TERRAS DE PENAGOYÃ:

Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?
"

Por Monteiro de Queiroz, 2018

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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O galego e o português "nasceram" na Galécia

O DIASSISTEMA “GALEGO E PORTUGUÊS” [1ª ACTUALIZAÇÃO]
O galego e o português “nasceram” na Galécia

(Nota: coloca-se uma questão no final do artigo.)

O galego e o português não nasceram na Galiça nem em Portugal. Ambos evoluíram de um tronco comum “linguístico” que evoluiu do "latim vulgar" falado na ancestral Galécia romano-sueva-visigoda - com capital e centro irradiador social, religioso, político, económico e cultural sediados na antiga "Bracara Augusta" - sede do antigo “Convento Bracarense”, a actual Cidade de Braga fundada pelos romanos por volta do ano 16 a.C. e assim nomeada em honra do Imperador César Augusto.

Por sua vez esse latim “galeciano” tinha evoluído do "latim vulgar luso-galaico", latim vulgar esse que subiu lentamente, com a conquista romana, do sul peninsular através da Bética até ao noroeste peninsular. Durante essa longa viagem de séculos para norte e para este, o latim foi-se adaptando às montanhas e aos seus habitantes, os povos da montanha e dos castros. 

Quando a Galiça e Portugal, conforme os conceptualizamos hoje se formaram posteriormente, transformando geopoliticamente a antiga Galécia na Galiça e em Portugal, não esquecendo as Astúrias e Leão, a “linguagē” falada a norte do Minho foi lentamente e por séculos sufocada pelo castelão e a do sul super influenciada pelas linguagens meridionais lusitano-latino-arabizadas e, mais recentemente, desde os séculos XV/XVI, pelas linguagens de além-mar ameríndias, africanas e asiáticas.

Apesar de longos séculos de separação e de evolução diferentes, o galego e o português não deixaram de demonstrar a sua identidade comum, formando um diassistema a exemplo de outros, como por exemplo, o asturo-leonês e o mirandês, o búlgaro e o macedônio, o catalão-valenciano e o occitano, o dinamarquês e o norueguês, o neerlandês e o flamengo, o romeno e o moldávio, o sérvio e croata, o tcheco e o eslovaco, entre outros.

Por Monteiro deQueiroz

 
Noção de DIASSISTEMA

Um diassistema é um termo da dialetologia que define um sistema virtual que existe na base estrutural de duas ou mais línguas com alto grau de inteligibilidade mútua. As razões para a existência dos diassistemas são múltiplas; normalmente a consideração como línguas separadas é derivada dum desenvolvimento histórico e cultural diferente a partir de um determinado momento histórico. As diferenças podem afetar o léxico, tal qual ocorre entre o occitano e o catalão devido à influência respectiva do francês e do castelhano. [1]

Também existem casos nos quais a maior diferença ocorre no sistema de escrita empregado, caso do hindi, que utiliza o devanágari, e o urdu, que emprega o alfabeto árabe, embora ambas as línguas sejam mutuamente inteligíveis. Em outros casos, os fatores legais e políticos os consideram línguas diferentes a legislação existente estabelece uma diferença entre dialetos apesar de não existirem barreiras reais de compreensão entre essas variedades linguísticas, nem na sua fonética, escrita ou léxico, como ocorre no caso do romeno e o moldavo. A determinação de um diassistema permite reduzir dificuldades na identificação de fronteiras lingüísticas e na explicação de fenômenos dialetais.

Referência:
[1] Trask (1996) : 112, via [https://pt.wikipedia.org/wiki/Diassistema]

Bibliografia:
Trask, Robert L. (1996). A Dictionary of Phonetics and Phonology. London: Routledge

Retirado da Wikipédia, [https://pt.wikipedia.org/wiki/Diassistema], [r.2025.01.04 - #porMdQ]


SISTEMA LINGUÍSTICO HISTÓRICO

O sistema linguístico histórico galego-português ou sistema linguístico galego-luso-brasileiro, é um diassistema formado por conjunto de variedades linguísticas derivadas do galego-português medieval.”

Notas:

[1] Henrique Monteagudo, Variación e cambio no sistema lingüístico histórico galego-portugués, ILG.

[2] Henrique Monteagudo, Sobre a polémica da Normativa do Galego, Grial, número 107, páxinas 293-313

Retirado da Wikipédia, [https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_linguístico_histórico_galego-português], [r.2025.01.05 - #porMdQ]


INTELIGIBILIDADE MÚTUA

Facilidade de compreensão entre idiomas

Em linguística, a inteligibilidade mútua ou intercompreensão é a relação entre os idiomas em que os falantes de línguas diferentes, mas relacionadas, podem compreender uns aos outros com relativa facilidade, sem estudos intencionais ou esforços extraordinários. Às vezes, é usada como um critério para distinguir línguas de dialetos, embora os fatores sociolinguísticos também sejam importantes.

A inteligibilidade entre línguas pode ser assimétrica, quando o falante de um idioma entende os falantes de outro, mas sem que ocorra o inverso. É quando ela é relativamente simétrica que é caracterizada como "mútua". Ela existe em diferentes graus entre muitas línguas aparentadas ou geograficamente próximas do mundo, muitas vezes no contexto de uma continuidade dialetal.

Retirado da Wikipédia
Ver +++ em [https://pt.wikipedia.org/wiki/Inteligibilidade_mútua], [r.2025.01.05 - #porMdQ]


QUESTÃO QUE SE COLOCA

Pelo seguinte, e tendo em conta o conceito de “diassistema” e os diferentes exemplos possíveis, sendo nos níveis fonético, escrito ou lexical, coloca-se a seguinte questão:

No caso da progressão castelanizante do galego continuar - que é o previsto, infelizmente, por acção maligna das instituições competentes e oficiais, o galego deixará a longo prazo de pertencer ao DIASSISTEMA GALEGO-PORTUGUÊS?

por Monteiro deQueiroz, 2024.01.04
[http://docsdequeiroz.blogspot.com/2025/01/o-galego-e-o-portugues-nasceram-na.html]

#DiassistemaGalegoPortuguês

LINGUAGĒ LADINHA PORTUGUEZ


LINGUAGĒ LADINHA PORTUGUEZ

Versão: 2024.10.09

[p.2024.10.09 - porMdQ]
[recolhas.Monteiro deQueiroz]

CRONOLOGIA DA “LINGUAGĒ PORTUGUEZ”

{1} - O GALEGO-PORTUGUÊS

«O termo galego-português é a designação contemporânea para a língua românica falada durante a Idade Média nas regiões de Portugal e da Galiza e o atual sistema linguístico *[1] que ocupa toda a faixa ocidental da Península Ibérica, incluindo os diversos dialetos das línguas portuguesa e galega, assim como as variedades próprias das Astúrias, Bierzo, Portelas, de Xálima, das Terras de Alcântara, de Olivença e de Barrancos. Para além destes territórios, as aldeias de Rio de Onor e Guadramil também podem ser incluídas nesta faixa, tendo sido até meados do século XX de fala leonesa.

O idioma galego-português, na época chamado apenas de linguagem, é o idioma ancestral comum às línguas galaico-portuguesas. Destacou-se pela sua utilização como idioma próprio da poesia trovadoresca não só nos reinos onde era nativa (Portugal, Galiza e Leão) mas também em Castela e, pontualmente, noutros locais da Europa.» 

{1}.

{2} - QUE LÍNGUA SE FALAVA EM PORTUGAL QUANDO SE TORNOU INDEPENDENTE? 

«Quando Portugal se tornou independente, os habitantes do novo reino continuaram a usar a língua que já usavam antes. Esta língua não tinha nome e não era particularmente diferente da língua falada na Galiza. Ninguém considerou necessário declarar qual era o idioma do reino. Dizemos hoje que o latim era oficial, mas esse conceito não existia, pelo menos com a definição que lhe damos hoje. O latim era a língua usada, na escrita, por quem escrevia - que eram poucos.

O reino expandiu-se para sul e, com ele, veio o idioma. No Sul, falava-se ainda latim hispânico já muito mudado e com muitas influências árabes − a língua a que chamamos hoje moçárabe. A língua do Norte era a língua da corte e dos soldados, da administração. A população acabou por moldar o seu latim a esse outro latim, incrustando-lhe umas pepitas moçárabes.

Aquele antigo latim do Norte − a que podemos chamar galécio, galego, portucalense, romance da Galécia ou da Galiza… − ganhou outro sabor, outros sons, algumas outras palavras, um tom ligeiramente diferente ao misturar-se com o latim do Sul, mas não deixou de ser a língua do Noroeste, agora transplantada para Sul, agora falada da  Corunha ao Algarve.»

{2}.

{3} - Os “Latim, Ladinho, Ladimo, Ladino, Lídimo, Aravia, Arabia, Geringonça Judenga, Hebraico” …

«LADINHO, *[2] adj. antiq. linguagem ladinha Portuguez. Ord. Aj. 2, f. 513. o romance puro de Portugal, derivado do Latim, sem mescla de Aravia, ou da Gerigonça Judenga; ou em Portuguez e não em Hebraico, na Cit. Ord. Afons.».

«LADÍNHO, A, *[3] adj. ant. Legitimo, puro; sem corrupção: “linguagem ladinha Portugueza” Ord. Af. 2. f. 513. i. é, o romance puro de Portugal, der. do Lat. sem mescla de arabía, ou da geringonça Judenga; ou em Portuguez, e não em Hebraico.

LADİNO, A, *[3] adj. (corrupção de latino) Legitimo, derivado do Latim, sem mescla do Arabico: “Mouros que sabião fallar ladino” sabiam o Portuguez não algemiado (deriv. do Latino idioma, e differente da arabía). Ined. 2. 424. §. Homen ladino; loc. fig. não rude; esperto, fino, passado. Eufr. f. 3. §. Escravo ladino; o que já sabe a lingua, e o serviço ordinario de casa.»

«LADÍMO e LADINHO *[4] - portuguez antigo - puro, sem mistura, genuíno. Nas províncias do Norte ainda se emprega a palavra lídimo, para significar o mesmo.»

{3}.

{4} - LINGUAGĒ PORTUGUEZ

1258 -
“Linguagē” assim chamavam no séc. XIII à língua vulgar usada no Reino de Portugal. *[5]

Foi nas Inquirições de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis, que em Portugal se começou a usar na escrituração oficial do reino a chamada “linguagē”, falada e escrita, iniciando-se dessa forma a substituição do latim na documentação régia.

Lourenço Gomez, de Porto de Mós, propôs ao escrivão responsável pela escrituração das Inquirições que o fizesse em “linguagē” em vez de latim.

«Aqui me disse Lourenço Gomez de Porto de Moos que fezera mal porque nõ screvera per linguagē, e por esso o torney en linguagē des aqui adeante».

1290 -
Dom Dinis decretou que a “linguagē” passasse a ser usada na corte em vez do latim. *[6]

«Em 1290 o Rei Dinis I de Portugal decretou que a "língua vulgar" fosse usada em vez do latim na corte».

1296 -
Em 1296, no reinado de Dom Dinis, a “linguagē” passa a ser usada nos documentos oficiais da chancelaria régia portuguesa. *[6]

«Em 1296 essa língua [vulgar] foi adaptada pela chancelaria régia e passou a ser usada não só na poesia, mas também na redação das leis e pelos notários».

1296 e seguintes -
A partir de 1296, no reinado de Dom Dinis, começam a aparecer referências à “linguagē portuguez”. *[6]

«Começaram então a aparecer referências à «linguagem português».»

1331 -
No reinado de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis, Martim Anes, Abade da Igreja de Santa Maria de Borbela, Vila Real, traslada um “liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto” de “latin en l[i]nguage”. *[7]

«Este liuro foi traladado per outro liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto per mão de mj Martim anes Abbade da jgreia de Sancta Maria de boruela o qual os viij sexternos de latin en l[i]nguage torney e foy acabado no mes de mayo e na vila de Sanctaren quando hy o dicto Senhor fez Cortes com os prelados e mestres e Ricos homens e os procuradores das clerizias e dos Concelhos do seu Senhorio na Era de mil trezentos sassenta noue annos [1331 da era actual]».

1430 -
O Infante Dom Pedro de Avis traduz "dos Oficios" de Tullio para português.*[8]

«E por que nom sey per que aventuira se acertou que huü livro, que assaz d'annos ha me deu nosso irmãao, o Infante Dom Fernando, o qual Tullio compôs, e chama-se "dos Oficios", em este anno passado tomey afeiçom a leer per elle. E quanto mais lia tanto me parecia melhor e mais virtuoso, e non soomente a mym, mas assy parecia a alguüs outros a que eu liia em portugues alguüs seos capítulos, em tanto que per elles algüas vee[ses] fuy requerido que tornasse este livro em esta linguagem.»

{4}.

{5} - REGISTO DE PUBLICAÇÕES NO QUINTAL DA GALÉCIA
Em [https://www.facebook.com/QuintalDaGalecia]

Quintal da Galécia | LÍNGUA [I]

ERA 1430 *[9]

"O português, por seu lado, desenvolveu-se no único território peninsular independente do domínio linguístico do castelhano, e, em 1430, é referido pela primeira vez simplesmente como "português" pelo Infante D. Pedro, na introdução à sua tradução de De Officiis, de Cicero.”

Quintal da Galécia | LÍNGUA [II]

ERA 1430 *[10]

«E por que nom sey per que aventuira se acertou que huü livro, que assaz d’annos ha me deu nosso irmãao, o Infante Dom Fernando, o qual Tullio compôs, e chama-se "dos Oficios", em este anno passado tomey afeiçom a leer per elle. E quanto mais liia tanto me parecia melhor e mais virtuoso, e non soomente a mym, mas assy parecia a alguüs outros a que eu liia em portugues alguüs seos capítulos, em tanto que per elles algüas vee[ses] fuy requerido que tornasse este livro em esta linguagem.»

Quintal da Galécia | LÍNGUA [III]

ERA 1290 *[11]

«Por alturas do reinado de D. Dinis, o romance falado em Portugal começou a ser usado nos documentos oficiais. Ninguém lhe deu nome, no entanto. Aquela era a «linguagem», nome que se dava a essa forma de falar diferente do latim. Começaram a aparecer referências à «linguagem português» (a concordância era peculiar, mas era assim).»

Quintal da Galécia | LÍNGUA [IV]

ERA 1258 *[12]

«Aqui me disse Lourenço Gomez de Porto de Moos que fezera mal porque nõ screvera per linguagẽ, e por esso o torney en linguagẽ des aqui adeante».

Quintal da Galécia | LÍNGUA [V]

ERA 1331 *[13]

«Este liuro foi traladado per outro liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto per mão de mj Martim anes Abbade da jgreia de Sancta Maria de boruela o qual os viijº sexternos de latin en l[i]nguagẽ torney e foy acabado no mes de mayo e na vila de Sanctaren quando hy o dicto Senhor fez Cortes com os prelados e mestres e Ricos homens e os procuradores das clerizias e dos Concelhos do seu Senhorio na Era de mil trezentos sassenta noue annos [1331 da era actual]».

Quintal da Galécia | LÍNGUA [VI]

ERA 1258 A 1331 *[14]

LINGUAGẼ | LINGUAGEM PORTUGUÊS

LINGUAGẼ

Era 1258 - LOURENÇO GOMEZ, de Porto de Mós, no tempo de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis

«Aqui me [Inquiridor não Identificado] disse Lourenço Gomez de Porto de Moos que fezera mal porque nõ screvera per linguagẽ, e por esso o torney en linguagẽ des aqui adeante».

LINGUAGEM PORTUGUÊS

Era 1290 - D DINIS DE PORTUGAL *[15]

«Em 1290 o Rei Dinis I de Portugal decretou que a "língua vulgar" (o galego-português falado) fosse usada em vez do latim na corte. Em 1296 essa língua foi adaptado pela chancelaria régia e passou a ser usado não só na poesia, mas também na redação das leis e pelos notários. Começaram então a aparecer referências à «linguagem português».»

L[I]NGUAGẼ *[16]
Era 1331 - MARTIM ANES, Abbade da Igreja de Sancta Maria de Borbela [Vila Real], no tempo de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis

«Este liuro foi traladado per outro liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto per mão de mj Martim anes Abbade da jgreia de Sancta Maria de boruela o qual os viijº sexternos de latin en l[i]nguagẽ torney e foy acabado no mes de mayo e na vila de Sanctaren quando hy o dicto Senhor fez Cortes com os prelados e mestres e Ricos homens e os procuradores das clerizias e dos Concelhos do seu Senhorio na Era de mil trezentos sassenta noue annos [1331 da era actual]».

Quintal da Galécia | LÍNGUA [VII]

ERA 1258 A 1430 *[17]

- ‘linguagẽ’ - Era 1258 - Lourenço Gomez, de Porto de Mós, no tempo de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis

- ‘língua vulgar’ / ‘linguagem português’ - Era 1290 - D Dinis de Portugal

- ‘l[i]nguagẽ’ - Era 1331 - Martim Anes, Abbade da Igreja de Sancta Maria de Borbela [Vila Real], no tempo de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis.

Quintal da Galécia | LÍNGUA [VIII]

LADINHO E ARAVIA *[18]

Ladinho ou linguagem ladinha era o nome que se dava ao puro romance português derivado do Latim, sem mescla de Aravia ou da Gerigonça judenga. (1)

A poesia heroica tinha duas vertentes: a Aravia, usada pelo povo, e o Romance, empregado pelos eruditos. São numerosos os documentos em que a palavra Aravia (2) significou a linguagem plebeia, a gíria e o canto do povo. Para os eruditos o Romance significava a linguagem vulgar. (3) "Para os eruditos do século XV e XVI, a Aravia é a linguagem corrupta com que cristãos e árabes se entendiam, é uma especie de gíria não escrita, e a própria designação de um canto do povo." [...] a Aravia que os Mosarabes falavam eram os dialetos vulgares ou Ladinha cristenga que em breve se iam desenvolver como línguas nacionais. A designação de Aravia passava a significar o cantar-romance, que veio a servir de primeiro elemento tradicional da história." Na comédia Eufrósina, Jorge Ferreira de Vasconcelos refere-se ao termo "germania" como sendo uma forma de aravia, quando escreve : "quando eles querem falam germania [...] senhora que viva convosco pera que me ensineis essa aravia." (4)

Quintal da Galécia | LÍNGUA [IX]

LADINHO E ARAVIA *[19]

- LADINHO, adj. antiq. linguagem ladinha Portuguez. Ord. Af. 2. f. 513. o romance puro de Portugal, derivado do Latim, sem mescla de Aravia, ou da Geringonça Judenga; ou em Portuguez, e não em Hebraico. na Cit. Ord. Afons.

- LADINO, adj. Homem ladino; não rude, esperto, fino, passado. Eufr. 1. 3. §. Escravo ladino, oppõe-se a boçal, e é o que já sabe a lingua, e o serviço ordinário de casa. “Mouros que sabião falar ladino:” sabião o Portuguez (derivado do Latino Idioma, e diferente da Aravia). Ined. 2. 424.

Ladinho ou linguagem ladinha *[20] era o nome que se dava ao puro romance português derivado do Latim, sem mescla de Aravia ou da Gerigonça judenga.(1)

A poesia heroica tinha duas vertentes: a Aravia, usada pelo povo, e o Romance, empregado pelos eruditos. São numerosos os documentos em que a palavra Aravia (2) significou a linguagem plebeia, a gíria e o canto do povo. Para os eruditos o Romance significava a linguagem vulgar. (3) "Para os eruditos do século XV e XVI, a Aravia é a linguagem corrupta com que cristãos e árabes se entendiam, é uma especie de gíria não escrita, e a própria designação de um canto do povo." [...] a Aravia que os Mosarabes falavam eram os dialetos vulgares ou Ladinha cristenga que em breve se iam desenvolver como línguas nacionais. A designação de Aravia passava a significar o cantar-romance, que veio a servir de primeiro elemento tradicional da história." Na comédia Eufrósina, Jorge Ferreira de Vasconcelos refere-se ao termo "germania" como sendo uma forma de aravia, quando escreve : "quando eles querem falam germania [...] senhora que viva convosco pera que me ensineis essa aravia." (4)

{5}.

-----

ANOTAÇÕES

{1} 

*[1] Vásquez Cuesta, Pilar. A variedade do sistema linguístico Galego-Português em [http://cvc.instituto-camoes.pt/dmdocuments/galegoportugues.pdf], [r.2024.10.08 - porMdQ]
In [https://pt.wikipedia.org/wiki/Galego-português], [r.2024.10.08 - porMdQ]

{2} 

«Fonte
Texto do professor universitário, escritor e tradutor Marco Neves, transcrito, com devida vénia na página do Facebook Língua e Tradição, com a data de 31 de agosto de 2021. Escrito segundo a norma ortográfica de 1945.» por Marco Neves, Professor de Língua Portuguesa na FCSH em Lisboa, escritor e tradutor. In «Quem deu o nome ao português?». In Ciberdúvidas, Marco Neves, 31 de agosto de 2021 em [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640] [consultado em 08-10-2024], [porMdQ]

{3} 

*[2] In Diccionario da lingua Portugueza: F - Z - Volume 2 - de António de Morais Silva, 1813, pág. 199, em [https://www.google.pt/books/edition/Diccionario_da_lingua_Portugueza/1s9FAAAAcAAJ].

*[3] In Diccionario da lingua Portugueza: F - Z - Volume 2 - de António de Morais Silva, (6ª Edição melhorada e muito acrescentada por Agostinho de Mendonça Falcão), 1858, pág. 251, em
[https://www.google.pt/books/edition/Diccionario_da_lingua_Portugueza/lTBxS8oISF4C].

*[4] In PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO Geographico, Estatistico, Chorographico, Heraldico, Archeologico, Histórico, Biographico e Etymologico DE TODAS AS CIDADES, VILLAS E FREGUEZIAS DE PORTUGAL DE GRANDE NUMERO DE ALDEIAS, ... - “Vol. IV”, pág. 10, de Augusto Soares d’Azevedo Barbosa de Pinho Leal, Lisboa, 1874. [https://archive.org/details/gri_33125005925595/page/10/mode/2up?view=theater&q=LADINHO] 

{4} 

*[5] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1185. 

*[6] In «Quem deu o nome ao português?». In Ciberdúvidas, Marco Neves, 31 de agosto de 2021 em [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]

*[7] In PMH: Inq., fasc. VIII, p.1266

*[8] In “Transcrição presente no artigo Cícero em Portugal: momentos de humanismo cívico”, de Aires Augusto Nascimento.

{5} 

*[9 ] in «Quem deu o nome ao português?». Ciberdúvidas. 31 de agosto de 2021
[https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]

in História da língua portuguesa – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)
[https://pt.wikipedia.org/wiki/História_da_língua_portuguesa]

Versão: 2023.07.01 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=157621530653171&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[10] Transcrição presente no artigo Cícero em Portugal: momentos de humanismo cívico, de Aires Augusto Nascimento.
[https://ojs.unito.it/index.php/COL/article/view/1245/1064]

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640], [consultado em 02-07-2023]

Versão: 2023.07.01 in Quintal da Galécia
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*[11] in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]
[consultado em 02-07-2023]

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*[12] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1185

Reinado de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis

Versão: 2023.07.02 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=158075443941113&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[13] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1266

Reinado de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis

Versão: 2023.07.02 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=158076703940987&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[14] Anotação in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1185

*[15] In «Quem deu o nome ao português?». Ciberdúvidas. 31 de agosto de 2021
[ttps://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]

Versão: 2023.07.04 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=168848102863847&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[16] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1266

Versão: 2023.07.04 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=168848102863847&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[17] Versão: 2023.07.05 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em
[https://www.facebook.com/photo.php?fbid=160178197064171&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[18] In Portugal(Wik)ipédia

[1] - MORAIS SILVA, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado de todos os impressos ..., Volume 2, 1823, Pág. 140
[2] - Morais Silva, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado dos vocabularios impressos ate agora, e nesta segunda edição novamente emendado, e muito accrescentado, Volume 1, 1813, Pág. 170/171
[3] - BRAGA, Theophilo, CURSO DE HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA, adaptado ás aulas de instruccão secundaria por..., Nova Livraria Internacional, Lisboa, 1885.
[4] - VASCONCELLOS, Jorge Ferreira de, d. 1585, Comédia Eufrosina Comédia Eufrosina; conforme a impressão de 1561, [https://archive.org/details/comdiaeufrosin00vascuoft]

Versão: 2023.07.09 in Quintal da Galécia
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*[19] In MORAIS SILVA, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado de todos os impressos ..., Volume 2, 1823, Pág. 140

Versão: 2023.07.09 in Quintal da Galécia
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*[20] In Portugal(Wik)ipédia

[1] - MORAIS SILVA, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado de todos os impressos ..., Volume 2, 1823, Pág. 140
[2] - Morais Silva, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado dos vocabularios impressos ate agora, e nesta segunda edição novamente emendado, e muito accrescentado, Volume 1, 1813, Pág. 170/171
[3] - BRAGA, Theophilo, CURSO DE HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA, adaptado ás aulas de instruccão secundaria por..., Nova Livraria Internacional, Lisboa, 1885.
[4] - VASCONCELLOS, Jorge Ferreira de, d. 1585, Comédia Eufrosina Comédia Eufrosina; conforme a impressão de 1561, [https://archive.org/details/comdiaeufrosin00vascuoft

Versão: 2023.07.09 in Quintal da Galécia
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[https://www.facebook.com/photo/?fbid=163592003389457&set=pb.100092159730931.-2207520000]

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