TERRAS DE PENAGOYÃ:

Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?
"

Por Monteiro de Queiroz, 2018

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O ministro idiota


"O ministro idiota.
O ministro do Exército, Sá Viana Rebelo foi o autor do cérebre Dec-Lei 353/73, que procurava fazer face à escassez de capitães do quadro permanente. Funcionou como detonador para a contestação, que levaria ao 25 de Abril de 1974.
Um idiota!
E o problema dos ministros atuais, é que não aprendem com a história.
Porque não a conhecem.
Este Carneiro queria ser primeiro-ministro, e perante um problema resultante de um ato totalmente estúpido, do qual ele nem sequer é responsável, mas sim o Costa e o Marcelo, resolveu agora instaurar processos disciplinares em massa, para combater a ilegítima insubordinação dos Polícias, originada por uma causa justa:
humilhação, vexame e discriminação. 
A culpa não é dele, é de quem o deixa ainda estar em funções. 
Volta Viana, estás perdoado.
Não és o único!"

Por Varela de Matos, Advogado

Via António Pereira / Facebook

Carta aberta de um OPC abandonado.

Carta aberta do António, um OPC abandonado em Portugal:

"O António ingressou na Guarda Nacional Republicana, pois desde cedo os seus olhos brilhavam cada vez que via um Guarda na rua, o António respeitava as Forças de Segurança e via-os como heróis.
O António ingressou na Guarda Nacional Republicana, o dia mais feliz da sua vida, pois iria finalmente servir o Povo.
O António assim que jurou dar a sua vida pela pátria ficou colocado a 300KM da sua casa.
O António percebeu que nas suas folgas só iria passear com os seus filhos uma vez por mês, pois as suas folgas são rotativas e só folga um fim de semana mensal.
O António esta semana irá trabalhar das 08-12H e 16-24H no mesmo dia, pois tem de fazer serviços gratificados para compensar o baixo ordenado, volta a entrar às 08-16H, seguido de mais um 08-16H no dia seguinte, descansando somente 8 horas e entra de novo às 00-08h, fazendo mais um gratificado das 09-13H. O António trabalhou 40 Horas em 4 dias.
O António durante o seu primeiro serviço viu um cadáver em decomposição há 1 mês, uma vítima de violência doméstica em estado grave e foi ainda ameaçado de morte por ter de autuar um condutor que ia a conduzir alcoolizado.
O António chega a casa e não pode simplesmente desabafar com a família, pois ninguém merece ver o que ele vê, ninguém merece sofrer o que ele sofre.
O António começou a temer pela sua família e filhos.
O António vê o seu sonho tornar-se um autêntico pesadelo.
O António percebe o motivo da taxa de suicídio na sua profissão ser o dobro da população em geral.
O António não viu os filhos crescerem pois demorou 6 anos a ir para perto da sua casa.
O António acabou por se divorciar, pois o seu casamento desmoronou com a sua ausência.
O António se não abdicasse do tempo com a sua família, no fim do mês levava para casa aproximadamente 1090 €.
O António vale 60€ para o Estado, que é o valor do seu suplemento de risco.
O António jurou morrer se necessário fosse para defender uma família que não a dele.
O António sente-se desvalorizado, desrespeitado, deprimente, sem mais vontade de continuar a servir o povo que jurou defender.
O António faz parte da percentagem de elementos das forças de segurança que pôs fim à sua vida.
O António é uma mera representação da realidade de todos os António’s das Forças de Segurança."

Do Facebook por Toni Santos
[2024.02.06]

GUARDA GNR POLÍCIA PSP


OS POLÍCIAS NÃO SÃO BONS

Eu sou polícia e como polícia digo: os polícias não são bons.

São pessoas que, não satisfeitas com os seus próprios problemas, se inteiram dos problemas dos outros, estejam ou não de serviço, estejam ou não fardados. Pior, inteiram-se de tal maneira destes problemas das pessoas que não se limitam a ter o simples conhecimento das coisas, tentando afincadamente resolver vidas, apesar de terem a fama de só quererem passar multas. Muitas esposas e maridos destes polícias às vezes chateiam-se: fartam-se que estejam sempre a atender chamadas em casa, deste e daquele que precisa de um conselho rápido, tiveram um acidente, um filho desapareceu de casa e temem o pior. Polícias intrometidos, nem a tomar conta dos filhos desligam os telemóveis para se dedicarem inteiramente à família. Insensíveis, parecem que gostam mais dos outros que dos seus, gente sem noção.

Estes polícias, nunca desligam, mesmo. Podem estar num belo passeio de carro com os filhos que têm sempre a curiosidade de olhar em volta só para se assegurar que está tudo em ordem, devem ter a mania. Já chegaram a deixar os filhos presos às cadeirinhas no banco de trás para deitarem a correr atrás de umas pessoas estranhas que em vez de estarem a sair pelas portas das casas, desciam pelos muros. Polícias do caraças, apanharam-nos e descobriu-se que eram ladrões, que sorte ir a polícia a passar. Que sorte que era um polícia casado com uma mulher polícia, sorte mesmo. Constou-se que os filhos ficaram a chorar, no meio daquela confusão toda, mas pronto, são crianças. E as crianças choram.

Polícias há também que fazem compras nos supermercados como as pessoas normais. Só que os polícias não têm o dom de passar despercebidos e usufruírem do estatuto de perfeitos desconhecidos. Mas a culpa é deles, escolheram um trabalho que os obriga a deter pessoas que não gostam de ser detidas apesar de terem cometido crimes graves, vão apreender armas ilegais que estão dentro de casas de pessoas de bem e que não mereciam ser incomodadas (‘pois só chegaram a ameaçar, não mataram ninguém’) e tantas, tantas outras coisas. Às vezes vão pelos corredores do supermercado e sentem os olhares ameaçadores dessas pessoas que, sendo de bem, parecem direcionar para estes polícias toda a sua raiva e ódio da justiça ter sido reposta. O polícia tenta não ver, nem comenta com a mulher e muito menos com os filhos mas o dia já está estragado. Culpa dele: não quis ser agente de autoridade? Então que lide com a autoridade e com os autoritários.

E polícia que é polícia não consegue voltar para a casa sossegado. Se ouve um alarme de um carro, aguarda por perto até que o condutor chegue. Cheira-lhe a haxixe e fica logo preocupado. Passa os olhos pelo grupo a ver se haverá ali miúdos que não se saibam defender quando a coisa descambar porque lhe vem à memória histórias de meninas que foram abandonadas por esses amigos, semi-nuas e completamente desorientadas, coitadas. Podia ser um filho, uma filha sua. Mania que os polícias têm de fazer associações entre tudo e coisa nenhuma, de se valer da experiência de longos anos de desgraças que viram acontecer e que não querem que aconteçam aos outros. Mania de desenterrar fantasmas, de coisas que os matam por dentro. Ainda se lembram que tinham 20 anos e que o seu primeiro serviço foi uma morte violenta, depois vieram enforcados, feridos graves e mortos em acidentes, abandonados em decomposição, vítimas de violência doméstica desfiguradas. Mas deve ser mentira e mania de vitimização: os polícias só passam multas.

Tem alturas que os polícias se armam em pessoas em condições. Vão às reuniões na escola dos filhos, levam-nos aos jogos de futebol, não faltam às reuniões de condomínio e até querem fazer parte de grupos que se divertem às quartas-feiras ou sextas num hobbie qualquer: se falam, têm a mania que são polícias; se não falam, deviam falar, são pais; se dizem nas bancadas para terem calma pois insultar os treinadores é coisa feia, que se calem que ali não são polícias, são como os outros; e se nada fazem para impedir aquela lamentável exibição de violência à frente dos miúdos, alguns presentes são da opinião que, como são polícias, deviam dizer ali alguma coisa; entre os vizinhos, têm que ser os últimos a falar senão influenciam os outros; e essa ideia de querer fazer parte de um grupinho divertido, esquece, não tarda os colegas descobrem que é polícia, um amigo de um amigo de um grande amigo contou-lhe isto e aquilo e os polícias não estiveram nada bem e a partir dali o polícia já sabe: veio para esquecer o serviço mas tornou-se o tema das piadas. Abandona, arranca e não faças pó, ó, ó… polícia.

Não são bons, não. São estranhos, não têm nojo. Ainda me lembro que no tempo do Covid-19 iam na mesma ajudar as pessoas. Sempre naquela certeza que a vida dos outros se sobreponha àquelas circunstâncias e nunca deixaram de trabalhar quando quase todos se resguardaram nas suas casas com as suas famílias. Alguns polícias ainda se lembram bem como lhes custou deixar os próprios filhos num sítio que abriu para lá se depositar os filhos dos «profissionais de funções essenciais». Paciência. Mania que são essenciais, temos pena. De certeza que os filhos dos polícias até se divertiram mais, já estão habituados a ser deixados à pressa na casa de um familiar porque o papá ou mamã polícia foram chamados para o trabalho. Aliás, impossível: ninguém é obrigado a estar sempre disponível para o serviço. E era…
E também não têm nojo de parar o carro para arrumar o cadáver de um cão ou de um gato, se lhes perguntarem porquê de certo respondem que é para não haver um acidente mais grave mas sejamos sinceros: foi por isso mas também por pena, coitado do bicho ali a ser despedaçado por carro atrás de carro e se chega o pequenito que o adorava e o vê naquele estado? Coitadinho do menino. Ainda bem que o polícia não tem nojo destas coisas.

Mas não são bons, decididamente: nenhuma pessoa no seu perfeito juízo conseguia suportar tantos sacrifícios com tão boa cara. Não são bons. Ninguém conseguia carregar uma cruz num dia e, no outro a seguir, regressar ao trabalho com vontade de ser mais e melhor, durante 10, 20, 30 anos...até ao fim. 
Não me admirava que se um dia finalmente fizessem um pedido de ajuda - por justiça - se juntariam aos milhares, como irmãos. Mas seria realmente admirável: milhares de polícias e nem um único caso menos digno a relatar. Daqueles polícias de alma e coração. Aos milhares. E logo os polícias, que nem têm coração...

E é por isso que vos digo: os polícias não são bons. SÃO MAIS QUE BONS.

(Obrigada companheiros)

Via Helena Ribeiro (Autora?) aqui
[2024.02.07]

Petição quer impedir que seja dado o nome de Mário Soares ao aeroporto do Montijo

Petição quer impedir que seja dado o nome de Mário Soares ao aeroporto do Montijo

Marcelo Rebelo de Sousa tinha sugerido o nome de Soares para o novo aeroporto.

Uma petição quer que o novo aeroporto do Montijo tenha outro nome que não Mário Soares.
O texto da petição quer que seja definido um novo nome “devendo ficar completamente colocada de parte o nome de Mário Soares”.
Nem para o aeroporto nem para “qualquer outra obra de grande envergadura”, diz a petição.
Haja respeito por mais de 1 milhão de portugueses que foram mais que prejudicados por esse fulano”, conclui a petição.
A petição já conta com mais de 2.700 assinantes.
Recorde-se que foi Marcelo Rebelo de Sousa a sugerir o nome do antigo Presidente da República para o novo aeroporto do Montijo.

in https://sol.sapo.pt/artigo/549402/peticao-quer-impedir-que-seja-dado-o-nome-de-mario-soares-ao-aeroporto-do-montijo

o mito, persistente, persuasivo e irrealista...

"O GRANDE INIMIGO DA VERDADE É MUITAS VEZES NÃO A MENTIRA - DELIBERADA, ORGANIZADA E DESONESTA - MAS SIM O MITO, PERSISTENTE, PERSUASIVO E IRREALISTA. ACREDITAR EM MITOS PERMITE O CONFORTO DE TER OPINIÃO SEM O DESCONFORTO DE TER QUE PENSAR." in Jonh F. Kennedy

2017, Monteiro deQueiroz
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"Com o passar do tempo, a História encarrega-se de acomodar os acontecimentos no seu merecido lugar atribuindo-lhes a importância que realmente têm e não a que os homens seus contemporâneos lhes outorgaram há data dos mesmos." in Monteiro deQueiroz

10 de Janeiro de 2011
Vila Nova de Gaia
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“SE NECESSÁRIO O EXÉRCITO ATIRARÁ SOBRE OS COLONOS BRANCOS”

“SE NECESSÁRIO O EXÉRCITO ATIRARÁ SOBRE OS COLONOS BRANCOS”

Entrevista a Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros

O Ministro dos Negócios Estrangeiros português Mário Soares sobre a descolonização em África

SP – Sr. Ministro, o Governo Provisório está em vias de conceder a independência às colónias da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Há portugueses que se interrogam se este Governo de Transição, que não foi eleito pelo povo, mas empossado por um golpe militar, tem legitimidade para tomar uma decisão tão histórica.

MS – Isso nos perguntámos logo a seguir à revolução de 25 de Abril. Ponderamos se a descolonização se deveria fazer apenas após eleições regulares. Mas verificou-se que o problema era candente, que dificuldades e demoras surgiam no processo. E assim convencemo-nos que precisávamos de nos apressar.

SP – Há portugueses que julgam que o Sr. se tenha apressado demais – como em tempos os belgas ao se retirarem do Congo.

MS – Estamos há 3 meses no governo, e entretanto fizemos contactos e progressos, mas não creio que tenhamos sido demasiado apressados. Pelo contrário. A situação em Angola, que nos últimos tempos se tornou explosiva, prova que talvez não tivéssemos andado suficientemente depressa.

SP – Sobre as condições de independência o Sr. negoceia exclusivamente com os movimentos de libertação africanos. Na sua opinião eles são os únicos legítimos representantes das populações nas colónias?

MS – Bem, se quisermos fazer a paz – e nós queremos sem demora a paz – temos que falar com os que nos combatem. Isto não implica uma avaliação política ou ética dos movimentos de libertação, mas resulta da apreciação pragmática de determinada situação. E quem nos combate na Guiné? O PAIGC. Assim temos de falar com o PAIGC. Quem nos combate em Moçambique? A Frelimo. Assim temos de falar com a Frelimo.

SP – E com quem pode o Sr. negociar em Angola onde existem vários movimentos rivais?

MS – Em Angola há dois movimentos de libertação reconhecidos pela OUA – o MPLA e a FNLA. Assim temos de negociar com ambos. Para avaliar qual dos dois é o mais representativo do povo é um problema que os Angolanos e as coligações que no futuro formarão governo terão de resolver mais tarde.

SP – Acredita que esses movimentos e em particular os ainda discutíveis têm suficiente autoridade de impor a solução que vai ser negociada.

MS – Esperamos que sim. Mas o processo de descolonização em Portugal, no formato, não deverá decorrer de modo muito deferente do da Inglaterra e França.

SP – Na Argélia havia um movimento de libertação muito forte, como no Kénia e sem dúvida também na Guiné-Bissau e Moçambique. Mas e em Angola?

MS – Sim, na verdade em Angola a situação é difícil devido às divisões dentro dos movimentos. E nós não podemos alterar aí quase nada. Estamos prontos a falar com cada uma das facções e, dentro das nossas possibilidades, procurar que se unam. Mas não temos muitas ilusões, as nossas possibilidades de intervir aqui são muito limitadas.

SP – Se o processo de descolonização português correr como o inglês ou o francês, na sua opinião qual será a tendência a seguir - como no Kénia que seguiu a via capitalista, ou como a Zâmbia que tenta uma espécie de socialismo africano?

MS – Eu julgo que é sempre perigosa a transposição de modelos estranhos. Mas, de momento, parece-me que a evolução em Moçambique será semelhante à da Zâmbia. Noutras regiões poderá haver outras soluções. Quando falei da semelhança do nosso processo de descolonização com o inglês ou o francês, pensei mais nas linhas gerais – que nós, como potência colonial, como os ingleses e os franceses, devíamos negociar com os movimentos fortes a operar nas colónias.

SP – E o que virá depois das negociações?

MS – Parece-nos importante que as populações sejam consultadas e que, depois do domínio português, não lhes seja imposto outro domínio que poderá não ter a maioria. Gostaríamos que a liberdade da população fosse garantida e assegurada. Mas temos nós, como antiga potência colonial, autoridade bastante para discutir isso? A nós parece-nos isso muito problemático. Por outro lado, o PAIGC e a Frelimo são movimentos de libertação que em anos de luta renhida pela independência ganharam indiscutível autoridade. Eles têm chefes muito qualificados e conscientes das responsabilidades. Com quem mais, a não ser com eles, deveremos negociar?

SP – Sente-se o novo governo português também responsável por aqueles milhares de africanos que, por motivos diversos, colaboraram com o anterior regime?

MS – Certamente que nos sentimos responsáveis por essa parte da população e sobre o seu destino já se falou por diversas vezes nas conversações. No caso concreto da Guiné, onde o processo está mais avançado, tencionamos, por exemplo, repatriar para Portugal os ex-combatentes africanos que o queiram por não se conseguirem integrar na nova República independente.

SP – Quantas pessoas são essas?

MS – Sabemos de cerca de 30 antigos comandos que aos olhos do PAIGC representam um certo perigo. Para estas pessoas temos de encontrar uma solução qualquer – talvez integrá-los nas forças armadas portuguesas ou coisa semelhante.

SP – Acredita que do lado dos movimentos de libertação exista a boa vontade de não exercer represálias contra os colaboradores africanos do antigo regime?

MS – Sim, isso foi-me espontaneamente assegurado, mesmo antes de nós termos levantado o problema. Também nos deram certas garantias, os movimentos de libertação não são racistas. Eles estão conscientes dos imensos problemas que terão de enfrentar e não querem comprometer já a sua vida política com crueldades e actos de vingança.

SP – No entanto, a “Voz da Frelimo” emissora do movimento para Moçambique tem, nas passadas semanas, por diversas vezes apelado aos soldados pretos para desertarem das tropas portuguesas, sob pena de ajuste de contas após a independência.

MS – Uma guerra, infelizmente não é um jogo de cavalheiros nem um concurso hípico com regras éticas fixas. Tais excessos verbais e ameaças são lamentáveis, mas também muito naturais. Na verdade, não sei se essas ameaças foram feitas, mas considero-as possíveis. Mas até agora tivemos na Guiné e em Moçambique – em Angola ainda não – uma impressionante onda de confraternização e tudo tem corrido muito melhor do que seria de esperar depois de 13 anos de guerra.

SP – Muitos brancos nas colónias portuguesas sentem-se traídos por Lisboa. Com razão?

MS – Se acreditou nos slogans do antigo regime – que Angola é nossa e sê-lo-á para sempre, e que não são colónias mas simplesmente províncias ultramarinas – então terá razão em sentir-se traído. Mas, na realidade, a traição é do regime de Salazar e Caetano que quiseram fazer esta gente acreditar que seria possível oferecer resistência ao mundo inteiro e à justiça.

SP – Qual será o futuro destes brancos desiludidos, se, apesar de tudo, quiserem permanecer em África?

MS – Se forem leais para com os novos Estados independentes na cooperação e respeitarem as suas leis, não têm nada a temer. Na Guiné, por exemplo, o próprio movimento de libertação exortou-nos a deixar os nossos técnicos, médicos, engenheiros e agrónomos, porque precisavam deles. É cómico: a extrema esquerda portuguesa exigia a nossa saída imediata, total e sem condições, mas os próprios movimentos de libertação não exigiram nada disso.

SP – O que será dos brancos que não querem ficar em África? Em Moçambique já se iniciou entre os brancos um grande movimento de fuga.

MS – É verdade. Mas estou certo que dois anos após a independência e quando as instituições do País funcionarem razoavelmente, haverá mais portugueses, em Moçambique, que hoje. Isto é, aliás, um fenómeno geral. O Presidente Kaunda da Zâmbia disse-me, quando estive em Lusaka: “ Saiba que temos aqui na Zâmbia o dobro dos ingleses que tínhamos antes da independência”.

SP – E o Sr. acredita que isso também acontecerá em Moçambique?

MS – Sim. Primeiro virão muitos para Portugal, porque têm medo, mas depois regressarão.

SP – E em Angola?

MS – Ali ainda não há muitos que abandonaram o País. Ali generaliza-se entre os brancos uma atitude perigosa. Precisamos de convencer os brancos, no seu próprio interesse, que fiquem, mas já não como patrões, como até agora.

SP – Apesar disso Portugal tem de contar com o regresso de muitos. Como irão resolver o caso?

MS – Isto é para nós um problema económico muito sério, pois não é apenas o regresso dos colonos brancos mas também os soldados – cerca de 150.000 a 200.000 homens que regressam duma assentada. Acrescem ainda os imigrantes que querem regressar desde que Portugal é livre. O assunto está a ser estudado pelo Ministério da Economia e Finanças. Temos de criar novos postos de trabalho, mas isso significa igualmente a reestruturação da totalidade da economia portuguesa, que vai precisar de se adaptar às sociedades industriais modernas.

SP – Não existem portanto planos concretos para absorver os retornados?

MS – Há investigações adiantadas.

SP – Entre os brancos que não querem regressar a Portugal, tenta-se criar um exército de mercenários para se opor aos movimentos de libertação. Em Angola, nos últimos tempos, radicais brancos de direita provocaram confrontos raciais sangrentos. Pode Lisboa impedir que tais brancos, especialmente em Angola, tomem o poder?

MS – Eu penso que sim.

SP – Como?

MS – O exército em Moçambique e em Angola é completamente leal para com os que fizeram a Revolução de 25 de Abril. E o exército não permitirá que mercenários brancos ou grupos semelhantes se levantem contra o exército. Tentativas haverá. Em Moçambique já as houve.

SP – E em Angola onde vivem mais do dobro dos brancos e um terço menos de pretos que em Moçambique?

MS – Em Angola haverá certamente uma série de situações mais ou menos desesperadas e tensões perigosas entre as raças. Apesar disso, julgo que por ora o exército pode e fará manter a ordem – a ordem democrática.

SP – Portanto, se necessário, o exército português fará fogo sobre portugueses brancos?

MS – Ele não hesitará e não pode hesitar. O exército já mostrou que tem mão forte e quer manter a ordem a todo o custo.

SP – Apesar do exército, não se pode excluir a hipótese de os brancos se declararem independentes, como na Rodésia. Pelo menos Angola podia tentar mesmo economicamente uma tal solução.

MS – De princípio, nos primeiros momentos da Revolução tive muito receio que tal pudesse acontecer. Mas quanto mais o tempo passa, mais difícil se tornará uma tal tentativa.

SP – Suponhamos, no entanto, que tal venha a acontecer – reagiria Lisboa como Londres, na altura, tentando impor um bloqueio económico?

MS – Não creio que em Angola exista uma solução rodesiana, mas se tal acontecesse combatê-la-íamos com todas as nossas forças, pois uma tal solução seria para África e para o Mundo uma aventura inaceitável.

SP – Também se pensou isso no caso da Rodésia e, no entanto, não se pôde evitar.

MS – Para nós tal solução é improvável a não ser que tivéssemos um golpe de direita aqui em Portugal. Nós – este governo democrático – não permitirá que tal solução rodesiana aconteça em Angola ou Moçambique. Eu repito! Nós combatê-la-emos com todos os meios ao nosso dispor.

SP - Porquê?

MS – Porque isso poria em causa todo o nosso processo de descolonização, a nossa credibilidade, e a nossa boa vontade. E porque com uma tal solução até o regresso do fascismo poderia ser encaminhado em Portugal.

SP – Do ponto de vista económico a perda da Guiné e de Moçambique são um alívio para Portugal. Angola, no entanto, com os seus diamantes, petróleo, café trouxe para Portugal as tão necessárias divisas. Pode Portugal dar-se ao luxo de perder essa fonte de divisas?

MS – Todas estas receitas não compensavam os custos de guerra. Nós gastávamos cerca de 2 biliões de marcos por ano com a guerra. O que pouparmos com o fim da guerra compensa plenamente a perda dessas divisas, que de qualquer modo, acabavam na maior parte nos bolsos dos americanos, alemães e ingleses.

SP – Lisboa irá ajudar no futuro as suas antigas colónias? Concretamente: -Se Moçambique independente resolvesse impedir o trânsito de mercadorias da Rodésia para Lourenço Marques ou Beira para exercer pressão política sobre o regime branco de Salisbury, estaria Portugal disposto a compensar Moçambique pela perda de divisas que tal operação acarretaria?

MS – Os nossos meios são escassos, temos de ter em atenção a nossa muito tensa situação económica. Mas, dentro das nossas possibilidades, ajudaríamos, numa tal situação.

SP – No seu livro “Portugal e o Futuro”, o general Spínola propunha uma espécie de comunidade portuguesa como forma de cooperação futura entre Lisboa e África. Os movimentos de libertação não deram qualquer importância à ideia. Como serão as futuras relações entre Lisboa e África?

MS – O discurso pragmático proferido pelo general Spínola em 27 de Julho sobre o futuro das colónias está muito distante da concepção do seu livro. Se, algum dia, uma espécie de comunidade dos países lusófonos se verificar, só na condição de todos os países serem realmente independentes. E seriam então os países africanos a dizer até que ponto tal associação poderia ir.

SP – Sr. Ministro, muito obrigado pela entrevista.

DER SPIEGEL Nº 34/1974

in http://www.espoliadosultramar.com/ip0.html

As minhas medalhas


Minhas medalhas...
                                      são de cortiça!

Meus louvores...
                                      são escritos em folhas de outono
                                      caídas em desgraça...

10.jan.2017

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morreu mário soares

foto in net

"morreu mário soares às 15:28 de sábado, 7.1.2017, no hospital da cruz vermelha, lx, onde estava internado desde o dia 13.12.2016"

mário soares
(Lisboa, 7 de dezembro de 1924 – Lisboa, 7 de janeiro de 2017)

2017, Monteiro deQueiroz
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e deixem-se de tretas...

imagem da net

caros amigos...

por favor!… 
peço-vos encarecidamente que me respeitem…
que me deixem espaço suficiente para me sentir seguro…
que não invadam o meu reino…
nem ousem tentar adivinhar a minha vida!

muito menos tentar entrar dentre dela sem que eu o consinta...

por favor!…
não me persigam constantemente…
não tentem de maneira nenhuma impor-se na minha vida…
muito menos pensarem que sou vossa propriedade…
ou que vos devo atenção permanente e doentia!

muito menos interpretar a minha simpatia para além disso…
e consoante o interesse de cada um de vocês!

o meu sorriso e a minha simpatia valem apenas isso e só isso!
por favor!… 

deixem-me ter o meu próprio espaço! e respeitem-me...

Grito de Socorro, por ORN 2010

ORLANDO RUS NUZA
20 DE NOVEMBRO DE 2010

OS DIREITOS À INDIGNAÇÃO E DE RESISTÊNCIA

O que muito boa gente com responsabilidade e poder neste país desconhece

Num passado ainda recente, uma figura ilustre deste país introduziu no universo da nossa cidadania colectiva o Direito à Indignação.

A nossa Lei fundamental estabelece no seu art.º 21.º o Direito de Resistência, onde «todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.»

Outra figura ilustre, nossa contemporânea, incentivou-nos recentemente a um "sobressalto cívico" que nos “faça despertar”.

Muito boa gente, com responsabilidade e poder neste país, possui habitualmente posturas reveladoras de um constante “abuso de poder” que me fazem pensar correntemente nos meus direitos à Indignação e de Resistência.

Os direitos à Indignação e de Resistência são direitos invioláveis de cada cidadão, o qual, numa postura de cidadania e de não aceitação de qualquer “abuso de poder”, poderá fazer uso.

E não se admirem, os que “abusam do poder”, se alguém passar a fazer uso dos mesmos.

Arcozelo, 13 de Maio de 2011
Eduardo José Monteiro de Queiroz

Ver ainda http://www.facebook.com/media/set/?set=a.1823958005768.2095017.1444786860

INDIGNAÇÃO

in.dig.na.ção, português, substantivo feminino
- sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma acção vergonhosa, uma injustiça frisante, etc
* numa democracia, o direito à indignação é sagrado

in http://pt.wiktionary.org/wiki/indigna%C3%A7%C3%A3o

RESISTÊNCIA

O Direito de resistência é o direito que qualquer pessoa tem de resistir ou insurgir contra qualquer factor que ameace sua sobrevivência ou que represente uma violência a valores éticos ou morais humanistas. O direito de resistência sempre esteve presente na história da humanidade, uma vez que surge como forma de defesa natural contra qualquer forma de opressão ao indivíduo ou a uma colectividade de pessoas.

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_de_resist%C3%AAncia

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OS DIREITOS À INDIGNAÇÃO E DE RESISTÊNCIA

O que muito boa gente com responsabilidade e poder neste país desconhece

Num passado ainda recente, uma figura ilustre deste país introduziu no universo da nossa cidadania colectiva o Direito à Indignação.

A nossa Lei fundamental estabelece no seu art.º 21.º o Direito de Resistência, onde «todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.»

Outra figura ilustre, nossa contemporânea, incentivou-nos recentemente a um "sobressalto cívico" que nos “faça despertar”.

Muito boa gente, com responsabilidade e poder neste país, possui habitualmente posturas reveladoras de um constante “abuso de poder” que me fazem pensar correntemente nos meus direitos à Indignação e de Resistência.

Os direitos à Indignação e de Resistência são direitos invioláveis de cada cidadão, o qual, numa postura de cidadania e de não aceitação de qualquer “abuso de poder”, poderá fazer uso.

E não se admirem, os que “abusam do poder”, se alguém passar a fazer uso dos mesmos.

Arcozelo, 13 de Maio de 2011
Eduardo José Monteiro de Queiroz

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INDIGNAÇÃO

in.dig.na.ção, português, substantivo feminino

- sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma acção vergonhosa, uma injustiça frisante, etc
* numa democracia, o direito à indignação é sagrado

in http://pt.wiktionary.org/wiki/indigna%C3%A7%C3%A3o

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RESISTÊNCIA

O Direito de resistência é o direito que qualquer pessoa tem de resistir ou insurgir contra qualquer factor que ameace sua sobrevivência ou que represente uma violência a valores éticos ou morais humanistas. O direito de resistência sempre esteve presente na história da humanidade, uma vez que surge como forma de defesa natural contra qualquer forma de opressão ao indivíduo ou a uma colectividade de pessoas.

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_de_resist%C3%AAncia

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DIREITO DE RESISTÊNCIA, ABUSO DE PODER, IGNORÂNCIA SOBRE DIREITOS CONSTITUCIONAIS.

O Código Civil (artigo 6º) fixa um princípio geral de Direito: “a ignorância ou má interpretação da Lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas”.

A recente ferocidade inspectiva (ASAE, DGV, Finanças, etc) tem levado à instalação de um Estado de terror sobre as pessoas, tendo tais entidades (“Autoridades” como gostam de ser chamadas) procurado abrigo naquele princípio jurídico, fazendo dele uso abusivo e inaceitável.

E se os cidadãos exigissem ferozmente igual cumprimento da Lei aos agentes inspectivos, vulgo, autoridades?

Os governantes têm afirmado que os cidadãos estão “confiantes”. Inqualificável: confundem confiança com medo. Maquiavel fazia – com a diferença de ser inteligente – o mesmo…

Quero aqui lembrar, para exigir na medida em que se recebe, duas ferramentas jurídicas: o direito (constitucional) de resistência e o crime de abuso de poder.

O primeiro resulta do art.º 21 da Constituição: “todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias, e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública”. Curioso é quando a ordem provem precisamente de autoridade pública, o que não anula – antes reforça – o direito de resistência.

Os direitos, liberdades e garantias, constitucionalmente previstos, são imediatamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas (art.º 18º CRP).

Não raras vezes os agentes de entidades públicas actuam com manifesto abuso. Não há desculpas: a Lei, como o Sol, é para todos (convém também lembrar o art.º 22 CRP: Responsabilidade do Estado e Entidades Públicas).

Dispõe, por outro lado, o Art.º 382 (Abuso de poder) do Código Penal “O funcionário que, fora dos casos previstos nos artigos anteriores, abusar de poderes ou violar deveres inerentes às suas funções, com intenção de obter, para si ou para terceiro, benefício ilegítimo ou causar prejuízo a outra pessoa, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal”.

Ora, a intenção de causar prejuízo é pouco discutível… a questão do “abuso de poderes” ou “violação de deveres inerentes às suas funções” parece ser também comum.

Então: por que não resistir e, sendo caso, apresentar SEMPRE queixa-crime contra estes agentes de “autoridade” quando abusam da mesma?

* Advogado

Pedro Hilário *
00:06 quarta-feira, 30 janeiro 2008

in http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=80701

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