TERRAS DE PENAGOYÃ:

Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?
"

Por Monteiro de Queiroz, 2018

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Quem foi o Lapadas?

Tenho uma muito ténue ideia de ter ouvido há já imenso tempo, no meu seio familiar, que 'O Lapadas’ tinha sido um nobre e valoroso guerreiro penaguiota que, em tempos já esquecidos, tinha corrido os invasores destas Terras de (Santa Marta de) Penaguião 'à lapada'. E que dessa forma conseguiu com que o povo ficasse livre dessa gente estrangeira e opressora. Daí ter ficado para a história lendária como 'O Lapadas'!

Será que sonhei com esta lenda (versão) que vos acabo de contar?

Será que esta versão terá a ver, muito longinquamente, com a Lenda de Dom Thedom e Dom Rausendo?

Questionei e pesquisei na rede sobre o assunto e pouca informação consegui obter para além das versões dos meus amigos Alfredo Guedes e Norberto Teixeira, às quais junto contributos dos também amigos António Pereira e Eugénia Gouveia e do blogue 'Portugal tem piada!'

Versões obtidas.

1ª _______________

O LAPADAS

(Soneto para um mítico herói de Santa Marta de Penaguião)

Senhor de enorme força, talento às carradas...
As certeiras grossas lapas tinhas por fuzil.
E, por isso, te chamaram o Lapadas,
Luso-herói afrontador da corja vil!

Lá do alto dos penhascos do Marão,
Sobranceiros às terras de Santa Marta,
Distribuías, com vigor, lapada à farta...
Aos estrangeiros saqueadores do nosso pão!

Sentinela do nosso torrão, intrépido cuidador,
Ao indesejado intruso mostraste teu vigor...
Guerreiro atento, soberano guardião!

Os vindouros não olvidaram tua coragem...
E te ergueram pétrea-estátua, em homenagem,
No ilustre palacete da Câmara de Penaguião!

Entroncamento/Tomar - 1 de Junho de 2017

Autor: Alfredo Martins Guedes

Publicado por ‎Alfredo Guedes em ‘Freguesia de Lobrigos, São Miguel e São João Baptista, e Sanhoane’ - https://www.facebook.com/freguesialobrigosesanhoane/
26 de dezembro de 2017

Publicado em https://www.facebook.com/alfredo.guedes.75 
24 de abril de 2019

2ª _______________

O LAPADAS...
segundo Norberto Teixeira

«A origem de...
'O Lapadas'

Pela sua relação direta com os penaguienses e salvo melhor opinião…

Reza a lenda que numa noite de luar de se enxergar a altas horas da noite e abertura de pipos de vinho novo no armazém de cada um, a rapaziada passeava-se na estrada de macadame em frente à quinta dos 'rolas' em Santa Marta, freguesia de São Miguel de Lobrigos…

Ávidos das habituais 'maroteiras' e movidos pela aposta do acerto na pontaria dirigida à espada de São Miguel Arcanjo (estatueta no frontal do telhado do palacete, agora edifício sede do município) e à 'lapada' (pedras ladeiras do tamanho de uma mão) alguma dessas almas da freguesia, deferiu em rude acerto com estrondo e precisão, golpe irremediável na dita espada, desfazendo-a em pedaços bem mais minguados que todas as lapadas que ficaram pelo esventrado telhado. Ficou assim o arcanjo em vez de, com uma espada empunhada, uma 'lapada' na sua mão.

No raiar do dia vindo, o espanto e o falatório não continha em cada frase outra entoação que não fosse a palavra 'lapada' ou o arcanjo de lapada na mão.»

Norberto Teixeira
20 de junho de 2019
https://www.facebook.com/norberto.teixeira/posts/2923441954349180

«Nós conversamos na juventude sobre isso, esta história foi-me contada há 40 anos pelo Ni Rola, como sabes é um descendente da família proprietária da casa depois vendida à Câmara, história essa que era contada pelo avô dele.»

por Norberto Teixeira
@norberto.teixeira

3ª _______________

«O Guerreiro Lapadas com a sua pedra na mão!!! Segundo a história "ganhou" uma batalha à pedrada.
Ouvi essa história muitas vezes amigo! Trabalhei em frente a essa estátua durante 9 anos... Via-a todos os dias, e era essa a história que contavam!» 

por Antonio Pereira
@antonio.pereira.92754 

4ª _______________

«Não sei a lenda só sei que eu tinha medo que me atirasse a pedra e corria a sete pés.
Era eu pequenina, ia com a minha irmã levar o almoço ao meu pai que trabalhava na adega, ia de Lobrigos a Santa Marta a pé, tinha sempre medo do Lapadas já lá vão uns quarenta e tais.»

por Eugénia Gouveia 
@eugenia.gouveia.509 

5ª _______________

«O que você precisa é de umas boas lapadas!
Não me diga que nunca tinha ouvido falar deste guerreiro (e vinho) de Santa Marta de Penaguião...!» 

in blogue “Portugal tem piada!”, 22.jan.2013
http://portugaltempiada.blogspot.com/2013/01/o-que-voce-precisa-e-de-umas-boas.html

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Em relação à palavra 'lapa' há quem atribua a sua origem ao celta “lappa” que remete a “pedra” ou “rochedo”. Se 'lapa' = 'pedra', também 'lapada' = 'pedrada'. Tenho também a ideia de que 'lapada' seja sinónimo de 'bofetada', talvez por confusão com 'latada'.

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Créditos:
Foto - (c) 2011 ADzivo 
Imagem - São Miguel Arcanjo, pintura de Juan de Espinal

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Monteiro deQueiroz
TEXTOS, ESTUDOS, RECOLHAS e CONTRIBUTOS...
Colectânea de Textos e Outros...
"SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?"
https://docsdequeiroz.blogspot.com



Lenda de Penaguião

Santa Marta de Penaguião

APL 934

«Santa Marta de Penaguião, hoje Concelho do Distrito de Vila Real, foi, segundo diz a lenda, invadida e dominada pelos sarracenos, os quais, para consolidarem a sua permanência, construíram um castelo, lá no alto da encosta, agora coberta de cepas e de oliveiras, mas, nessa altura, cheia de espessos matagais.

Dali, podiam facilmente defender-se de possíveis tentativas para os desalojar e, ao mesmo tempo, vigiar os habitantes das aldeias em redor.

A posição quase inacessível do castelo e a força poderosa dos seus ocupantes mantinham os autóctones em forçada submissão e tiravam-lhe a veleidade de esboçar qualquer gesto de revolta.

Além disso, faltava-lhes um chefe capaz de aproveitar o seu descontentamento e de aglutinar as energias dispersas, para conseguir pôr fim ao domínio odioso dos invasores.

Por isso, os suportavam, embora interiormente revoltados, esperando pacientemente o dia em que ele surgisse e desse corpo ao seu sonho de, liberdade.

E esse dia chegou com o aparecimento de dois intrépidos fidalgos, irmãos no sangue e no valor, que ali se fixaram, vindos não se sabe donde, e se mostraram decididos a chefiar a revolta contra os indesejáveis filhos de Maomé.

Eram eles D. Telo e D. Rausendo, homens de antes quebrar que torcer, que punham o amor à terra acima do amor à vida e o pundonor acima do egoísmo.

Inconformados com aquela situação desonrosa, depois de auscultarem a vontade popular, conceberam um plano astucioso, para o assalto ao castelo.

Escolheram os mais audazes, distribuíram-lhes armas, deram-lhes as instruções necessárias e marcaram o dia do combate.

Quando esse dia chegou, juntaram-se na capela onde estava a imagem de Santa Marta de quem eram muito devotos. Aí, suplicaram-lhe protecção para aquela empresa santa, mas arriscada, e comprometeram-se a dar o seu nome àquela região se os ajudasse a alcançar a vitória contra os infiéis.

Depois, fizeram as últimas recomendações e, ao anoitecer, começaram a caminhar em direcção ao castelo, em rigoroso silêncio, protegidos pela escuridão.

Chegados ao alto, esperaram que as sentinelas adormecessem e, quando sentinelas e soldados descansavam tranquilamente nos braços de Morfeu, D. Telo e D. Rausendo destacaram-se do grupo e avançaram para a fortaleza.

D. Telo atirou uma corda às ameias junto das portas, enquanto D. Rausendo lançava outra às ameias junto da torre de menagem. Depois de escalarem a muralha, o primeiro desceu pela corda para o interior e abriu as portas de par em par, ao mesmo tempo que o segundo subia à torre onde içou o guião que levava consigo.

Depois, quebrou o silêncio da noite, gritando com toda a força: Pena! Guião!

Era a senha pré-estabelecida que queria dizer: bandeira no castelo.

A estas palavras, os companheiros, que estavam próximos, irromperam como um furacão pelas portas escancaradas e esmagaram rapidamente os sarracenos que não tiveram tempo de esboçar qualquer resistência.

Era o fim da tirania dos muçulmanos e o princípio da liberdade dos cristãos.

Então, para cumprirem a promessa feita à sua Padroeira, deram, por aclamação unânime, às terras de toda aquela região o nome de terras de Santa Marta e acrescentaram-lhe as palavras da senha: Pena Guião.

E foi assim que nasceu o nome completo, que ainda permanece: Santa Marta de Penaguião.»

Fonte Biblio: FERREIRA, Joaquim Alves Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999, p.131-132

Ano: 1999

Place of collection: Louredo, SANTA MARTA DE PENAGUIÃO, VILA REAL

www.lendarium.org/narrative/santa-marta-de-penaguiao/?tag=576, [Consultado em 12mar2018]

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Lenda de Santa Marta de Penaguião

APL 3688

«Diziam os mais antigos que as origens de Santa Marta de Penaguião estão ligadas aos irmãos D. Rausendo e D. Tedo, dois heróis muito famosos nas terras do Douro, onde combateram os mouros expulsando-os da região.

Conta a lenda que os mouros, quando invadiram estas terras, construíram uma fortaleza num morro próximo da vila, onde já só há ruínas. Aí dificilmente alguém se atreveria a combatê-los. Só com muita coragem.

E coragem era o que não faltava a D. Rausendo e D. Tedo. Por isso, o povo, cansado do domínio dos mouros e dos seus tributos, um dia pediu-lhes ajuda. E os dois irmãos não hesitaram em responder ao apelo.

Em segredo, juntaram numa noite de lua cheia os mais audazes da povoação, e colocaram-nos num local estratégico a meio da encosta. E os dois irmãos, com uma bandeira nas mãos, disseram:

- Esta bandeira será o vosso guião! Quando a virdes colocada na penha, avançai que a entrada estará livre. E Santa Marta, vossa padroeira, há-de acompanhar-nos!

Os dois escalaram então o castelo, e surpreenderam os mouros que estavam de sentinela, matando-os sem que tivessem podido dar o alarme. E de seguida, enquanto um dos irmãos abriu as portas do castelo, o outro foi ao alto da penha e colocou a bandeira bem à vista.

Nisto, no esconderijo da ladeira, um dos moradores logo deu o alerta aos companheiros:

- Vejam! Na penha... o guião!

Foi o bastante para que todos irrompessem pela encosta, entrando no castelo, onde, pela surpresa e com o auxílio de D. Rausendo e D. Tedo, venceram os mouros, expulsando os que escaparam com vida.

E àquele grito de alerta - “na penha... o guião! - se deve o nome que, primeiro, foi “Penha-guião” e, depois, se simplificou em Penaguião. E porque a bandeira os guiou e Santa Marta os acompanhou, depressa a vila ficou com o nome de Santa Marta de Penaguião.»

Fonte Biblio: PARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.320-321

Ano: 2002

Place of collection: Lobrigos (São João Baptista), SANTA MARTA DE PENAGUIÃO, VILA REAL

www.lendarium.org/narrative/lenda-de-santa-marta-de-penaguiao/?tag=576, [Consultado em 12mar2018]

Medrões

MEDRÕES UMA FREGUESIA DO DOURO

Em harmonioso convívio entre a serra do Marão e as vinhas do Vale do Douro fica Medrões, uma aldeia de Trás-os-Montes e Alto Douro inserida na primeira região Demarcada do mundo, o Douro. Esta freguesia faz parte do concelho de Santa Marta de Penaguião, da qual dista cerca de 4 quilómetros. 

Medrões possui uma população com cerca de 650 habitantes repartidos por 347 alojamentos onde o número de residentes femininos é superior ao de residentes masculinos. 

O nome Medrões vem do facto de, antigamente, nesta zona, existirem muitos medronhos, então, as pessoas diziam “vamos aos medronhos” com o desenvolver da língua Portuguesa ficou Medrões.

Meios de Subsistência

A população medroense, principalmente a mais idosa, tem como principal meio de subsistência a cultura da vinha, não possuísse esta freguesia condições únicas para esta cultura e estivesse inserida na região do Douro vinhateiro. Outro tipo de cultura agrícola com alguma expressão é a da oliveira.
Um grande impulsionador para o progresso da cultura da vinha na freguesia é sem duvida a Adega Cooperativa de Santa Marta de Penaguião principalmente com a sua delegação em Medrões (Adega de Medrões).

Sendo a vitivinicultura o principal impulsionador da economia, 90% dos agregados familiares dependem desta, existem pela freguesia inúmeras quintas, todas elas viradas para a vinha e o vinho. Exemplos disso são a Quinta do Outeiro e Quinta da casa dos Bicos, as únicas produtoras e engarrafadoras, Quinta da Pedra, Quinta da Aveleira e a Quinta do Noval, todas já bastante antigas mas encontrando-se em bom estado de conservação.

Património Arquitectónico

Em relação ao Património existente em Medrões, podemos dizer que a freguesia é um pouco pobre, a este nível. Contudo, existem alguns monumentos que merecem algum destaque como é o caso da Capela do Senhor do Calvário, originária do séc. XIV e que, durante o séc. XX teve várias utilidades, serviu para habitação, loja de lenha e finalmente passou a capela. Propriedade de privados, passou em 1906 para a diocese. A Capela de Nossa Senhora do Monte é a mais pobre de todas as que existem na freguesia, ficando situada num dos locais mais altos da aldeia, um pouco isolada. A nível de objectos religiosos apenas possui um pequeno altar com a imagem da Nossa Senhora do Monte e de Santa Bárbara e ainda um pequeno quadro, do qual se diz relatar a história de um milagre que terá acontecido. A Capela de São Pedro fica situada junto da estrada que liga Medrões a Santa Marta de Penaguião e ao lado do cemitério. É marcada principalmente pela riqueza do seu interior, possuindo uma talha riquíssima (séc. XVIII). Era nesta capela que se realizavam as cerimónias fúnebres dos padres da região. A Capela de Nossa Senhora dos Remédios também é merecedora de destaque. Situada no cume de um monte da aldeia é, sem dúvida, aquela que possui mais valor sentimental para todos os medroenses. Pensa-se que remonte ao ano de 1741 e, ao nível da sua construção, possui alguns “requintes” já que no seu exterior é possível observar algum granito nos portais, nas pirâmides e nas cruzes situadas no topo da capela. No seu interior existe um riquíssimo altar em talha do séc. XVIII e imagens da Nossa Senhora dos Remédios, Nossa Senhora dos Aflitos, Santa Rita e São Francisco. A Igreja Paroquial encontra-se em excelente estado de conservação. Foi construída numa vinha com cerca de 10km2 que era gerida pelo pároco que estivesse na freguesia e de onde ele tirava o seu sustento. Uma situação que foi alterada aquando da implantação da República onde a vinha passou a ser propriedade do estado que mais tarde a iria pôr em leilão. A Igreja paroquial de Medrões é um templo de grandes dimensões e data da segunda metade do séc. XIX. A parte frontal da igreja mede cerca de 15m de altura ladeada por duas pirâmides, do lado direito do alçado frontal encontra-se a torre sineira com cerca de 23m de altura e um relógio de pesos oferecido pelo antigo dono da quinta do Outeiro Sr. Mateus Logan. 

As fontes de água foram e continuam a ser uma grande riqueza da freguesia. D. João V, no séc. XVIII, mandou construir a Fonte do Rei, o verdadeiro cartão de visita de Medrões. Esta fonte resistiu a muitas intempéries e ainda hoje se encontra em boas condições. Mas Medrões ainda possui outras fontes como por exemplo, a Fonte da Levada, Fonte da Fraga, Fonte da Lombadinha, Fonte de Marão, Fonte do Lavadouro, Fonte do Sobrado e Fonte do Ribeiro.
Instituições Culturais
Quando se fala de cultura em Medrões tem de se falar, obrigatoriamente, no “Grupo cultural os Medroenses”. Fundado em 1990, este grupo (sempre dirigido de uma forma brilhante por Filomena Sequeira) tem sido o grande dinamizador da cultura medroense, sempre na tentativa de divulgar para fora os costumes e características da aldeia mas, também para servir as gentes locais, quer seja na ocupação dos tempos livres, quer seja na execução de eventos culturais na própria freguesia.
Este grupo pode ser dividido em duas vertentes, na escola de música, que ocupa muitos jovens da freguesia e no rancho folclórico que é o que tem mais expressão no exterior.

Gastronomia

Como toda a aldeia transmontana Medrões possui igualmente algumas tradições a nível gastronómico. A Açorda de Medrões, os milhos, a sopa de Castanhas e a sopa de Ramos, são os pratos de destaque desta freguesia.

Lendas

Medrões, como muitas outras terras, também possui algumas lendas. A do Pousadoiro e a das Freguinhas continuam na memória de todos.

Lenda do Pousadoiro

Conta-se que, antigamente, se uma pessoa tivesse o mesmo sonho três vezes seguidas esse se tornava realidade.

Assim, uma rapariga sonhou que no lugar do Pousadoiro havia um caixote com peças de ouro. Mas, para que o sonho se realiza-se tinha de ir ao lugar sozinha e de noite. Então, uma noite, essa tal rapariga foi ao lugar e desenterrou o caixote com o ouro.

Supõe-se que o ouro encontrado tenha sido escondido pelos Mouros quando cá estiveram.

Lenda das Freguinhas

Contava-se que, há muitos e muitos anos, um homem bastante pobre teve um sonho durante três noites seguidas.

Esse sonho referia-se a um sino de ouro escondido dentro de uma mina no lugar das Freguinhas. 
A pessoa que tivesse este tipo de sonhos tinha de ir ao lugar sozinhas caso contrário o sonho não se realizaria. O homem assim fez, no local sonhado encontrou um sino de ouro, como alegria da realização do sonho, disse a seguinte frase: “ai que lindo sininho e o badalo é para a minha Teresa.”

in https://www.facebook.com/medroes/posts/636116186422506?pnref=story (7 de Setembro de 2013), [Consulta em 9dez2017]

Penagoyam

Entre o Marão e o Rio Corgo... Entre Panoias e o Rio Douro... Eis o Reino dos penaguiotas de todas as idades, sexos, latitudes, religiões, cores políticas, bolsas recheadas ou não...

«A explicação da origem do topónimo principal do concelho de Santa Marta de Penaguião está envolta numa lenda curiosa. Segundo a tradição, um cavaleiro francês chamado Guillon mandou queimar a capela de Santa Marta, após o qual a santa lhe apareceu ditando-lhe um castigo: que construísse uma vinha e tratasse dela. Assim o fez o conde, pelo que a localidade passou então a adoptar o nome de Santa Marta de Pena (castigo) Guillon.

Apesar do valor etnográfico da lenda, a origem do topónimo tem, no entanto uma outra interpretação; assim, trata-se de um topónimo composto, cujo primeiro elemento se refere a Santa Marta, hagiotopónimo ligado a uma devoção muito antiga (pré-nacional), e divulgada na Idade Média. Já antes da Nacionalidade o culto era dos mais antigos na Península, sobretudo no Norte. Santa Marta, símbolo do trabalho, é a santa protectora da Região Vinhateira do Douro.

Relativamente ao segundo elemento do topónimo "Penaguião", o seu primeiro termo, "pena", alude a uma fortificação roqueira, sendo que o segundo reflecte um nome pessoal de origem germânica no possessivo em -ani (Gogilani, de Gogila).

A ocupação do território que corresponde ao actual concelho de Santa Marta de Penaguião é bastante remota, como o atestam as várias fortificações castrejas e as referências toponímicas das suas freguesias e lugares. O território do actual concelho de Santa Marta de Penaguião corresponde sensivelmente a metade da "terra", julgado ou pequeno distrito medieval de Penaguião, pelo que é errado pensar-se que se trata da representação da dita terra no presente. A terra de Penaguião era mais vasta e as cumeadas bravias do Marão separavam-na da terra de Baião, embora o mais comum no primeiro tempo da monarquia tenha sido a reunião do governo superior de ambas nas mãos do mesmo rico-homem, "tenens Bayam et Penagoyam", em regra saído da estirpe dos "de Baião". O próprio castelo de Penaguião (defensáculo com possível origem castreja) nem mesmo ficava localizada nos limites do actual concelho, mas sim no acual concelho de Peso da Régua. O defensáculo mais central das populações do território que compõe o actual concelho de Santa Marta de Penaguião, nas épocas ante-históricas e proto-históricas, considerar-se-á aquele a que se refere o topónimo Crestelo (na freguesia de Fontes) decerto na origem de um pequeno castro. Em meados do século XII, algumas das freguesias do actual concelho já se encontravam formadas, como é o caso de Fontes, Lobrigos (S. João Baptista), Cumeeira, Louredo e Medrões. Em meados do século XIII a igreja de Santa Maria de Louredo era do padroado de Paio Soares e de vilãos herdadores; o da de S. João de Lobrigos era de cavaleiros fidalgos (metade pertenceu à coroa até D. Sancho I que a deu a um nobre); a de Santiago de Fontes pertencia a fidalgos; a de S. Salvador de Medrões era de fidalgos e do Mosteiro de Travanca e a de S. Miguel de Lobrigos era de filhos de algo. Em 1202 D. Sancho I concedeu foral a Santa Marta de Penaguião, foral esse que veio a ser confirmado por D. Manuel I, a 15 de Dezembro de 1519. O território que forma o actual concelho estava então integrado na "terra", julgado ou distrito medieval de Penaguião. Apesar de alguns documentos referirem a vida municipal de Santa Marta de Penaguião, foi sem dúvida a criação da Região Demarcada do Douro, em 1756, que mais contribuiu para o desenvolvimento deste concelho. O concelho de Santa Marta de Penaguião foi extinto a 26 de Setembro de 1895 e restaurado a 13 de Janeiro de 1989, tendo, durante a extinção, pertencido ao concelho de Vila Real as freguesias de Fornelos e Louredo e as restantes ao de Peso da Régua.»

in www.portugal.veraki.pt
via www.penagoyam.blogspot.pt; eDDo CiRo; 2011