D. Pedro II, para a realização de uma feira: "El-rei Faço saber que havendo respeito ao que por sua petição me representarão os Moradores da villa do Peso da Régua, e os do Concelho de Penaguião para effeito de lhes conceder licença para na dita Villa do Peso...."
A etimologia do nome de Peso da Régua não é consensual. Segundo alguns historiadores, Régua deriva de reguengo - designação de terras enquanto património dos reis. Pelo que se depreende de alguns forais, as terras de S. Faustino da Régua foram, ou fizeram parte, de um reguengo, habitadas por reguengueiros ou colonos. Outros historiadores consideram a possibilidade de o nome derivar de récua, em virtude das récuas ou ajuntamentos de cavalgaduras que os almocreves reuniam no cais, em virtude da passagem do rio Douro demorar muito tempo.
Sob o ponto de vista fonético, a primeira hipótese será pouco provável. A segunda, apesar de aceitável, poderá não ser exata no que concerne à explicação encontrada na documentação disponível para análise.
Considerando estas hipóteses inconclusivas, a investigação histórica aponta uma terceira explicação: Régua poderá derivar de regra - termo que significava manter direito, disposição de lei. Direito esse herdado de ascendentes ou conferido a descendentes por foral.
Em conformidade com este pressuposto está a doação feita pelo conde D. Henrique a D. Hugo. Da mesma forma, poder-se-á ainda considerar a doação feita por D. Afonso Henriques ao aio D. Egas Moniz no foral de Godim, cuja área contemplada integrava Peso da Régua. O primeiro fato refere-se à confirmação de um direito por sucessão (D. Hugo) e o segundo a um direito dado a alguém que o soube merecer (D. Egas Moniz).
A descrição feita nos Anais da Vila e Concelho do Peso da Régua relativa ao concelho de Godim levam a concluir que a Régua se localizava entre Godim e a Firvida, o que permite deduzir que a Régua se regia por si, sendo, por isso, possível uma administração com regras próprias. Mais um contributo para a validação da terceira hipótese de explicação da etimologia do termo.
Fonologicamente, a derivação do termo regra aproxima-se mais da designação atual de Régua, do que os termos reguengo ou récua.
Contudo, não existe documento que assegure qual das três hipóteses consideradas é a verdadeira.
O nome Peso deriva do lugar onde era efetuado o peso dos géneros e se cobravam os direitos impostos a várias mercadorias. A esta parte da cidade se referiu D. Sancho I no foral passado a Godim. O documento data de 1210 da era de Cristo.
Peso da Régua foi elevada a concelho em 1836.
A história do território e das suas gentes fica marcada pela instituição na vila da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro, pelo Marquês de Pombal em 1756.
Tendo mandado delimitar as vinhas do Vale do Douro com marcos de granito – Marcos de Feitoria – determinando assim as áreas de produção dos melhores vinhos, Portugal criou no Douro a primeira região demarcada e regulamentada do mundo. A partir daí, em virtude da sua localização geográfica, Peso da Régua tornou-se no centro nevrálgico da Região.
Em 1837, foi anexada à vila de Peso da Régua o concelho de Godim, com as freguesias de Godim, Loureiro, Fontelas, Moura Morta e Sedielos. A 31 de Dezembro de 1859 foram-lhe adicionadas, pela extinção do concelho de Canelas, as freguesias de Poiares, Covelinhas, Vilarinho de Freires e Galafura.
A 11 de Dezembro de 1933 foi criada a freguesia de Vinhós, desanexada da freguesia de Sedielos. Com esta desanexação, o concelho de Peso da Régua totalizou onze freguesias. Com a integração de Canelas, em 1976, o concelho completou o número atual de freguesias – doze. São elas: Canelas, Covelinhas, Fontelas, Galafura, Godim, Loureiro, Moura Morta, Peso da Régua, Poiares, Sedielos, Vilarinho de Freires e Vinhós.
Peso da Régua foi elevada à categoria de cidade a 14 de Agosto de 1985. Em 1988 foi reconhecida pelo Office Internacional de la Vigne et du Vin como Cidade Internacional da Vinha e do Vinho.

de http://www.cm-pesoregua.pt/index.php/turismo/historia, [consulta em 28set2017]

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União das Freguesias do Peso da Régua e Godim

Peso da Régua

O comércio e os serviços conheceram um grande desenvolvimento nas últimas décadas, mas a vinha e o vinho continuam a ser a imagem de marca da cidade.
Na Régua, o turista pode ainda visitar o edifício da Casa do Douro, cuja construção data do segundo quartel do séc. XX, em granito polido e mármore, com vitrais da autoria do pintor Lino António, onde pode ver retratada a história da Região Demarcada do Douro.
A visita à Régua ficará completa com uma passagem pela Estação Ferroviária, onde o primeiro comboio chegou no dia 14 de Julho de 1879, de onde se parte para outros pontos da região, continuando a viagem de comboio ou de camioneta.

Heráldica

Brasão: escudo de prata, dois cachos de uvas de púrpura, sustidos de verde e um cálice de vermelho, tudo bem ordenado; campanha diminuta ondada de azul e prata de três peças. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «FREGUESIA de PESO da RÉGUA».

Godim

Apenas o seu nome e a denominação de um ou outro dos seus pequenos lugares fazem lembrar a remota origem da sua propriedade e cultura, calculados principalmente pelas determinações contidas nos Forais Novos de Trás-os-Montes, mandados fazer por D. Manuel I. Um anfiteatro de punjantes parreiras com inicio na Cederma e fim no Vale.
Godim talvez não seja o nome mais antigo que da freguesia se conhece. Consta provir de Gothini ou Godinho – qualquer trunfo godo que quis, ou de quem quiseram perpetuar o nome, aplicando-o a um torrão fertilíssimo e pitoresco. Foi ainda denominada de “Vale” ou “Nateiro dos Quatro Caminhos”, o que comprova que desde pelo menos a época visigótica, se cruzavam vias importantes neste local.
A denominação Jugueiros derivou do facto de ter existido o “jugado” – tributo que os “jugueiros” (lavradores que possuíam carros de bois) pagavam e que D. Afonso Henriques fez reverter a favor da coroa portuguesa. A origem etimológica de Ariz (um lugar da freguesia de Godim) será provavelmente Alarici ou Alarico, nome do rei dos visigodos. Mera, de mero, senhor que tinha em qualquer território a jurisdição civil e crime.
Godim foi sede de concelho até 1836, o qual integrava as freguesias de Godim, Loureiro, Fontelas, Mouramorta, Sedielos e toda a área da actual freguesia do Peso da Régua. Teve o primeiro foral dado por D. Afonso III, em Maio de 1205, em Bostelo. Teve dois forais dados por D. Sancho I e Foral Novo concedido por D. Manuel I, em Évora, a 15 de Dezembro de 1519. Tal como a Régua, fez parte do concelho de Penaguião. A sua jurisdição nos moinhos da Firvida, para cujas correições não lhe era permitido atravessar o couto da Régua, extinguiu-se com o seu concelho em 1836. Em Fevereiro de 1837 passou a fazer parte do concelho do Peso da Régua.
À medida que se afasta do centro urbano, Godim vai acusando as marcas de ruralidade. Vale a pena admirar a Igreja Matriz, a casa da Quinta das Nogueiras (séc. XIX); a casa de Santa Maria (séc. XVIII); casa da Quinta das Casas Novas (séc. XVIII) e a casa das Cerdeiras (séc. XIX). É, também, nesta freguesia que se encontra a maior parte das estruturas de ensino do concelho, várias instituições de solidariedade social e uma série de associações de promoção cultural.

Heráldica
Brasão: escudo de negro, barco rabelo de ouro, mastreado e cordoado do mesmo, vestido de prata, carregado com sete pipas de ouro, realçadas de vermelho, vogante em campanha diminuta de três tiras ondasas de prata e azul; acantonados em chefe, dois cestos de prata com cachos de uvas de ouro, folhados de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: «GODIM».

http://www.cm-pesoregua.pt/index.php/concelho/uniao-das-freguesias-do-peso-da-regua-e-godim, [consulta em 28set2017]

1210 - MONTE ARGEMUDÃES

«Em 1210, na carta de Foro do Monte Argemudães, concedida por D. Sancho I, foi dito que esse monte «diudit (divide) cum Louerigos et cum Villa Maior et inde cum Remustruyaz et cum Peso et inde per venam (pelo leito) de Corrago (rio Corgo)…».»  

In
http://www.cm-smpenaguiao.pt/freguesias/uniao-das-freguesias-de-lobrigos-sao-miguel-e-sao-joao-baptista-e-sanhoane/, 
(Textos gentilmente cedidos por Dr. Artur Vaz) 
[Consulta minha em 28set2017]

«Esta parte da actual cidade (o Peso (da Régua)) é antiquíssima. A ela se referiu o foral que D. Sancho I, que concedeu ao lugar de Godim, porque lhe deu a sua herdade do monte Argemundais com seus termos declarados, requerida em 1797 pelo Marquês de Abrantes, D. Pedro de Lencastre Almeida Sá e Meneses e passada na Torre do Tombo, do livro que serviu de registo na chancelaria de D. Afonso III.» 

In
https://www.facebook.com/permalink.php?id=600752013338751&story_fbid=600766156670670, 
Fonte: http://www.cm-pesoregua.pt/, 
[Consulta minha em 28set2017]

Caldas do Moledo Caldas de Penaguião

Época termal
1 de Junho a 30 de Outubro

Indicações
Reumatismo, dermatoses e doenças das vias respiratórias.

Tratamentos/ caracterização de utentes
Horário: 8-12h e 16-20h

Responsável técnico: Dr. Pedro Espinha Marques (geólogo – UP).
Director Clínico: Dr. Eduardo Miranda; 4 técnicos de balneoterapia.

Tratamentos:

Balneoterapia: Banhos de imersão simples, imersão com duche subaquático, duche de agulheta. ORL: Irrigação, inalação; pulverização e gargarejo.
“A procura é sobretudo para reumatismo e vias respiratórias, temos pulverização, inalação e irrigação. O número de aquistas anda pelos 800 e tal, 900. Uns 80% são pessoas da região, embora venha gente de fora, o ano passado tivemos dois franceses e um suíço, temos gente que vem de Lisboa, pouca, que essa vai mais para São Pedro do Sul, e gente do Porto e de Penafiel” (conversa com Manuel Soeiro) Os programas de “bem-estar termal” e similares não estão nos horizontes da direcção destas termas, mas no entanto “há já muitos anos que temos por prática permitir três tratamentos sem ir a consulta médica. Toda a gente pode vir cá experimentar no máximo de três dias os nossos tratamentos, a partir do terceiro tratamento não permitimos porque pode haver problemas.”

Instalações/ património construído e ambiental

Almeida (1913) fala de três nascentes: da Beira Rio, para uso interno; a da Lameira, para duches e pulverizações; e a da Estrada, para banhos. “Essas nascentes tradicionais foram anuladas. Agora as termas são alimentadas pelos furos AC1 e AC2, anulámos tudo porque começámos a ter vários problemas com análises. Fizemos dois furos num estudo feito pela A. Cavaco, pelo professor Simões Cortez, que é um dos craques na matéria, o AC2 para alimentar o balneário de cima, embora estejamos a utilizá-lo cá em baixo, e o AC1, que é mesmo aqui em frente e que alimenta todo este balneário. Tudo em tubo inox A16, que vai directo às banheiras, não temos qualquer depósito, porque a nossa temperatura das águas permite isso, é 45º na nascente.” (conversa com Manuel Soeiro)
O parque é um surpreendente espaço arborizado por enormes plátanos, formando um largo terraço sobre o Douro, obra dos tempos da famosa Ferreirinha que aqui tinha o seu palacete, separado deste parque pela estrada da Régua para Amarante.
No interior deste parque, fechado por um gradeamento e monumentais portões do século XIX, encontra-se o edifício do balneário Dr. João Araújo Correia e o edifício chamado das piscinas. O primeiro é uma construção rectangular de um piso com cerca de 500 m2, correspondente ao antigo balneário das Lameiras, sobre o qual na década de 1980 foi construído o complexo de alojamento. O edifício chamado das piscinas, ou balneário Dr. Francisco de Mesquita Montes, foi inaugurado em 1982, e actualmente não funciona como balneário termal por não se justificar em relação à frequência de aquistas, como justificou Manuel Soeiro, responsável pelas termas: “O que se passa com o balneário das piscinas, é que nós não tínhamos meios para rentabilizar aquilo. Então enquanto as termas estão fechadas, pusemos a funcionar como natação de lazer. Nós dizemos que está fechado porque não podemos misturar água fria, água da companhia, na água termal e para abrir aquilo como manda as regras tínhamos de só ter água termal, tínhamos de pedir a licença à DGS e isso tudo. Assim vamos servindo as pessoas, vamo-nos servindo a nós também e portanto está a funcionar neste momento com natação de lazer, só no período das 5 às 8 da noite.”
Quanto ao velho palacete da Ferreirinha e ao antigo hotel ambos em estado de pré-ruína, o primeiro é propriedade da Câmara Municipal da Régua e o segundo pertence à Junta de Turismo, entidade exploradora das Caldas. Projectos para estes dois edifícios ainda não há, existe sim uma comissão camarária encarregue do estudo e levantamento do existente. Manuel Soeiro afirmou a esse respeito que se a Câmara vier a optar pela recuperação do palacete para fins hoteleiros a Junta de Turismo cede o espaço do hotel: “Aquele edifício, na nossa perspectiva, era destruí-lo e construir no local um parque de estacionamento. Ou vice-versa, fazer o estacionamento do outro lado e ali um hotel. Mas isso está tudo nessa comissão de estudo que irá esclarecer as várias hipóteses.”

Natureza

Subgrupo das sulfúreas sódicas, hipotermal. Alcalino sódicas (Almeida e Almeida 1970)
Sulfúrea sódica (45º) (Calado 1992)
Águas mesotermais a 45º de temperatura e fracamente mineralizadas, ocres, com reacção alcalina, carbonatadas, bicarbonatadas, fluoretadas, sódicas e sulfúricas (in folheto)

Alvará de concessão

1895 – Alvará de Concessão, publicado no DG nº 96, de 1/5, a favor de D. Antónia Adelaide Ferreira
1923 – Alvará de Transmissão, Publicado no DG nº 144, 2ª série, de 23/6
2005 – Portaria nº 285/2005 de 21/3/05, que aprova o perímetro de protecção imediato, intermédio e alargado. Responsável pelas termas: Manuel Soeiro

Historial

Fonseca Henriques, no “Aquilégio” (1726), chama-as de Caldas de Penaguião, mas só enumera as suas qualidades curativas, “semelhantes à das outras Caldas sulfúreas”. Cristóvão Reis (1779) designa-as por Caldas da Rede ou de Moledo.
Tavares (1810) escreve que “há quatro nascentes de água sulfúrea tanto na margem do rio, que facilmente são cobertas em qualquer inundação dele […] Por falta de comodidades (pois que o sítio não admite poder-se ali edificar casas ou barraca, e menos conservar-se em razão das enchentes) costumam para tomar banhos fazer covas na areia em que possam caber os enfermos, as quais se cobrem com cabanas de ramos de arvores, ou como é possível. Pela banda norte, destas nascentes há um lameiro murado, aonde o rio não chega, no qual aparece a mesma quantidade de água termal, e onde feitas as possíveis comodidades seria mais vantajoso o uso destas Caldas.”
Estas águas estiveram presentes na Exposition Universelle de Paris de 1867 e sobre as nascentes escreveu o médico Agostinho Lourenço (1867) no catálogo para essa exposição: “Il y a dix sources distribuées en trois groupes; cinq d’ente elles sourdent dans le lit même du Douro et ne sont mises à découvert qu’en temps d’étiage ; trois autres jaillissent à droite et deux à gauche de la route qui conduit de Régua á Amarante.” Lourenço não refere nenhum estabelecimento balnear, mas Ortigão (1875) escreve que este se achava “muito melhorado” desde que era pertença do sr. Torres da Régua.
Lopes (1892) classifica-as da mesma forma que Lourenço (bicarbonatadas sódicas, silicatadas sulfídricas), e denomina as nascentes “pelo nome de Moledo ou Granjão, Corvaceira, Rede, Fontelas e Peanaguião”. Quanto ao estabelecimento balnear, comenta que “Estas caldas, já conhecidas nos primeiros anos do século passado, têm hoje um regular estabelecimento hidroterápico para banhos, duches, inalações e pulverizações.” Mas à época em que Alfredo Lopes escrevia estas linhas, já o proprietário das Caldas de Moledo, José da Silva Torres, tinha falecido havia 12 anos, e as Caldas, embora arrendadas, pertenciam à sua viúva, D. Antónia Adelaide Ferreira, a famosa Ferreirinha. No início de década de 1880 esta empresária tinha terminado com a exploração por arrendamentos anuais das Caldas de Moledo, e no local construíra uma residência de veraneio, “o palacete”, que serviu de residência a D. Luís I na sua deslocação à região.
Em 1894, o relatório de reconhecimento do engenheiro Pacheco (1894) é de tom elogioso: “Transformou um amplo e atraente parque ajardinado, para passeio e distracção dos banhistas […] Reformou, radicalmente, o velho estabelecimento balnear, tão radicalmente que o tornou desconhecido dos seus antigos frequentadores, e conforme eu mesmo, que conheci as velhas termas, posso atestar. A falta de asseio desapareceu; foi aumentado o número de tinas; reformaram-se os velhos edifícios e construíram-se outros; ao lado dos banhos de imersão foi instalada uma magnífica sala de duches, tão completa que há quem afirme ser a primeira do género em Portugal; com os duches, foi instalado, também, um serviço, muito perfeito, de inalações e pulverizações.”
A concessão foi passada em nome de D. Antónia Adelaide Ferreira em 1895, e no ano seguinte faleceu esta senhora. As instalações que então existiam não deveriam ser muito diferentes das que Sarzedas (1907) descreveu: “A partir de cima para baixo, e em três pavimentos diferentes, assentam os estabelecimentos da Estrada, das Lameiras e do Rio. No primeiro há apenas a instalação de banhos de imersão, em quartos pouco espaçosos, é certo, mas bem cuidados em asseio. No segundo, o das Lameiras, há quatro corpos de edifício: três para banhos de imersão, em banheiras, e um destinado à instalação dos duches, que são variados e completos; e nesta edificação há também as instalações de pulverizações, inalações e irrigações. Todas as instalações das Lameiras estão em boas condições de aplicações. No terceiro pavimento, o do rio, uma barraca móvel de madeira, muito luxuosa e bem construída, onde funciona só uma banheira; e um pouco mais abaixo a ao lado, a nova instalação das piscinas, que é, a meu ver, de todas a melhor que possuem o estabelecimento termal de Moledo.
É também neste último pavimento que está a buvete, que destoa das instalações vizinhas, ao ponto de ser constituída sem os reparos que lhe são devidos, correndo nela a água termal por um cano de chumbo.”
No início do século XX a afluência a estas Caldas rondava os mil aquistas, e como instalações hoteleiras havia o Grande Hotel, o Hotel Vilhena e o Petit Hotel. O Casino e o parque à beira do Douro completavam o equipamento das termas.
Em 1923 os herdeiros da Ferreirinha venderam as Caldas de Moledo, tornando-se proprietário o coronel Miguel Evaristo Teixeira de Barros. Pelo que se verifica dos relatórios de Acciaiuoli das décadas de 1930 e 40, o número de frequentadores tinha descido vertiginosamente, para abaixo dos 300 aquistas por ano.
O balneário continuou em funções nas décadas seguintes, mas sem renovações apreciáveis, e em 1962, a juntar à crise que o sector do termalismo, vieram as cheias do Douro, destruindo boa parte do balneário e das suas captações.
O complexo termal foi então vendido à Junta de Turismo das Caldas de Moledo, que inicia uma recuperação dos balneários e piscinas. Em 1971 as águas do Douro cobrem novamente as instalações. Desta feita não foram inundações, mas sim as águas da albufeira do Carrapatelo, cuja cota obrigou à demolição das piscinas e de outras instalações à beira-rio.
Com as indemnizações recebidas construiu-se um novo edifício para as piscinas, inaugurado em 1982 com o nome de Dr. Francisco de Mesquita Montes, em homenagem a este médico hidrologista que aqui exerceu clínica. Sobre o velho balneário das Lameiras, já à época unidos os quatro corpos em que se compunha originalmente, foram construídos os apartamentos hoteleiros.
Actualmente encontra-se em funcionamento o balneário das Lameiras, baptizado de Dr. João Araújo Correia. Quanto a projectos futuros, a Junta de Turismo aguarda as decisões de um estudo da Câmara Municipal sobre todo o conjunto urbano das Caldas de Moledo, que esperemos venha a ser tão belo e tranquilo como o seu enquadramento paisagístico.

Alojamentos

Sobre o balneário foi construído no início da década de 80 um complexo hoteleiro com 10 apartamentos T1, cuja exploração foi concessionada à empresa Tridurius, que pelo contrato de concessão deveria também explorar um restaurante no balneário das piscinas, mas tal nunca se veio a concretizar.

Recortes

JN - 21/1/04 (Almeida Cardoso) – Termas das Caldas de Moledo renovadas – Espaço aprazível , situado na margem do rio Douro recebeu 750 aquistas em 2003. Destaque: As cheias do Douro às vezes deixam marcas.

JN - 11/6/00 (Fernando Seixas) Termas de Portugal – Caldas de Moledo buscam brilho de outrora – Com uma frequência a subir de ano para ano, a estância termal do concelho de Peso da Régua vem melhorando as instalações. (Destaque: Uma vida atribulada cheia de altos e baixos) regressar ao topo da página

Bibliografia

Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a; 1948b; 1949-50; 1953, Almeida 1948, Almeida 1970, Almeida 1913, Alves, Azevedo, Almeida e Leão 1871, Azevedo 1867, Baptista1874-79, Bastos 1934, Brandt 1881,Brito 1945, Castro 1762, Castro 1894-95, Contreiras: 1930; 1937; 1941; 1942; 1951. Correia 1923, Correia 1943, Costa 1909, Costa 1942,Costa 1819, Félix 1877, Florido 1899, Gusmão 1871/72, Henriques 1726, Leal 1875-80, Leite1930, Lepierre 1926,Lepierre e Carvalho 1937, Lepierre 1936, Lopes 1892, Lourenço 1867, Melo 1932 ,Mira 1948, Miranda 1921ª, Miranda 1921b, Morais 1943, Narciso: 1920; 1920b; 1925; 1933; 1934; 1948. Neiva 1946-47, Ortigão 1875, Pacheco1894, Reis 1779, Sarzedas 1907, Silva 1895, Silva 1908, Tavares 1810, Torres1886, Vale 1845, Vasques 1894, Vaz 1842, Viana1898, Águas minerais do continente e Ilha de S. Miguel 1940, As águas de S. Pedro do Sul 1904, Águas e Termas Portuguesa 1918, Anuário Médico-hidrológico de Portugal1844, Caldas de Moledo 1896-97, Caldas de Moledo – Legislação e Regulamento 1899, Moledo termal 1921,Caldas de Moledo 1934, Le Portugal Hydrologique et climatique1930-42, Termas de Portugal 1947

Fonte: www.aguas.ics.ul.pt/vilareal_cmoledo.html, [Consulta em 24set2017]

Ponte Ferroviária da Régua

A Ponte Ferroviária da Régua, também conhecida por Ponte da Régua, é uma ponte sobre o Rio Douro, no Concelho de Peso da Régua, em Portugal. Construída em 1934 no âmbito da Linha de Lamego, foi adaptada a uso rodoviário depois daquele projecto não ter sido concluído.[1][2]

História

A ponte foi construída pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro, tendo o projecto sido elaborado pelo engenheiro Avelar Ruas, e a obra conduzida pelo engenheiro Maçãs Fernandes.[3][4]

Foi construída em alvenaria, o que fez destacar entre as pontes construídas nesta época, normalmente construídas em ferro, material que permitia uma construção mais económica.[4]

Em Novembro de 1931, começaram-se a construir dois pilares sobre o terceiro arco da ponte, com 65 metros de comprimento, tendo, nesse ano, sido concluído o último e o maior arco da ponte[5][3]; no ano seguinte, os dois pilares já tinham sido concluídos, junto com outros dois sobre o mesmo arco, continuaram a ser edificados os 6 arcos de 6 metros que formavam os tímpanos vazados, foram colocadas as fiadas de tímpanos a jusante e a montante, numa extensão de 150 metros, e foram montadas as pedras de plinto e as guardas.[5] Assim, em 1932, ficaram por montar os quartos de cone, que já estavam a ser construídos, e terminar a instalação dos panos de grade, em cimento armado, a intercalar com os de cantaria.[5] Em 1933, foram concluídos os quartos de cone, os encontros em ambas as margens, o rompimento da trincheira na margem esquerda, e o muro de espera do aterro da margem direita, e foi executado o desvio da estrada sobre o primeiro arco de 6 metros, na margem esquerda do rio.[6]

A ponte foi oficialmente dada como concluída em 30 de Setembro de 1934, tendo as últimas obras sido a instalação das grades, e de uma passarela em cimento armado na trincheira da margem esquerda do rio.[1]


Referências
[1]↑ Ir para: a b «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal, em 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1129). 29 páginas. Consultado em 9 de Fevereiro de 2013 Texto "1 de Janeiro de 1935" ignorado (ajuda)
[2]Ir para cima ↑ «Requalificação de ponte na Régua custa 1,6 milhões de euros». Público. 3 de Março de 2011. Consultado em 9 de Fevereiro de 2013
[3]↑ Ir para: a b «O ano de 1931 e a Comp.ª Nacional de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 45 (1059). 1 de Fevereiro de 1932. 67 páginas. Consultado em 9 de Fevereiro de 2013
[4]↑ Ir para: a b «A Obra da Junta Autónoma das Estradas na Construção de Grandes Pontes de Estrada» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1149). 1 de Novembro de 1935. 450 páginas. Consultado em 9 de Fevereiro de 2013
[5]↑ Ir para: a b c «Ainda o que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no ano de 1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1082). 62 páginas. Consultado em 9 de Fevereiro de 2013 Texto "16 de Janeiro de 1933" ignorado (ajuda)
[6]Ir para cima ↑ «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 52 páginas. Consultado em 9 de Fevereiro de 2013 Texto "16 de Janeiro de 1934" ignorado (ajuda)

pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_Ferroviária_da_Régua, Consulta em 16set2017

Vias Romanas no Douro

Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vila Marim - Cidadelhe (Aliobriga?) - Lamego (Lamecum?)/ Peso da Régua


Um outro eixo viário N-S partindo de Chaves seguia pelo alto da serra a poente da depressão Verín - Régua rumo também ao rio Douro; dois miliários logo à saída de Chaves (Campo da Roda e Outeiro Jusão) que apesar de estarem deslocados da sua posição original poderiam assinalar esta via que seguia por Vidago rumo à Ponte da Ola onde cruzava o rio Avelames, continuando por Cabanas (onde deveria existir uma mutatio), continuando por alturas da serra rumo a Vila Marim, onde se achou um miliário, continuando provavelmente rumo às travessias do Douro em Peso da Régua e Cidadelhe, onde há notícia de outro miliário. Esta última travessia poderia ser feita nas Caldas de Moledo, onde há vestígios romanos associados a um vicus e provável mutatio de apoio a esta passagem do rio que durante a Alta Idade Média disponha de barca e albergaria que deverá corresponder ao «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (Lima, 2008; Batata et al., 2008).
Chaves (depois de atravessar a Ponte de Trajano, rumava a sul cruzando a ribeira do Caneiro; na Qta. do Caneiro apareceu o miliário do «Campo da Roda», hoje desaparecido, talvez dedicado a Constantino Magno)
Outeiro Jusão (miliário anepígrafo numa casa derrubada da aldeia; ara aos Lares Tarmucenbaecis Ceceaecis; ara dedicada a Ísis no MRF e estela funerária de Daphnus talvez provenientes da villa da Qta. do Pinheiro; vide términos dos Praen e Coroq achados neste local; a via seguia talvez por Pereira de Veiga e Vila Nova de Veiga pelo Alto da Conceição, Alto do Turigo e Parada onde apareceu uma ara a Baco)
S. Pedro de Agostém (ara aos Lari Erredici na igreja; a via segue talvez por Fonte Fria e junto do castro romanizado do Alto do Castro/Monte de Sta. Bárbara e do respectivo habitat romano da Fonte do Mouro; inscrição a Laribus Pindeneticis em Selhariz)
Pereira do Selão, Vilas Boas (segue pela rua da Paz e campo de futebol e pelos topónimos viários Carquejo, Corgo e Alto da Portela)
Vidago (castro; termas romanas em Salus, divindade que designa saúde, onde apareceu uma incrição referindo Aqua Flaviae; a via cruzava a ribeira da Oura junto a Vidago ou mais a jusante numa ponte hoje arruinada na EM549, próximo do sítio romano de Couces local, ascendendo depois ao planalto da Serra de Oura, continuando pelo Alto do Baldio, junto da Qta. do Marco, Alto do Miradouro e aldeia de Vilela, passando assim a nascente do castro romanizado do Monte do Castelo em Capeludos, sobrancerio ao Tâmega, onde apareceu uma estátua de guerreiro; inscrição aos lares gegeiquis na igreja paroquial de Arcossó)
Bragado (cruza o rio Avelames na Ponte Romana?-Medieval da Ola, e sobe a encosta pelo Parque de Lazer)
Pensalvos (cruza a ribeira da Azenha e segue pela rua do Cabo, Igreja e rua do Calvário)
Cabanas (possível mutatio no sítio da Castanheira/Reguenga, a 150 m do campo de futebol, onde apareceu um tesouro monetário; cruza a aldeia pelo Largo da Capela e Largo do Outeiro e continua pelo CM1155 junto dos topónimos viários Portela e Pipa, seguindo pelo planalto da Serra do Alvão)
Afonsim (a nascente pelo CM1155 e EM555 por Alto de Couces e Praina dos Molhadinhos)
Paredes do Alvão (continua a nascente pelo CM1153 por Colonos de Paredes, Alto do Porto da Lage/Alto da Chã da Fonte, Colónia de Baixo e Povoação)
Gouvães da Serra (continua por Lages das Portas e Cadouço, topónimos viários, Alto da Sombra, Alto dos Merouços e Alto da Meroucinha, servindo de linha divisória entre os concelhos de Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, continua pelo Alto dos Fornos, Alto do Seixinhal e Alto das Caravelas, onde inicia a descida da serra até entroncar na EM313 junto da Barragem Cimeira a sul de Lamas de Olo, seguindo por esta estrada pelo Alto das Muas, descendo depois pelo caminho carreteiro por Alto da Queimada e Negral)
Agarez (tesouro monetário; segue o CM1219 por Carvelas, Laje e Barroca)
Vila Marim (mutatio; miliário anepígrafo tombado numa horta junto da Capela de Ns. da Paz; tesouro monetário junto do Outeiro das Pombas, local da Villa Marinis, mencionada em escritos medievais)
Travessia do ribeiro da Marinheira (junto da Torre de Quintela?)
Mondrões (segue algures a poente de Vila Real)
Travessia do rio Sordo (tesouro monetário em Penedo Redondo)
Torgueda (seguia talvez por Fonte Seca, Vendas de Cima e Moçães, conflui na EN1244 e segue para Arnadelo, rua da Carreira, passando junto do povoado do Alto do Castelo, no outeiro da Capela da Sra. dos Remédios, e mais adiante nos sítios romanos do Rodelo e Veiga, junto do campo de futebol na EM1244-1)
Cumieira (provável vicus no lugar do Assento, com vestígios em torno do Monte de Sta. Bárbara, Ranha, Fossa e Ladário, onde terá aparecido uma ara a Júpiter (Colmenero, 1997); não é claro se a via passava em Cumieira ou se descia por Pomarelhos pela Costa da Veiga, onde existiu calçada, para cruzar a ribeira de Aguilhão na base do povoado fortificado do Monte Maninho junto da Qta. de Valflores e do sítio romano de Cabanelas na outra margem)
Fontes («Castro de Fontes» ou «Castelo dos Mouros», povoado fortificado na colina da Pena Aguda onde hoje existe a Capela de São Pedro de Fontes; aqui apareceu uma ara dedicada à divindade Auge; sítio romano de Cabanelas; forno romano junto da Ponte da Arcadela sobre a ribeira de Aguilhão em Fornelos; Qta. da Carreirola, topónimo viário)
  • Ligação a Cidadelhe: um outro ramal seguia para Cidadelhe (onde há notícia de um miliário) rumo à travessia do rio Douro no «portu de aliovirio», mencionado num documento do ano 922 (PMH DC 25) que poderá corresponder ao porto de Caldas de Modelo, onde há vestígios romanos (Lima, 2008). Partindo de Fontes seguia até ao sítio de Fronteira, onde tomava o caminho pelos altos da Sra. do Monte e da Sra. dos Remédios em Mouramorta, continuando por Cimo de Vila e Pedreira até à Ponte Medieval de Cavalar sobre o rio Sermanha/Soromenha em Nostim, rumando daqui a Cidadelhe (castro romanizado, possivelmente designado por Aliobriga em época romana).
  • No hoje desconhecido «Lugar do Marco» Russel Cortez identificou um miliário a Numeriano entretanto desaparecido com o numeral IIXX na última linha, podendo por isso indicar a milha 18; o ponto inicial da contagem da milhas é desconhecido, mas é de assinalar que esta é aproximadamente a distância ao miliário de Vila Marim
  • Num documento do ano 970, há referência a uma antiga carreira servindo como linha divisória de propriedades em Nostim que poderá corresponder à via romana rumo ao Douro; «per carrale antiquo usque ubi diuidet cum uilla de lombadella et cum uilla de nausti usque in sarmenia» (PMH DC 101).
  • Travessia do Rio Douro rumo a Lamego: existem dois pontos de passagem do rio separados pelo rio Sermanha; de Cidadelhe poderia descer à Qta. do Barco, sugestivo topónimo ou em alternativa desviava antes de Cidadelhe, em Nostim, e seguia por Portela, Oliveira e Bamba até Caldas de Moledo, onde cruzava o rio para o porto fluvial Penajóia e daqui ascendia a encosta por Pousada, S. Gião, Penajóia e Avões de Lá, onde entronca na via proveniente de Porto de Rei rumo a Lamego.
  • Ligação a Peso da Régua: a via poderia bifurcar junto do Castro de Fontes, seguindo rumo a Peso da Régua para cruzar o rio Douro; a via seguia por Santa Marta de Penaguião, onde cruza a ribeira de Fontes, continua por Encambalados de Cima e pelo caminho próximo da Capela da Ns. da Guia em Lobrigos, continua paralela à EN2 por Outeiro, Casaria, reúne com a EN2 e pouco depois desvia novamente desta na Capela de S. Gonçalo e toma o caminho pela Capela da Sra. da Graça, continua pela cumeada das Qtas. de Romarigo e Campanhã, descendo depois ao Douro pelo caminho entre-muros marginando uma adega e que segue depois paralelo à rua Major Xavier Vaz Osório, cortado pela EN2, continuando pela rua da Qta. de S. Domingos até à linha férrea e daqui ao cais do Douro. (vide continuação da via no Itinerário Peso da Régua - Marialva).

Fonte: 
www.viasromanas.pt, consulta efectuada em 25.08.2017

Origem dos sobrenomes portugueses

Um único nome ou um nome seguido por um patronímico era a forma mais comum que os povos nativos pré-romanos se denominavam. Os nomes podiam ser celtas (Mantaus), lusitanos (Casae), ibéricos (Sunua) ou cónios (Alainus). Os nomes eram claramente étnicos e alguns típicos de uma tribo ou região. A lenta adoção da onomástica romana ocorreu após o final do século I a.C., com a adoção de um nome romano ou da tria nomina: praenomen (nome próprio), nomen (gentílico) e um cognome.[2][3]

A maioria dos sobrenomes portugueses têm origem patronímica, toponímica ou religiosa.

Patronímicos
Os patronímicos são nomes derivados do nome próprio do pai que, há muitos séculos atrás, começou a ser utilizado como sobrenome. São os sobrenomes mais comuns nos locais onde o português é falado, como também em muitas outras línguas.

Na língua portuguesa, os patronímicos são sobrenomes como Henriques, Rodrigues, Lopes, Gomes, Nunes, Mendes, Fernandes, Gonçalves, Esteves, Simões e Álvares, onde a terminação -es significa "filho de". O significado é o mesmo do sufixo -ez utilizado na língua castelhana.

Alguns sobrenomes patronímicos não terminam em es. Ao invés disso, terminam em iz, como Muniz (filho de Monio) e Ruiz (filho de Ruy), ou ins, como Martins (filho de Martim).

Embora a maioria dos sobrenomes portugueses terminados em -es são patronímicos, alguns nomes de família terminados em es não são patronímicos, mas toponímicos, como Tavares, Pires, Cortês e Chaves.

No início da aquisição dos sobrenomes, a terminação –es não era utilizada. Assim, Joana filha de Fernando poderia ser chamada de Joana Fernando, como André João significando André filho de João.[carece de fontes] Pode-se encontrar hoje em Portugal e no Brasil pessoas que ainda usam sobrenomes que já foram nomes próprios de outras pessoas, mas que foram passados de pais para filhos durante gerações e não têm a terminação -es, tais como Valentim, Alexandre, Fernando, Afonso (note o nome de família de Melo Afonso) e Antonio (note o de Melo Antonio). Nomes como Dinis, Duarte, Garcia e Godinho eram originalmente nomes próprios, mas hoje são utilizados no Brasil quase que exclusivamente como sobrenomes, apesar de Duarte e Dinis ainda serem nomes próprios comuns em Portugal.

Matronímicos (sobrenomes derivados de nomes próprios femininos) quase nunca são utilizados em português, mas sobrenomes como "Catarino" (de Catarina) e "Mariano" (significado relacionado a Maria) podem ser provenientes tanto do nome da mãe verdadeira com da mãe espiritual Virgem Maria.[carece de fontes]

Alguns patronímicos antigos não são facilmente reconhecidos, por duas razões principais. Às vezes, o nome próprio que originou o patronímico tornou-se antiquado, como Lopo (que originou Lopes), Mendo ou Mem (Mendes), Vasco (Vasques), Soeiro (Soares), Munio (Muniz), Sancho (filho de Sanches). Além disso, muitas vezes os nomes dados ou os patronímicos relacionados modificaram-se através dos séculos, embora sempre possa ser notada algumas semelhanças – como Antunes (filho de Antão, ou Antônio), Peres (filho de Pero, forma arcaica de Pedro), Alves (de Álvares, filho de Álvaro) e Eanes (do medieval Iohannes, filho de João).

Toponímicos
Um número considerável de sobrenomes é de origem toponímica, supostamente para descrever a origem geográfica de um indivíduo, como o nome de uma aldeia, vila, cidade, região ou rio. Encaixam-se nessa regra sobrenomes como Almeida, Andrada ou Andrade, Barcelos, Barros, Bastos, Castelo Branco, Cintra (de Sintra), Coimbra, Faria, Gouveia, Guimarães, Lima (nome de um rio, não a fruta), Lisboa, Pacheco (da vila de Pacheca), Porto, Portugal, Brasil, Serpa etc. Um sobrenome como Leão pode significar que um antepassado veio do antigo reino espanhol de León (noroeste de Espanha) ou então da cidade francesa de Lyon (em português, Lião).[carece de fontes]

Nem todas as aldeias e vilas que originaram esses sobrenomes existem, mantiveram o nome original ou são habitadas hoje.

Alguns nomes especificam a localização da casa de uma família dentro de uma aldeia: Fonte (junto à fonte), Azenha (pela azenha, moinho d’água), Eira (pelo eira), Tanque (pela cisterna da comunidade), Fundo (parte mais baixa da vila), Cimo/Cima (na parte superior da cidade), Cabo (na extremidade da aldeia)[carece de fontes], Cabral (próximo ao campo onde as cabras pastam). Em alguns casos, o nome de família pode não ser toponímico, mas uma indicação de posse.

Alguns termos geológicos ou geográficos também foram utilizados na nomeação, como Pedroso (pedregoso ou cheios de terra), Rocha, Souza/Sousa (do latim saxa, um lugar com seixos, ou o nome de um rio português), Vale, Ribeiro (pequeno rio, córrego, riacho), Siqueira ou Sequeira (terra não irrigada), Castro (castelo ou ruínas de construções antigas), Dantas (de d'Antas, um local com antas, ou seja, monumentos de pedra pré-históricos ou dólmens), Costa (litoral), Pedreira, Barreira (pedreira de argila). Ferreira é um sobrenome toponímico, utilizado pela primeira vez por pessoas que viveram em muitas cidades e aldeias chamadas Ferreira, ou seja, um lugar onde era possível encontrar minério de ferro.

Nomes de árvores e plantações também são nomes toponímicos, supostos inicialmente para identificar um ancestral que viveu perto ou dentro de alguma fazenda, pomar ou um local com um tipo característico de vegetação. Sobreomes como Silva (uma espécie de baga; também significando mata), Silveira (local coberto por silvas), Matos (bosques, florestas), Campos (campos de grama, pradarias), Teixeira (local coberto por teixos, uma espécie de árvore), Queirós (um tipo de erva), Cardoso (local coberto por cardos, ou seja, alcachofra-brava ou espinhos), Correia (local coberto por corriolas ou correas, um tipo de planta), Macedo (um jardim de macieiras) e Azevedo (uma floresta de azevinho, ou seja, madeira de azevinho) encaixam-se neste padrão.

Nomes de árvores são sobrenomes toponímicos bastante comuns: Oliveira, Carvalho, Lima, Salgueiro, Pinheiro, Pereira, Moreira (de amoreira), Macieira, Figueira. Estes nem sempre são sobrenomes judaico-portugueses antigos, conforme explicado adiante, embora esse mito seja muitas vezes transmitido.

Religiosos
Sobrenomes com significados religiosos são comuns. É possível que alguns destes originaram-se de um ancestral que se converteu ao catolicismo e necessitou mostrar a sua nova fé. Outra possível origem para os nomes religiosos era de que órfãos foram abandonados em igrejas e criados em orfanatos católicos por padres e freiras, geralmente batizados com um nome relacionado à data mais próxima do dia que eles foram encontrados ou batizados. Ainda outra fonte possível é de nomes próprios de religiosos anteriores (que exprimem devoção especial por parte dos pais ou dos padrinhos, ou a data de nascimento da criança) foram adotados como nomes de família.

Entre os nomes religiosos, incluem-se nomes como Jesus, dos Reis (dia da Epifania do Senhor, o Dia dos Reis Magos), Ramos (Domingo de Ramos, o domingo anterior à Páscoa), Pascoal (da Páscoa), da Assunção (Assunção da Virgem Maria), do Nascimento (da Natividade da Virgem Maria ou o Nascimento de Jesus - Natal), da Visitação (Visitação da Virgem Maria), da Anunciação (Anunciação da Virgem Maria), da Conceição (Imaculada Conceição da Virgem Maria), Trindade (do Domingo da Trindade), do Espírito Santo (da Festa do Espírito Santo), das Chagas (proveniente da Festa das Cinco Chagas de Cristo), Graça (de Nossa Senhora da Graça), Patrocínio (de Nossa Senhora do Patrocínio), Paz (de Nossa Senhora Medianeira da Paz), Luz (de Nossa Senhora da Luz Divina), Neves (de Nossa Senhora das Neves), Penha (de Nossa Senhora da Penha da França, que em espanhol é chamada de Nuestra Señora de Penafrancia) das Dores (Nossa Senhora das Dores), Bonfim (de Nosso Senhor da Boa Morte), das Virgens (das virgens mártires), dos Anjos (proveniente dos arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel), São João, Santana (Santa Ana), Santos (Dia de Todos os Santos ou Dia de Finados) e Cruz (o sobrenome mais comum entre os judeus de Belmonte).

Um órfão de pais desconhecidos ou um convertido (judeu, escravizado africano ou nativo americano) poderia ser batizado com o nome de um santo, como João Batista (de São João Batista), João Evangelista (de São João Evangelista), João de Deus (de São João de Deus), Antônio de Pádua (de Santo Antônio de Pádua), João Nepomuceno (de São João Nepomuceno), Francisco de Assis (de São Francisco de Assis), Francisco de Paula (de São Francisco de Paula) , Francisco de Salles (de São Francisco de Salles), Inácio de Loiola (de Santo Inácio de Loyola), Tomás de Aquino (de Santo Tomás de Aquino), José de Calanzans (de São José de Calasanz), ou José de Cupertino (de São José de Cupertino). Em seguida, eles costumavam transmitir apenas o segundo nome próprio (Batista, Evangelista, de Deus, Pádua, Nepomuceno, Assis de Paula, Sales, Loiola, Aquino, Calanzans e Cupertino) para seus filhos como um sobrenome.

Um sobrenome como Xavier poderia ter se originado a partir de alguém batizado em homenagem a São Francisco Xavier ou da antiga família portuguesa Xavier.

Característica
Alguns sobrenomes são possíveis descrições de uma característica peculiar de um ancestral, originada a partir de um apelido.

Estes incluem nomes como Peixoto ("peixe pequeno", dado a um nobre que utilizava peixes para enganar seus inimigos durante uma citação[carece de fontes]), Peixe (o nadador, ou também pescador ou peixeiro[carece de fontes]), Veloso (lanoso, de lã, ou seja, peludo), Ramalho (cheio de galhos de árvores; espesso, ou seja, barba espessa [carece de fontes]), Barroso (coberto de barro, ou seja, espinhas[carece de fontes]), Lobo (ou seja, selvagem, feroz[carece de fontes]), Lobato (lobo pequeno, filhote de lobo), Raposo (raposa, ou seja, inteligente[carece de fontes]), Pinto (pintinho, ou seja gentil e bondoso[carece de fontes]), Tourinho (touro pequeno, ou seja, robusto, forte[carece de fontes]), Vergueiro (que se dobra, ou seja, fraco), Medrado (crescido, ou seja, alto), Tinoco (curto, pequeno), Porciúncula (pequena parte, um pedaço pequeno), Magro, Magriço (muito magro), Gago, Galhardo (galante, cavalheiro), Terrível, Penteado (apelido de uma linhagem da família alemã Werneck, cujos membros usavam perucas), Romero (de romeiro, peregrino, ou seja, alguém que fez uma viagem religiosa para Roma, Santiago de Compostela ou Jerusalém).

Ocupação e profissão
São poucos os sobrenomes portugueses que se originaram de profissões ou ocupações, como Serrador, Monteiro (caçador de montes ou guarda-madeira), Guerreiro, Caldeira (de caldeirão, por exemplo), Cubas (barris de madeira, ou seja, fabricantes de barris e tanoeiros), Carneiro (para um pastor), Peixe (para um pescador ou dono de peixaria).

Um erro comum é dizer que o sobrenome Ferreira significa ferreiro, uma vez que existem sobrenomes similares em muitas línguas com este significado (Smith em inglês, Schmidt em alemão, Bittar em árabe, etc.). Ferreira é o nome de um rio e de muitas aldeias e vilas de Portugal.

Sobrenomes de origem estrangeira
Alguns sobrenomes portugueses são provenientes de estrangeiros que vieram morar em Portugal ou no Brasil há muitos séculos atrás. Eles são tão antigos que, apesar de sua origem estrangeira conhecida, são uma parte integrante das culturas portuguesa e brasileira.

A maioria desses sobrenomes é espanhola, como Toledo (uma cidade da Espanha), Ávila ou Dávila (cidade da Espanha), Camargo, Castilhos, Vargas, Garcia, Torres e Padilha. Outros nomes "estrangeiros" comuns são Bettencourt ou Bittencourt (de Béthencourt, francês, família francesa radicada nos Açores e mais tarde também no Brasil), Goulart ( Van Govaert, flamengo, família flamenga, radicada nos Açores e mais tarde também no Brasil, tendo a grafia afrancesada para Goulart), Goulard ou Gullar (francês, significando originalmente glutão), da Rosa ( Van der Roos ou De Rouzé, flamengo, família flamenga descendente do colonizador flamengo Pieter Van der Roos que passou a ser Pedro da Rosa nos Açores e que se radicou nos Açores e mais tarde no Brasil, outro ramo provem do colonizador Guillaume De Rouzé nascido em Arras) da Silveira (Van der Haegen, flamengo, família flamenga que se radicou nos Açores e mais tarde no Brasil, proveniente do colonizador Willehm Van der Haegen, passando a ser Guilherme da Silveira nos Açores) Fontenele ou Fontenelle (francês, de fonte), Rubim (de Robin, francês), Alencastro, Lencastre (de Lancaster, inglês), Drummond (escocês), Werneck, Vernek ou Berneque (sul da Alemanha; nome da cidade bávara de Werneck), Bingre (do germânico Huebinger), Brandão (do germânico Brand), Wanderley (de van der Ley, flamengo), Dutra (de Ultra, um nome latino que significa "do além", adotado pela família flamenga Van Hurtere), Brum (de Bruyn, flamengo), Bulcão (de Bulcamp, flamengo), Dulmo (de van Olm, flamengo),[4] Espíndola (Spinolla, italiano, família radicada nos Açores e depois no Brasil) Acioli (italiano), Doria (italiano), Cavalcanti (italiano), Motta (italiano), Netto (italiano; não confundir com o sufixo "Neto", que é utilizado para distinguir neto e avô que possuem o mesmo nome), Peçanha ou Pessanha (italiano, família descendente do navegador genovês Emanuele Pessagno).

A questão dos sobrenomes judaico-portugueses
Costuma-se dizer que os judeus que viveram em Portugal até 1497, quando foram obrigados a escolher entre a conversão ou a expulsão, substituíram seus sobrenomes originais por nomes de árvores que não produzem frutos comestíveis, como Carvalho e Junqueira (cana-de-açúcar, bambu, junco). Outros dizem que os judeus normalmente escolhem nomes de árvores, tais como Pereira e Oliveira, e de animais, como Coelho e Carneiro. No entanto, tais versões não passam de mitos, pois todos esses sobrenomes já eram utilizados para designar cristãos desde meados da Idade Média.

Outro nome de família geralmente apontado como indicador de ascendência judaica é o Espírito Santo. A explicação é que os judeus adotariam como nome de família uma palavra (aparentemente) cristã por engano. Na verdade, eles estavam escolhendo a pessoa que mais incorporasse a Trindade, isto é, aquele que ofendeu sua fé judaica (secreta). Esta teoria não é totalmente fundamentada, uma vez que existem provas de que o culto ao Espírito Santo cresceu após 1496, especialmente entre cristãos-novos. Isso não exclui que o Espírito Santo também foi adotado pelos cristãos fiéis, seguindo a lógica de outros sobrenomes religiosos.

Os judeus portugueses que viveram em Portugal até 1497 tinham nomes próprios que poderiam distingui-los da população cristã. A maioria desses nomes são traduções em português dos antigos nomes semíticos (árabe, hebraico, aramaico) como Abenazo, Abencobra, Aboab, Abravanel, Albarrux, Azenha, Benafull, Benafaçom, Benazo, Caçez, Cachado, Çaçom/Saçom, Carraf, Carilho, Cide/Cid, Çoleima, Faquim, Faracho, Faravom, Fayham/Fayam, Focem, Çacam/Sacam, Famiz, Gadim, Gedelha, Labymda, Latam/Latão, Loquem, Lozora, Maalom, Maçon, Maconde, Mocatel, Molaão, Montam, Motaal, Rondim, Rosall, Samaia/Çamaya, Sanamel, Saraya, Tarraz, Tavy/Tovy, Toby, Varmar, Zaaboca, Zabocas, Zaquim, Zaquem, Zarco. Alguns nomes são toponímicos, como Catelaão/Catalão, Castelão/Castelhão (castelhano), Crescente (da Turquia), Medina, Romano, Romão, Romeiro, Tolledam/Toledano (de Toledo), Valencia e Vascos (Basco). Alguns eram patronímicos de nomes bíblicos, como Abraão, Lázaro, Barnabé, Benjamim, Gabriel, Muça (Moisés) e Natam (Natã). Alguns são nomes oriundos de profissões, como Caldeirão, Martelo, Peixeiro, Chaveirol (serralheiro) e Prateiro (ourives). Alguns são apelidos, como Calvo (careca), Dourado (ouro, como o alemão Goldfarb), Ruivo (cabeça vermelha), Crespo, Querido e Parente (parente da família). Poucos nomes não são diferentes dos antigos sobrenomes portugueses, como Camarinha, Castro, Crespim..[5]

Alguns estudiosos revelaram que os judeus naturalizados portugueses em geral escolheram patronímicos como novos sobrenomes, e, quando a conversão não foi obrigatória, eles costumavam escolher o sobrenome do padrinho.[5]

Apesar disso, a comunidade judaico-portuguesa que floresceu na Holanda e em Hamburgo, na Alemanha, após serem expulsos de Portugal, utilizaram sobrenomes que eram comuns entre os antigos cristãos portugueses, como Camargo, Costa, Fonseca, Dias e Pinto. Talvez a sua maioria tivesse pais ou avós que foram obrigados a se converter em Portugal, e após a emigração para a Holanda, eles receberam a fé judaica do país de braços abertos, mas continuaram utilizando os sobrenomes dos seus padrinhos.

Alguns dos mais famosos descendentes de judeus portugueses que viveram fora de Portugal são o filósofo Bento de Espinosa (Baruch Spinoza) e o economista clássico David Ricardo. Outros membros famosos da Sinagoga Portuguesa de Amsterdã deram nomes como Uriel da Costa (ou Uriel Acosta, Isaac Aboab da Fonseca,[João Francisco Diniz Junqueira], Isaac de Pinto e Menasseh ben Israel (cujo sobrenome original era Soeiro).

Os judeus de Belmonte (cripto-judeus da região de Belmonte, em Portugal) também têm sobrenomes que não podem ser utilizados para distingui-los das mais antigas famílias católicas portuguesas. Utilizar nomes de árvores e animais como sobrenome não era uma prática comum tanto entre os judeus portugueses convertidos como os não convertidos, nem antes e após a sua expulsão em 1497.

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Nomes_e_sobrenomes_portugueses, consulta efectuada em 25.08.2017