Montes Sto Estêvão em Lamego e em Lobrigos
TERRAS DE PENAGOYÃ:


”Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?"
Por Monteiro de Queiroz, 2018
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Montes Sto Estêvão
"Tentativa
Etymologico-Toponymica"
Lobrigos & Penaguião
por Pedro Augusto Ferreira
TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA
INTRODUÇÃO
“A do Pisco - póde vir dos piscos, aves - ou antes de Prisco, nome romano e nome d’um santo, que teve a forma Pisco.
Ruy Fernandes, na sua interessante descripção do terreno em volta de Lamego duas léguas, escripta em 1532 e publicada no vol. V dos Ineditos da Historia Portagueza, fallando da villa da Regoa, diz que o seu orago in illo tempore, era S. Pisco. Hoje é S. Faustino.”
pág. XVI
_______________
“De passagem direi que Medello vem de Metellus, i, nome romano, que além de Medello, deu Metello, appellido nobre, etc. Por seu turno Metellinus, i, diminutivo de Metellus, deu Medellim e Medellinha, povoações nossas, e Medim por Medellim, parochia extincta no concelho de Penaguião, que tinha como padroeiro S, José. e foi annexada á freguezia de Sanhoane, antiga forma de S. João, pelo que o orago d'esta é S. José, vulgo S. José de Medim !...”
pág. 296
_______________
“E temos no concelho de Santa Martha de Penaguião, um sitio e uma capella com o mesmo nome de Copa Cabana, pertencentes á grande quinta das Cabanas, propriedade actual do senhor Júlio Moreira, distincto escriptor, etc. 1
1 Morava S. Ex.a no Porto, onde falleceu no meado de 1911”
pág. 273
_______________
“Note-se que os oragos de varias freguezias teem sido alterados e substituídos por outros. Assim o padroeiro da villa da Regoa foi S. Prisco, vulgo S. Pisco e actualmente é S. Faustino. Também no concelho de Penaguião a freguezia de Sanhoane, antiga forma de S. João, teve como padroeiro S. João, mas o seu orago actual é S. José, vulgo S. José de Medim, contracção de Medelim por Metellim, de Metellinus, i, diminutivo de Metellus, i, nome romano que deu Metello, appellido nobre actual, e Medello, antigo couto, hoje simples aldeia no aro de Lamego.”
pág. 295
_______________
“Dobrigo. Veja-se Lobrigos.
Note-se que as letras d e l, confundiram-se na onomástica portugueza. Veja-se o tópico Substituição de letras.”
pág. 296
_______________
“Também Domnus, i, foi antigamente nome pessoal, que se encontra em Penedono, villa outr'ora denominada Pena de Domno, como Penaguião - Pena de Gedeon, rico-homem, seu fundador.”
pág.298
_______________
Lobrigos.
1.º - De…
2.º - De Lodericus, Loderico, antigo nome pessoal do século IX.
Vida da Beata Mafalda, por Frei Fortunato de S. Boaventura, pagina 217.
3.º - Do baixo latim lupiculus - lobinho. Confronte-se Lupicolo, appellido na Itália. Veja-se Penaguião, infra.
4.º - De Lovericus, antigo nome pessoal, talvez o mesmo que Lodericus?...
pág. 321
_______________
Penaguião. - De Pena-Gedeão. Veja-se Elucidário, vb. Cajom 1.º e Caldeira, onde se diz que a villa de Penaguião foi fundada pelo Rico-homem D. Gomes Mendes Gedeão, em 1191.
Veja se também Alvoriçar, no mesmo Elucidario.
Do que Viterbo diz nos logares citados se infere que a freguezia de S. Miguel de Lobrigos, antes de 1191 pertencia ao concelho de Godim ou de Borba de Godim, hoje simples freguezia de S. José de Godim, concelho da Regoa e que pelo facto do abbade de S. Miguel de Lobrigos, concelho de Borba de Godim, magoar o Rico-homem D. Gomes Mendes Gedeão, este fundou a villa e o concelho de Penaguião, ao qual ficou pertencendo a freguezia de S. Miguel de Lobrigos, para melhor se desaffrontar do dito abbade, pondo-a na sua immediata dependência, posto que já no acto do conflicto não lhe acatou ou respeitou as ordens, isto é - insultou-o e bateu-lhe!...
pág. 341
_______________
TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA, TERCEIRO VOLUME
ou INVESTIGAÇÃO DA ETYMOLOGIA OU PROVENIÊNCIA DOS NOMES DAS NOSSAS POVOAÇÕES
POR
Pedro Augusto Ferreira
Bacharel formado em Theologia,
continuador do Portugal Antigo e Moderno
e Abbade de Miragaya, aposentado.
Porto
Tipografia. Mendonça (a vapor)
Rua da Picaria, 30
1915
_______________
Digitized by the Internet Archive
in 2010 with funding from
University of Toronto
https://ia800307.us.archive.org/32/items/tentativaetymolo03ferr/tentativaetymolo03ferr.pdf [17.abr.2020]
Viseu > Vila Real > Chaves.
Da devoção ao turismo:
O Caminho Português Interior
de Santiago de Compostela
Património
cultural jacobeu,
turismo
e peregrinação:
O
Caminho Português Interior de
Santiago
de Compostela (CPIS)
Xerardo
Pereiro (Coord.)
PASOS
Revista
de Turismo y Patrimonio Cultural
Pasos
Edita, 25
www.pasosonline.org
http://www.pasosonline.org/Publicados/pasosoedita/PSEdita25.pdf
(...)
Arlindo
de Magalhães Ribeiro da Cunha, pág. 5
Capítulo
1
Viseu
> Vila real > Chaves.
Da
devoção ao turismo: O Caminho Português
Interior
de Santiago de Compostela
ARLINDO
DE MAGALHÃES RIBEIRO DA CUNHA
Universidade
Católica Portuguesa (UCP)
cunharlindo@gmail.com
1.
Introdução
Este
texto é resultado de uma palestra sobre o Caminho Português
Interior de Santiago de Compostela, ministrada na UTAD (Universidade
de Trás-os-Montes e Alto Douro) em Vila Real (Portugal) o dia 5 de
abril de 2017. O conteúdo do texto tem como base uma análise
histórica, documental e das memórias sociais de terreno. Foram
tidos em consideração os relatos de peregrinação a Santiago de
Compostela, as estradas e caminhos históricos, o património
histórico-artístico das rotas (ex. igrejas, ermidas, esculturas …)
de peregrinação, o património cultural jacobeu em Portugal, a
extensa toponímia e hagiotoponímia e a devoção e culto de
Santiago de Compostela em Portugal. Ao longo do texto põe-se de
manifesto como peregrinar não é apenas um produto turístico, e
como o caminho do peregrino é algo mais do que o prosaico caminho do
viageiro.
Em
2010 (29 de Outubro), em Chaves, nas IV Jornadas Luso-Galaicas
Turismo Cultural e Religioso, eu disse assim:
«…
sem medo de errar ou de ser contraditado, o mais belo, o mais
espectacular, o mais recolhido, e o mais espiritual trajecto jacobeu
português, é o que liga Viseu a Chaves, pela Régua e Vila Real,
embora todo ele
Viseu
> Vila real > Chaves. Da devoção ao turismo: …, pág. 6
deva
estar todo escacado pela auto-estrada entretanto construída! (…)»
O
património jacobeu português, e particularmente o transmontano, é,
ainda hoje, um tesouro desconhecido, silenciosamente guardado, quando
não já violado ou destruído por adeptos de desportos radicais, por
veículos todo-o-terreno, por motos 4, por mágicos e
iniciáticos, e por todos os peregrinos éticos e estéticos
de que falou David Lodge1 . Tenho muito gosto em estar
aqui; agradeço à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
ter-me convidado a vir, e confesso que fiquei felicíssimo quando vi
que, neste trabalho, participarão professores de antropologia, de
turismo, de história e de biologia. Bem hajam todos: os que me
convidaram e os que me vão ensinar.
São
de facto imensos os caminhos “de Santiago” que, passado o Douro e
atravessando Trás-os-Montes, os peregrinos compostelanos utilizavam
para chegar ao pretenso túmulo do Apóstolo em Compostela. Imensos!
Tantos que, em toda a Europa e particularmente em Portugal,
Trás-os-Montes é o território que gerou a maior concentração de
lugares relacionados com o culto jacobeu e a peregrinação a
Compostela.
Não
falarei da história multisecular da peregrinação ao Finis
Terrae e depois a Compostela, porquê? e como? Falarei, sim, do
Património que se gerou ao longo e à volta de um caminho romano e
depois jacobeu que começava no Algarve mas que, de Viseu a Chaves,
se salientou na demanda do pretenso túmulo do apóstolo Tiago.
Nos
meados do séc. XII, o Codex Calixtinus, um celebérrimo manuscrito
de Compostela, dizia assim: “As cidades e povoações maiores que
então existiam na Galiza são as seguintes: Viseu, Lamego, (Dumio,
Coimbra, Lugo,) Ourense…”2 .
(…)
_______________
1
LODGE, David – Terapia, Lisboa: Gradiva, 1995, p. 257.
2
OTERO, X. Carro (reed.) - Liber Sancti Jacobi “Repito: Calixtinus”,
1992, Xunta de Galicia, p. 410. Seguiam-se depois as mais cidades
apontadas: Iria, Tuy, Mondoñedo, Braga la metropolitana, la ciudad
de Santa Maria de Guimarães, Corunha, Compostela, aunque todavía
pequeña entonces”.
(…)
Arlindo
de Magalhães Ribeiro da Cunha, pág. 11
2.
De Viseu a Chaves
(...)
Viseu
> Vila real > Chaves. Da devoção ao turismo: …, pág.
14
Recorte
nosso do original em baixo
Foto
05: Mapa de Viseu a Chaves (Arlindo de Magalhães)
(…)
Em
Magueija, melhor, na Magueijinha, existiu uma paroquial “de
Santiago”, “acanhada e atarracada”, até que, no séc. XVIII,
se construiu noutro lugar uma paroquial nova. Da primitiva nada
resta. Mas perduram uma calçada, ainda hoje chamada “caminho de
Santiago”, assim chamado, e uma ponte, ambas de origem romana. O
povo não esquece!
Chegado
a Lamego17, o peregrino podia pousar: “havia umas seis
ou sete albergarias” 18. Ainda em Lamego, numa ermida
dedicada a Nossa Senhora
_______________
17
Chegava ainda a Lamego um outro caminho “de Santiago”. Vinha dos
lados de Moimenta da Beira e Sernancelhe. A chegar à cidade, em
Cepões, há um topónimo e ermida “de Santiago”.
18
“havia umas seis ou sete albergarias, e hospital de leprosos,
[que] … não deixariam de ter seu hospício ou hospital…;
estas casas que, por antonomásia, se chamavam charidades,
hoje desapareceram da nossa lembrança” (Elucidário de
Viterbo, II, p. 97.1).
Arlindo
de Magalhães Ribeiro da Cunha, pág. 15
da
Conceição havia um altar colateral de São Gonçalo; numa outra, de
Nossa Senhora do Desterro, um altar e uma Irmandade de S. Gonçalo19.
Ainda em Lamego na capela da Senhora da Conceição de Paredes havia
um altar lateral de S. Gonçalo20. Um historiador diz que
«a devoção a S. Gonçalo era uma das mais frequentemente invocadas
na cidade [de Lamego]»21.
Em
1682 aprovam-se os Estatutos da Irmandade22 dos Clérigos
Pobres de São Bento da cidade de Lamego, da qual (Irmandade) São
Gonçalo era padroeiro secundário23;
A
seguir, é Santiago de Sande (também Lamego)24, Cambres
(Lamego, ermida S. Gonçalo) e Rio Bom, com uma ermida de S. Gonçalo.
No
século XVIII, a Régua era ainda uma povoação insignificante.
Havia duas freguesias - a de S.
Prisco da Régua (a montante) e a de S. Faustino do Peso (a jusante).
Não faltavam barcas para a travessia do Douro.
A
montante podia subir-se do lado esquerdo do Corgo na direcção de
Panóias: na Magalhã (lugar de Abaças) há uma
ermida da S. Gonçalo25, logo a seguir a paróquia de
Andrães que é de Santiago e em Constantim há outra capela de S.
Gonçalo26. Na abóbada almofadada da sacristia da capela
da Casa de Mateus há um santoral que inclui Santiago e São Gonçalo.
Em
tempo mais recente (quer dizer, a partir da Régua actual), passou a
subir-se a Lobrigos (S. João), onde há uma ermida de S.
Gonçalo27, passava-se
_______________
19
CAPELA, José Viriato e MATOS, Henrique - As freguesias do Distrito
de Viseu nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, 2010, pp. 279.2 e
300.1. Na Sé Catedral havia a capela de Santiago “que renderá dez
mil reis”!
20
COSTA, M. Gonçalves - História do Bispado e cidade de Lamego, V,
626
21
Id., III, p. 392.
22
Ver Apêndice: ”Confraria / Irmandade”.
23
Recorde-se o referido sobre a contenda entre dominicanos e
beneditinos.
24
Em Santiago de Sande podia, passando em Samodães, chegar facilmente
a Penajóia, onde havia uma ermida de Santiago
25
CARDOSO, Luis - Diccionario geografico, ou noticia historica de todas
as cidades… de Portugal, e Algarve…, Vol 1, Lisboa, Officina
Sylviana, 1747-1751, p. 2/3.
26
Em Lagares (Mouçós), lugar situado num antigo caminho que provinha
de S. Martinho de Antas, há uma capela e houve um Confraria, ambas
“de S. Gonçalo”. Dali se seguia para Vilarinho da Samardã.
27
De Lobrigos, por Santa Marta de Penaguião, chegava-se a Fontes
(paróquia de Santiago e altar de S. Gonçalo na paroquial), na
direção de Vila Cova (Vila Real, paróquia de Santiago), onde
existe um belo padrão de S. Gonçalo. No adro da igreja paroquial de
Santiago de Fontes (Sta Marta de Penaguião) - espero que ainda lá
esteja e não o tirem! - há um painel de azulejos que ali terá sido
colocado por inícios do séc. XX, ou ainda no XIX, no qual, entre
outras quadras, esta: “Dar pousada aos peregrinos / Vale
menos do que dar / Moradia às pobres almas / no coração do lugar”.
Na afirmativa, o que esta quadra quer dizer isto: Vale mais dar
moradia às pobres almas (do purgatório) no coração do lugar -
aqui, no adro da igreja de Fontes, por exemplo - que dar pousada aos
peregrinos. A peregrinação descera já, e muito, na valorização
popular. O painel de azulejos de Fontes é histórico: porque nos dá
conta da sensibilidade popular religiosa de um tempo passado.
Viseu
> Vila real > Chaves. Da devoção ao turismo: …, pág. 16
à
Cumieira (altar de S. Gonçalo na paroquial) e logo se estava às
portas de Vila Real, em Parada de Cunhos (freguesia de S. Cristóvão),
onde existe também uma capela de S. Roque com Irmandade28;
A
jusante, havia mais duas barcas: a que ligava Samodães a Fontelas
(Barca do
Carvalho*) e seguia para Santa Marta
de Penaguião; e depois a célebre barca de Moledo (Barca
do Granjão*), criada nos inícios na
nacionalidade por D. Afonso Henriques.
*
Notas nossas
Quando,
em 1289, D. Dinis fundou realmente a Vila Real de Panóias29,
subindo do Douro pelo lado direito do Corgo passou a poder entrar-se
na Vila, por Folhadela, paróquia de Santiago30
em cuja paroquial havia também um altar “do milagrozo
Sam Gonçalo, que pella grande devoçam com que o veneram os
moradores desta freguezia lhe levantaram hum[a] irmandade com numero
de trezentos irmanos e o festejam com toda a solemnidade no dia dez
de Janeiro”31.
Em
Vila Real, no «Campo do Tabolado», destruído no início do século
XX para se construir a Av. Carvalho de Araújo, existiu, numa Rua de
Santiago,
_______________
28
Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira, Vol. 35, 857.1
29
A primeira estrada Viseu -
Chaves foi a romana. Passava em Panóias. Agora se aponta por alto a
sua direcção: Viseu, Orgens, Pousa Maria, Castro Daire, Magueija,
Lamego e logo se passava o Douro. Depois, Galafura ou Poiares,
Canelas, Constantim, Panóias, Lagares, Juste, Cidadelha, Vila Pouca
de Aguiar, Pedras Salgadas (Rua da Estrada Romana), Sabroso de
Aguiar, Oura, Salus (Termas romanas de Vidago), Samaiões, Madalena,
Aquæ Flaviæ. Mas quando, em 1289, D. Dinis fundou a Vila Real de
Panóias, tudo se alterou.
30
Uma estrada romana que, de Bragança, descia à zona do futuro Porto,
cruzava-se, por Panóias, com a romana Viseu-Chaves. Um não curta
calçada da bragançana pode ainda ver-se ao lado da igreja paroquial
de Mondrões (ao lado ocidental da cidade), bem como a beleza do seu
frontispício. Não podem também esquecer-se as freguesias de Vila
Marim (Vila Real, que teve uma Confraria de São Gonçalo) e de
Santiago de Lamas de Olo (Vila Real) que, Alvão acima e abaixo,
ligava Trás-os-Montes com Mondim de Basto - Braga, a caminho de
Compostela.
31
CAPELA (José Viriato) - As freguesias do Distrito de Vila Real nas
Memórias Paroquiais de 1758, Braga, 2006, pp- 545-546.
Arlindo
de Magalhães Ribeiro da Cunha, pág.
17
uma
capela do Apóstolo, que, até ao século XVII, foi sede de uma
Confraria32 de Santiago. Houve também uma Albergaria de
S. Brás, onde após alguns abusos, em 12 Outubro de 1395, D. João I
sentiu necessidade de proibir os nobres e outras pessoas poderosas de
se aproveitarem dela, pois que - disse o rei - ela só devia servir
para “se acolherem muitos pobres e minguados como foe feita para os
pobres e romeus e outras pessoas que de direito quiserem hir pousar
en ella”33. Em 1703 foi criada a Confraria de São
Gonçalo na igreja do Convento de Vila Real34.
Ainda
em Vila Real, na Capela Nova (ou igreja dos Clérigos, ver foto 06),
de Nasoni, encontrei, em 1989, na sacristia uma bela imagem de
Santiago.
Após
Vila Real, em Vila Seca (Adoufe) há uma ermida de S. Gonçalo; em
Vilarinho da Samardã (uma Confraria do mesmo S. Gonçalo); em Zimão
e Fontes, dois lugares da paróquia de Telões (Vila Pouca de
Aguiar), ambos com sua capela de S. Gonçalo. Soutelo de Aguiar ou do
Vale, é freguesia “de Santiago”.
(...)
_______________
32
Ver Apêndice: ”Confraria / Irmandade”.
33
PARENTE, João - Idade Média no Distrito de Vila Real, IV Vol.,
2014, Vila Real: Âncora Editora, p. 316. Ver documento da
Chancelaria de D. João I, in GONÇALVES, Fernando de Sousa Silva -
Memórias de Vila Real, 1º Volume, Vila Real, 1987, p. 143.
34
SILVA GONÇALVES, Fernando de Sousa - Memórias de Vila Real, I, Vila
Real, 1987, pp. 183 ss.
Viseu
> Vila real > Chaves. Da devoção ao turismo: …, pág. 18
Foto
06: Imagem de Santiago (certamente proveniente da antiga ermida do
Apóstolo existente no «Campo do Tabolado» e foi destruído no
início do século XX para se construir a Av. Carvalho de Araújo).
Está hoje na Igreja clérigos ou Capela Nova, de Vila Real
(...)
Apêndice
1.
1.
Igreja > Capela > Ermida > Freguesia e paróquia
A
palavra grega ecclesía quer dizer reunião de
um qualquer grupo de pessoas, assembleia popular, etc. Jesus nunca
falou na Igreja, nem utilizou esta palavra.
Aos
primeiros cristãos, porém, que se reuniam em casa uns dos outros,
nomeadamente no “primeiro dia da semana”, começaram a chamar-lhe
a ecclesía75 > igreja (que estava
em Roma, em Corinto, igreja de Tessalónica, de Éfeso…).
Claro
que os cristãos que formavam uma ecclesía > igreja
começaram a ser muitos. Logo tiveram de procurar ou construir
grandes espaços para caberem todos. A esses edifícios - não já ao
conjunto dos cristãos - passaram então a chamar-lhes igrejas.
Mais
tarde, além das igrejas grandes, surgiram outras, mais pequenas: as
capelas, igrejinhas pequenas - quase todas só com um altar -
normalmente situadas em lugares ermos (donde ermidas) e
altos (que substituíam antiquíssimos templos pagãos).
Com
o tempo, a palavra ecclesía começou a escorregar:
ecclesía > iglesía > igreja;
e os cristãos, os baptizados > os filii iglesie
(filhos da Igreja) >
feligreses
_______________
75
étumos + logía = verdadeira palavra-
Arlindo
de Magalhães Ribeiro da Cunha, pág. 35
que
começaram a ser chamados os fregueses.
Mas,
com o crescimento do número destes pequenos grupos de cristãos que
se reuniam em igrejas, ermidas ou capelas, precisaram ainda de se
organizarem melhor. Os bispos que viviam nas grandes cidades sentiram
necessidade de enviar alguns presbíteros, dos que viviam consigo, a
evangelizar o mundo rural. Este dividia-se em pagus >
pequenas aldeias. Os que nelas viviam, os pagani
(isto é, os habitantes dos pagi) ainda não
haviam sido cristianizados. E a palavra pagani passou a
dizer os não evangelizados, os pagãos.
E
cada vez mais foi preciso também marcar com algum rigor o território
entregue a cada presbítero. E a cada território se chamou paróquia
(do grego pará+oikía, casa ao lado). Paróquia,
portanto, era uma unidade territorial de casas de cristãos
que, geograficamente, constituíam uma nova iglesia
local
Modernamente,
na nossa língua portuguesa, a palavra freguesia é do âmbito da
administração civil e a paróquia da organização das igrejas
locais.
2.
”Confraria / Irmandade”.
«A
Confraria pode definir-se como associação de fiéis canonicamente
erecta em pessoa moral para o incremento do culto público. A nota
específica da Confraria consiste em que tem por fim “o incremento
do culto público”, ainda que as obras de caridade cristã não
sejam excluídas. (…) O novo Código de Direito Canónico engloba
estas espécies de associações na designação genérica de
associações de fiéis sem as especificar pelos seus fiéis (câns
321-326)» (BIGOTTE, J. Quelhas - “Confrarias”, in
Enciclopédia Verbo, Editorial Verbo Século XXI, Vol. 7, col.
888). (…) “ [Às Confrarias] Dá-se-lhes, também, o nome de
irmandades, fraternidades, confraternidades, congregações e, ainda,
uniões e associações” (Id., col. 889).
_______________
[18.abr.2020]
Lubrigo
"BOAZO (STA. MARIA DE): felig. en la prov. y dióc. de Orense (6 leg.), part. jud. de la Puebla de Tribes (3), y ayunt. de Teijeira (1/2): SIT. á la caida de la sierra llamada de Pedrouzos, continuacion de la de San Mamed, en donde se forma una planicie hacia el N.: CLIMA templado y sano: comprende los l. de Boazo, Casa-do-Monte y Lubrigo, que reunen 39 CASAS, terrenas en su mayor parte, si bien la rectoral es sólida y cómoda. La igl. parr. (Sta. Maria) es de buena construcción con una torre piramidal; hay en ella 3 altares regularmente pintados, con los ornamentos indispensables para el culto; está servida por un curato de entrada y patronato laical; el cementerio en nada perjudica á la salud pública. El TERM. confina por N. y O. con el r. que vа á la felig. de Lumeares que la divide de las de Piedrafita y Montoedo; por E. con Poboeiros, y por S. con Pedrouzos; estendiéndose por donde mas ¼ de leg.; hay una fuente en Boazo de buen agua. El TERRENO en lo general es bastante fértil y no escasea el arbolado: la parte mas inmediata á la pobl. es de primera calidad y la restante de segunda; hacia el N. forma una hondonada poblada de castaños y circuida de prados que baña el r. Lumeares, sobre el cual hay 2 puentes de madera, llamado el uno de los Baos que da comunicación con la felig. de Piedrafila y el otro de los Molinos por donde se dirige á la de Montoedo. De S. á E. pasa el r. ó riach. denominado del Batan, que divide á Boazo de Poboeiros y comunica por medio de otro puente de madera: esle r., si bien es perenne, llegado el verano apenas sirve mas que para regar escasamente algunos prados. Los CAMINOS son vecinales y mal cuidados, y el СОRRЕО se recibe en la v. de Castro 2 veces á la semana. PROD.: ceuteno , trigo, patatas, cebada, castañas, lino y algunas frutas; cria ganado vacuno, de cerda, lanar, cabrio y caballar; hay caza mayor y menor y se pescan truchas. IND.: á mas de la agrícola hay varios telares de lienzos y sargas ordinarias que se consumen en el pais, 2 ruedas de molino continuas y otras 2 de invierno. Estos naturales en su mayor número, se dedican al СОМЕRCIO de paños en los pueblos de Castilla á donde se ocupan otros haciendo sogas: hay sin embargo 2 tiendas de paños ordinarios y una de curtidos; se surten de los art. de primera necesidad en las ferias del Castro, Monterramo y Maceda, adonde llevan el sobrante de sus cosechas y buenos jamones, POBL.: 42 vec., 250 alm. CONTR cou su ayunl. (V.)"
in Diccionario geográfico-estadístico-historico de España y sus posesiones de ultramar, Volume 4, pág. 364
P. y Sagasti Madoz (Madrid, A.) Establecimiento tipográfico de P. Madoz y L. Sagasti, 1846
https://play.google.com/books/reader?id=jdrbfrJvXAIC&hl=pt_PT&pg=GBS.PA364
Lubrigos, na Corunha [II]
"Os lubrigantes
Algún día día con máis tempo exporemos en Arqueoneixon o catálogo das vinte mellores sinálecticas de temática arqueolóxica no NW da Península Ibérica. Os turistas teñen que tolear; mentres nun castro lle din que os celtas en Galicia non existiron, noutro afirman taxativamente que esta xente era celta sen remisión e así sucesivamente. Así e todo, o récord polo momento, lévao o parador de Santo Estevo de Ribas de Sil. Xa sabedes, Paradores de España, rapazas vestidas de gallegas no comedor, toda a información na lingua do Reino, esa decadencia dun modelo turístico dos anos 1960... No contorno, un espazo bucólico amósase ao visitante, coa casa do Forno en ruínas e estruturas anexas. Alí topamos cunha suposta estrutura circular de pedra chantada sobre medio metro de terra orgánica, e con algún sillar reutilizado orixinariamente pertencente ao mosteiro. Ao carón, un cartel recolle a seguinte información:
Algún día día con máis tempo exporemos en Arqueoneixon o catálogo das vinte mellores sinálecticas de temática arqueolóxica no NW da Península Ibérica. Os turistas teñen que tolear; mentres nun castro lle din que os celtas en Galicia non existiron, noutro afirman taxativamente que esta xente era celta sen remisión e así sucesivamente. Así e todo, o récord polo momento, lévao o parador de Santo Estevo de Ribas de Sil. Xa sabedes, Paradores de España, rapazas vestidas de gallegas no comedor, toda a información na lingua do Reino, esa decadencia dun modelo turístico dos anos 1960... No contorno, un espazo bucólico amósase ao visitante, coa casa do Forno en ruínas e estruturas anexas. Alí topamos cunha suposta estrutura circular de pedra chantada sobre medio metro de terra orgánica, e con algún sillar reutilizado orixinariamente pertencente ao mosteiro. Ao carón, un cartel recolle a seguinte información:
Hoy en día se conservan vestigios de Castros Celtas en las cercanías, en estas dos colinas próximas, este en el que nos encontramos y otro en la Colina más alta situada al Oeste, denominado Penedos do Castro, supuesto antiguo Castillo del Rey Visigodo Leovigildo, cuya inscripción Leovigil dux se puee leer todavía sobre una roca.
Los Celtas, Pueblos procedentes del Norte de Europa, poblaron Galicia en el año 700 a. C. y fueron conquistados por los romanos en el año 60 a. C. Existen muchos vestigios de sus fortificaciones (castros), lo que muestra que era un pueblo muy desarrollado. La raza Celta que vivía en Galicia se denominaba Brigante.
Resulta doado pensar como se chegou a este discurso. Un fenómeno preme o botón dun ordenador e copia o primeiro que apareza en google, xa sexa un paragrafo de Saralegui e Medina, de Murguia ou da secta de seguidores de Hercolubus, el planeta rojo. O gracioso do tema é que é unha constatación clara da hipótese que plantexamos para os castros de Neixón, ubicados ao carón dos Lubrigos. Polo tanto, os Lubrigantes eran os antigos habitantes de Neixón, os verdadeiros habitantes dos castros marítimos."
PUBLICADO POR EL AYÁN O 30.11.09
http://neixon.blogspot.com/2009/11/os-lubrigantes.html [17.abr.2020]
Lubrigos, na Corunha [I]
"Un boirense deseña un buque para poder limpar os fondos mariños.
A Universidade dá Coruña traballa neste proxecto promovido por unha empresa e subvencionado pola Xunta.
O oficio de patrón de pesca levou ao boirense Vicente Rebollido Oliveira a residir 36 anos no País Vasco e fai 25, cando se atopaba de vacacións na súa terra natal, un paseo pola praia de Lubrigos abriulle os ollos. A enorme acumulación de sargazo e a elevada mortaldade de marisco que observou no areal empuxáronlle a embarcarse nunha nova marea, a de patentar un invento, un buque co equipamento necesario para limpar fondos mariños, estuarios, portos e canles de navegación. Púxose ao choio e a súa idea espertou o interese da universidade, a Xunta de Galicia e unha empresa privada. Desde fai meses, trabállase no desenvolvemento do deseño.
Antonte, na casa consistorial de Boiro déronse a coñecer a maqueta e os primeiros planos que se elaboraron da embarcación. Vicente Rebollido está na actualidade xubilado, pero se acorda como o primeiro día de todas as portas ás que tivo que chamar e de todos os apoios técnicos que solicitou para que o seu invento chegase a bo porto. «Gustaríame ver ou buque en marcha e que se puideran sanear todas as rías galegas», afirma convencido.
O mariñeiro boirense logrou espertar o interese da empresa Nodosa, con sede en Bueu, que solicitou unha subvención en materia de investigación e desenvolvemento á Consellería de Innovación e Industria. Concedéronlle case 200.000 euros, e a partir de aí a firma contactou coa Universidade dá Coruña para que analizasen a viabilidade do buque e fixesen o deseño do mesmo.
O doutor en Enxeñería Naval Primitivo González, que coordina o grupo de investigación en innovacións mariñas da universidade herculina, conta que levan desde outubro pasado inmersos no proxecto, que ten unha duración de tres anos.
Ata que non o finalicen non se poderán concretar con exactitude todos os detalles técnicos e económicos, pero ás toas barallan a posibilidade de que, en función do tamaño no que se constrúa, podería custar entre tres e seis millóns de euros.
Fonte: La Voz de Galicia."
ACLUNAGA, Asociación Cluster del Naval Gallego.
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in http://www.ptgn.net/?q=node/153 [15.abr.2020]
Aliobrio
Paróquias Suevas e Dioceses Visigóticas
de A. de Almeida Fernandes
AROUCA
1997
pág. 75 e 76
(...)
III
PARÓQUIAS PORTUCALENSES
AS ECCLESIAE
1. Portucale: Porto.
(...)
OS “PAGI”
(...)
in http://helenafactome.blogspot.pt, [Consultado em 12dez2017]
de A. de Almeida Fernandes
AROUCA
1997
pág. 75 e 76
(...)
III
PARÓQUIAS PORTUCALENSES
AS ECCLESIAE
1. Portucale: Porto.
(...)
OS “PAGI”
(...)
20. Aliobrio (f. Cidadelhe, c. Mesão Frio). Este nome, como já sabemos, é um dos que provam mais à evidência a falsidade da tese do desaparecimento da toponímia paroecitana e numária com a conquista muçulmana e a Reconquista. O local ainda do séc. IX para o X tinha bastante importância, 176 e o nome desapareceu já depois do séc. XII.177
Em 1116, diz-se que os lugares de Seixido e Fontelas de Baixo, partindo com Fontelas de Cima, Godim e Oliveira, tinham como estes, «jacentia in Aloifrio… discurente ribulo Sarmenia et flumine Doyro»,178 do que se vê que o território de Aliovirio era cortado pelo pequeno rio Sermanha (zona comum aos atuais concelhos de Peso da Régua e Mesão Frio). Outro documento da ocasião refere-se à portagem do Douro, desde o «porto» ou passagem de Aliobrio até à foz: «de portu de Aliovirio». 179 Não significa, evidentemente, que a povoação estivesse mesmo à beira do rio, ao que nem a topografia convém, tratando-se de povoado notável, de que de resto, não há aí, ao contrário do que se esperaria, o mínimo indício. A passagem do Douro aí chamava-s «de Aliovirio» por servir esta povoação ou o território deste nome, que no Douro limitava. Por isso mesmo estava depois aqui uma das três passagens mais importantes do Douro hoje português, sendo o «Porto de Alva» (Barca de Alva) a do extremo oriental, e o «Porto do Douro» (hoje Porto) a do final.
Em 970, citam-se «terras que jacent usque in muro qui (que) divident per villa de Civitatelia… usque Sarmenia»,180 isto é, desde «o muro» até ao Sermanda. Esse muro (com bem mais notável importância há mil anos) deve ser o do monte sobre a Cidadelha (tanto mais que essas «terras» limitavam por ele e iam «per lombo», pelas elevações até ao pequeno rio), e dele ainda no séc. XIX se dizia tratar-se de «ruínas de uma antiga povoação, cujos muros ainda em parte estão levantados», com uns três metros de altura. 181
Para nós, trata-se da velha civitas Aliovirio, a qual, decaindo, originou, perto, uma outra, mais pequena, uma civitaticula, origem de nome Cidadelha (Cividadelha); e o «porto de Aliovirio» é Moledo, passagem ainda importante e famosa nos inícios nacionais, onde precisamente atravessava o Douro a via militar romana de Bracara aos Transcudani, etc., por Lameco.182
176 Ainda em 911 «facta est congregatio magna in locum predictum Aliobrio» (Ordonho II e s seus grandes): L. Fidei, nº 19.
177 Cerca de 1250, «homines de Alovrio»: Prof. Avelino Costa, O Bispo D. Pedro, I p. 159. Reparo que se acha nos PMH Inquis., p. 1227, mas tudo me está a sugerir que se trata de deturpação de Lovrigo (Loverigos), hoje Lobrigos: o texto respeita à sua zona, precisamente, o que diz tudo, em meu ver, tanto mais que em “Alovrio” se trata do c. Marta de Penaguião (com zona de Mesão Frio longe daí, sendo a de C. Mesão Frio indubitável para Alibrio: ver a nota 178).
178 DMP, Doc. Rég. I, nº 45. Nele se leu Santanelas em vez de Fontanelas, sem a menor dúvida.
179 PMH Dipl et Chart., nº 25 (pretensamente do séc. X).
180 PMH Dipl et Chart., nº 101.
181 P. Leal, Port. Ant. E Mod., 11 (1874), p. 299. Ver as notas arqueológicas na cit. Enciclopédia, VI. P. 752 (sem fazer qualquer evocação a Aliobrio). Esta povoação devia já estar decaída antes da nacionalidade. Nada, pois, indica que a «congregatio magna» de 911 não fosse na própria Civitatelia, sua substituta, sendo já Aliobrio um corónimo (nome de território), como depois nos aparece, nomeadamente no documento de 1116, onde esse carater coronímico é flagrante.
182 PMH Inquis., pp. 1004-1005; TT Chancelaria de D. Dinis, L. 2, fl. 108v-109; Viterbo, Elucidário, s. v. Caria. Não significa que em tempo de D. Teresa se chamasse já Moledo ao passo. (passo no original)
(...)
Godim, História
GODIM
in QUINTA PARTE A PROVÍNCIA E AS SUAS OBRAS, de Adélio TORRES NEIVA
Paróquia de S. José de Godim Um pouco de história da freguesia
A origem da freguesia de S. José de Godim perde-se na bruma dos tempos. O que sabemos é que é povoação muito antiga, pois que temos documentos que a ela se referem já nos primeiros anos da nacionalidade.
O nome Godim, na opinião de Joaquim Martins de Macedo (465) deve provir do nome do seu primeiro senhor de nome Godim, nome que aparece muitas vezes na toponímia daquele tempo. A povoação é por vezes designada por Jugueiros. Jugueiro era aquele que estava sujeito ao direito de Jugada ou direito de cada jugo de bois para lavrar um moio de trigo ou milho. O direito de jugada era muito comum em Portugal. Este imposto deu origem a vários topónimos, entre os quais o de Jugueiros. Os casais que pagavam este imposto chamavam-se Jugueiros. Jugueiros se chama também a ribeira que corre nos limites da freguesia e desagua no Douro.
O primeiro documento que conhecemos de Godim é uma Carta de D. Sancho, do ano 1205, aos homens de Godim; é também o primeiro documento que se refere às vinhas da região. Nessa carta D. Sancho dá foro aos homens de Godim para que “sempre tenhais o próprio regalengo, vós, vossos filhos e vossos netos com seus termos”. “E mandamos que das terras rotas deis como sempre destes. E daquelas que romperdes deis a quinta parte. E das vinhas que estão feitas agora deis a terça parte”.
O segundo documento é o seu foral de 1210, em que o mesmo rei confirma aqueles privilégios da carta anterior e concede outros novos. O foral é concedido aos homens de Godim Rodrigo Mendes, e Pelaio, monge, Egas Moniz, Rodrigues Peres e Pedro Filho, como vizinhos de Godim. Nesta carta de foral se encontram também traçados os limites da freguesia, que devia ser toda aforada com a condição de darem ao Rei a oitava parte de todos os frutos nela colhidos. Os seus limites eram desde aquele monte Argemundanes, assim como extrema com Lobrigos e com Vila Maior. E daí com Remostias e com o Peso e daí pela
O nome Godim, na opinião de Joaquim Martins de Macedo (465) deve provir do nome do seu primeiro senhor de nome Godim, nome que aparece muitas vezes na toponímia daquele tempo. A povoação é por vezes designada por Jugueiros. Jugueiro era aquele que estava sujeito ao direito de Jugada ou direito de cada jugo de bois para lavrar um moio de trigo ou milho. O direito de jugada era muito comum em Portugal. Este imposto deu origem a vários topónimos, entre os quais o de Jugueiros. Os casais que pagavam este imposto chamavam-se Jugueiros. Jugueiros se chama também a ribeira que corre nos limites da freguesia e desagua no Douro.
O primeiro documento que conhecemos de Godim é uma Carta de D. Sancho, do ano 1205, aos homens de Godim; é também o primeiro documento que se refere às vinhas da região. Nessa carta D. Sancho dá foro aos homens de Godim para que “sempre tenhais o próprio regalengo, vós, vossos filhos e vossos netos com seus termos”. “E mandamos que das terras rotas deis como sempre destes. E daquelas que romperdes deis a quinta parte. E das vinhas que estão feitas agora deis a terça parte”.
O segundo documento é o seu foral de 1210, em que o mesmo rei confirma aqueles privilégios da carta anterior e concede outros novos. O foral é concedido aos homens de Godim Rodrigo Mendes, e Pelaio, monge, Egas Moniz, Rodrigues Peres e Pedro Filho, como vizinhos de Godim. Nesta carta de foral se encontram também traçados os limites da freguesia, que devia ser toda aforada com a condição de darem ao Rei a oitava parte de todos os frutos nela colhidos. Os seus limites eram desde aquele monte Argemundanes, assim como extrema com Lobrigos e com Vila Maior. E daí com Remostias e com o Peso e daí pela
veia do Corgo.
Um outro documento remonta ao ano de 1341, firmado por D. Afonso IV e dirigido a D. Vasco Martins, bispo do Porto, que diz que os Julgados de Pena Guiam e Godim pertenciam a essa diocese.
Depois, D. Manuel, a 15 de Dezembro de 1519, na altura da reforma dos forais do Reino, concedeu foral novo a Godim.
Não sabemos qual a população de Godim até ao século XVI. Em 1530, ano em que se faz o primeiro recenseamento da Província de Trás os Montes, o concelho de Godim apresenta 61 moradores. Em 1758, o Dicionário Geográfico do Padre Cardoso dá a Godim 409 fogos, o que equivalia a 1.380 habitantes. Depois a população foi subindo e em 1960 o número de habitantes rondava os 2.747.
O concelho de Godim absorvia a actual sede do concelho da Régua, aparecendo muitas vezes anexo ao concelho de Penaguião. Foi por decreto de 6 de Novembro de 1836 em que Vila Real ficava com 24 concelhos, que Godim deixou de ser concelho.
Não sabemos a data da criação da freguesia de Godim; o primeiro presidente da Junta de Freguesia que conhecemos é o Padre Francisco Gomes Carneiro; foi presidente desde 1856 a 1862.
Hoje o lugar mais importante da freguesia é o lugar do Salgueiral, o mais extenso e o maior núcleo populacional; além destes Godim tem ainda mais 24 lugares, 32 quintas e 14 casas com Pedras de Armas.
Um outro documento remonta ao ano de 1341, firmado por D. Afonso IV e dirigido a D. Vasco Martins, bispo do Porto, que diz que os Julgados de Pena Guiam e Godim pertenciam a essa diocese.
Depois, D. Manuel, a 15 de Dezembro de 1519, na altura da reforma dos forais do Reino, concedeu foral novo a Godim.
Não sabemos qual a população de Godim até ao século XVI. Em 1530, ano em que se faz o primeiro recenseamento da Província de Trás os Montes, o concelho de Godim apresenta 61 moradores. Em 1758, o Dicionário Geográfico do Padre Cardoso dá a Godim 409 fogos, o que equivalia a 1.380 habitantes. Depois a população foi subindo e em 1960 o número de habitantes rondava os 2.747.
O concelho de Godim absorvia a actual sede do concelho da Régua, aparecendo muitas vezes anexo ao concelho de Penaguião. Foi por decreto de 6 de Novembro de 1836 em que Vila Real ficava com 24 concelhos, que Godim deixou de ser concelho.
Não sabemos a data da criação da freguesia de Godim; o primeiro presidente da Junta de Freguesia que conhecemos é o Padre Francisco Gomes Carneiro; foi presidente desde 1856 a 1862.
Hoje o lugar mais importante da freguesia é o lugar do Salgueiral, o mais extenso e o maior núcleo populacional; além destes Godim tem ainda mais 24 lugares, 32 quintas e 14 casas com Pedras de Armas.
A paróquia de S. José de Godim
A paróquia de S. José de Godim foi desanexada da de S. Faustino do Peso da Régua, no ano de 1753. Deve datar de pouco antes da sua desanexação a construção da actual igreja. Seria talvez, na opinião de Joaquim Martins Macedo, a construção desse templo, a meia encosta e no meio da freguesia que levaria os moradores a pugnar pela sua autonomia eclesiástica, para não terem de se deslocar ao Peso da Régua, para a celebração dos actos de culto. A igreja terá portanto mais de dois séculos. Antes da sua restauração em 1906 teria cinco altares contando com a capela do Santíssimo Sacramento.
A lista dos párocos de S. José de Godim tanto quanto foi possível elaborá-la, desde a sua fundação em 1753 é a seguinte: P. António Correia Álvares (1753...); P. Francisco Caetano Leite (1789-1802); P. António Pinto de Araújo (1802-1843); P. António Francisco Pereira (1843-1844), encomendado; P. Francisco Gomes Carneiro (1844-1876); P. Henrique Pires de Lima (1876-1877), encomendado; P. António Ribeiro da Silva (1877-1883); P. Alberto Teixeira de Carvalho (1883-1884) encomendado; P. Alberto Teixeira de Carvalho (18841927).
O pároco tinha o título de Reitor ou “Reitor colado”, mas em 1864 o P. Francisco Gomes Carneiro começa a assinar como “Pároco” e assina mesmo “Abade”.
A freguesia foi da diocese do Porto até Setembro de 1882, passando nesta data para a diocese de Lamego, quando se remodelaram as dioceses do reino, em virtude da bula Gravissimi Christi de Leão XIII, de 30 de Setembro de 1881.
Com a criação da diocese de Vila Real a 20 de Abril de 1922, Godim passou para esta diocese, como de resto as dez paróquias do concelho da Régua.
A lista dos párocos de S. José de Godim tanto quanto foi possível elaborá-la, desde a sua fundação em 1753 é a seguinte: P. António Correia Álvares (1753...); P. Francisco Caetano Leite (1789-1802); P. António Pinto de Araújo (1802-1843); P. António Francisco Pereira (1843-1844), encomendado; P. Francisco Gomes Carneiro (1844-1876); P. Henrique Pires de Lima (1876-1877), encomendado; P. António Ribeiro da Silva (1877-1883); P. Alberto Teixeira de Carvalho (1883-1884) encomendado; P. Alberto Teixeira de Carvalho (18841927).
O pároco tinha o título de Reitor ou “Reitor colado”, mas em 1864 o P. Francisco Gomes Carneiro começa a assinar como “Pároco” e assina mesmo “Abade”.
A freguesia foi da diocese do Porto até Setembro de 1882, passando nesta data para a diocese de Lamego, quando se remodelaram as dioceses do reino, em virtude da bula Gravissimi Christi de Leão XIII, de 30 de Setembro de 1881.
Com a criação da diocese de Vila Real a 20 de Abril de 1922, Godim passou para esta diocese, como de resto as dez paróquias do concelho da Régua.
A paróquia de Godim é confiada aos Espiritanos
Os Espiritanos tinham-se instalado na Casa das Vitórias, no Salgueiral, lugar de Godim, numa pequena casa onde alojaram os quatro primeiros estudantes de Teologia que tinham terminado o seu curso preparatório em Braga. Como ao fim de um ano, o número dos seminaristas aumentasse e a Casa das Vitórias não tivesse possibilidade de os acolher, foi necessário comprar outra casa, que apareceu à venda em Viana do Castelo e para lá foram os estudantes.
Mas como a presença dos padres era muito apreciada e o pároco de Godim P. Alberto Teixeira de Carvalho precisava de quem o ajudasse, logo surgiu a ideia de uma fixação dos espiritanos em Godim, com uma obra própria e que poderia também servir inclusive de apoio à paróquia. O P. Alberto Teixeira de Carvalho, que vivia numa casa que ele mesmo mandou construir, em terreno seu, junto do adro da igreja, pois a paróquia não tinha residência, no seu desejo de garantir o futuro daquela paróquia vendeu por sua morte o que ali possuía, a pessoa de sua inteira confiança, (D. José de Lencastre) de modo a garantir residência para quem lhe viesse a suceder.
Concordaram os Espiritanos em construir um seminário no quintal da residência paroquial, sendo a primeira pedra benzida em 1924. É evidente que a intenção do P. Alberto era que os seus bens fossem para a Congregação do Espírito Santo, mas nessa altura vigorava a lei da Separação do Estado das Igrejas, de 20 de Abril de 1911, pela qual “todas as catedrais, igrejas e capelas, bens imobiliários e mobiliários – incluindo as residências paroquiais – que tinham sido ou que se destinavam a ser aplicados ao culto público da religião católica e à sustentação dos seus ministros e outros funcionários dessa religião, tinham sido declarados pertença e propriedade do Estado e dos corpos administrativos e, como consequência disso, foram arrolados e inventariados, sendo em circunstâncias muito específicas e gravosas para a Igreja Católica, concedida a utilização desses bens”.
Em face deste condicionalismo legal e apesar do risco que resultava da cominação prescrita, no art.º 29 de Lei da Separação do Estado das Igrejas, o P. Alberto Teixeira de Carvalho, não hesitou em aproveitar a amizade que o ligava ao D. José de Lencastre para procurar assegurar que a residência paroquial de Godim, que lhe pertencia como propriedade pessoal e exclusiva, ficasse para os Missionários do Espírito Santo como párocos de Godim. E nessa base de confiança, ainda em vida, em 11 de Julho de 1922, declarou vender ao referido D. José a sua residência paroquial e quintal que junto dela possuía.
Alguns anos depois, a 22 de Março de 1927, o P. Alberto falecia com 77 anos e os Espiritanos assumiram a paróquia.
Mas como a presença dos padres era muito apreciada e o pároco de Godim P. Alberto Teixeira de Carvalho precisava de quem o ajudasse, logo surgiu a ideia de uma fixação dos espiritanos em Godim, com uma obra própria e que poderia também servir inclusive de apoio à paróquia. O P. Alberto Teixeira de Carvalho, que vivia numa casa que ele mesmo mandou construir, em terreno seu, junto do adro da igreja, pois a paróquia não tinha residência, no seu desejo de garantir o futuro daquela paróquia vendeu por sua morte o que ali possuía, a pessoa de sua inteira confiança, (D. José de Lencastre) de modo a garantir residência para quem lhe viesse a suceder.
Concordaram os Espiritanos em construir um seminário no quintal da residência paroquial, sendo a primeira pedra benzida em 1924. É evidente que a intenção do P. Alberto era que os seus bens fossem para a Congregação do Espírito Santo, mas nessa altura vigorava a lei da Separação do Estado das Igrejas, de 20 de Abril de 1911, pela qual “todas as catedrais, igrejas e capelas, bens imobiliários e mobiliários – incluindo as residências paroquiais – que tinham sido ou que se destinavam a ser aplicados ao culto público da religião católica e à sustentação dos seus ministros e outros funcionários dessa religião, tinham sido declarados pertença e propriedade do Estado e dos corpos administrativos e, como consequência disso, foram arrolados e inventariados, sendo em circunstâncias muito específicas e gravosas para a Igreja Católica, concedida a utilização desses bens”.
Em face deste condicionalismo legal e apesar do risco que resultava da cominação prescrita, no art.º 29 de Lei da Separação do Estado das Igrejas, o P. Alberto Teixeira de Carvalho, não hesitou em aproveitar a amizade que o ligava ao D. José de Lencastre para procurar assegurar que a residência paroquial de Godim, que lhe pertencia como propriedade pessoal e exclusiva, ficasse para os Missionários do Espírito Santo como párocos de Godim. E nessa base de confiança, ainda em vida, em 11 de Julho de 1922, declarou vender ao referido D. José a sua residência paroquial e quintal que junto dela possuía.
Alguns anos depois, a 22 de Março de 1927, o P. Alberto falecia com 77 anos e os Espiritanos assumiram a paróquia.
A paróquia foi aceite pelos Espiritanos, primeiro porque estavam interessados em ali estabelecer uma obra sua e depois porque a diocese não tinha padre para ali colocar e se a Congregação não aceitasse a paróquia, ela seria anexada à vila vizinha, continuando ao fim e ao cabo o trabalho a cargo dos padres da Congregação que ali estavam, até porque os padres aí gozavam de muita simpatia. Efectivamente, o Conselho Municipal, que era formado por pessoas vindas de fora, tinham cometido a imprudência de apresentar ao bispo um pobre padre, a pretexto de que os Espiritanos estavam já muito ocupados com as aulas.
Então, o P. Moisés Alves de Pinho pediu ao bispo para ligar proforma a paróquia à vila. Mas o bispo queria que os Espiritanos continuassem em Godim na paróquia. (466)
As condições do contrato entre a diocese e a Congregação ficaram expressas na Provisão emanada da Cúria diocesana:
“Vila Real, 4 de Julho de 1927.
Tendo falecido o Rev. P. Alberto Teixeira de Carvalho... e sendo necessário proceder de uma maneira constante e definitiva às necessidades religiosas da referida paróquia, Havemos por bem, de acordo com o Rev. P. Provincial da Congregação do Espírito Santo:
1º. Confiar à mesma Congregação a paroquialidade da referida paróquia de S. José de Godim, ficando a seu cargo a indicação do respectivo pároco, cujo nome será oportunamente notificado a esta Cúria, com a liberdade de o substituir sempre que a mesma Congregação assim o julgar oportuno e podendo os sacerdotes da residência seguir o seu próprio calendário mesmo na igreja paroquial, embora acrescentando as festas próprias da diocese.
2º. Tomamos o compromisso de não retirar a jurisdição paroquial da mesma freguesia à referida Congregação do Espírito Santo, sem pelo menos três meses de antecedência na respectiva comunicação; e manifestamos o desejo que este compromisso seja recíproco.
3º. Para a nomeação do sacerdote indicado para o desempenho deste ministério paroquial seguir-se-ão as normas do Direito Canónico (Cans. 454 e 456). Igualmente, no que diz respeito aos deveres e direitos do pároco, todos serão aceites e compreendidos segundo as normas do mesmo código; procedendo-se de comum acordo nos casos imprevistos ou não mencionados. E para constar mandamos lavrar esta Provisão que será por nós assinada e pelo delegado do Revdo Provincial da Congregação do Espírito Santo, Revdo P. Clemente Pereira da Silva - Vila Real 4 de Julho de 1927. J. Arcebispo Bispo de Vila Real. P. Clemente Pereira da Silva”. (467)
O Conselho Geral, a 7 de Junho de 1927, aprovou a decisão, que pôs como condição que o padre encarregado da paróquia não ficasse exclusivamente para este serviço mas que tivesse também outra ocupação na obra da congregação. (468)
A 26 de Julho de 1928, D. José de Lencastre doava à Corporação dos Missionários do Espírito Santo, na pessoa do seu representante, P. Moisés Alves de Pinho, a casa da residência e seus anexos, que tinha recebido do P. Alberto Teixeira de Carvalho: um prédio (casa de andar e loja, Casa de lagar e vinha, tudo pegado) “com todos os seus anexos e pertenças, serventias e servidões activas”. A doação foi feita com o desejo de “servir a causa das Missões portuguesas no Ultramar a fim de auxiliar a instrução e preparação dos Missionários a enviar às Possessões Ultramarinas”.
O facto explica-se pelo seguinte: Depois do 28 de Maio, a 6 de Junho de 1926 é publicado o decreto de Rodrigues Gaspar que visou tornar efectivo o reconhecimento da personalidade jurídica das Igrejas e a regularizar a situação dos bens afectados ao culto, incluindo as residências dos ministros da religião.
Posteriormente, a 13 de Outubro de 1926, é aprovado e publicado o Decreto nº 12.485 que consagra o Estatuto Orgânico das Missões Católicas Portuguesas da África e de Timor. O artigo 6 deste diploma dispõe que “ficam sendo propriedade das referidas missões e isentas de quaisquer contribuições gerais ou locais, os templos, as escolas, as oficinas, as residências episcopais, eclesiásticas e missionárias ou paroquiais, todos os bens imobiliários e mobiliários eclesiásticos ou missionários, arrolados ou não pelo Estado, e outros que lhes venham a pertencer, assim como os terrenos que o Governo ou qualquer corporação administrativa ou entidade particular lhes tenham concedido ou vierem a conceder, e o mais que tenham adquirido ou venham a adquirir por meios legítimos”. É neste contexto, que já depois da morte do P. Alberto Teixeira de Carvalho, D. José de Lencastre e a esposa fazem doação da residência paroquial de Godim à Congregação dos Missionários do Espírito Santo de Angola, para cumprimento da vontade do P. Teixeira de Carvalho.
Os párocos Espiritanos de Godim foram os seguintes: P. António Ribeiro Teles (1927-1928); P. António Rodrigues Pintassilgo (1928); P. Daniel Gomes Junqueira (1929-1938); P.Cândido Ferreira da Costa (1938-1944); P. Joaquim Correia de Castro (1944-1946); P. José da Fonseca Lopes (1946-1948); P. Joaquim Correia de Castro (1948-1961); P. João Pinto da Silva (1961- 1965); P. Vitorino da Silva Amorim (1965-1967); P. António Pereira Rodrigues (19671972); P. Joaquim Martins (1972-1974); P. Àlvaro da Costa Campos (19741980); P. Agostinho Pereira Rodrigues Brígido (1980-1982); P. António dos Santos Moreira (1982-1984); P. António Alves de Oliveira (1984-1986); P. José Pinto de Carvalho (1986-1994); P. Àlvaro da Costa Campos (1994-1995); P. Ricardo dos Santos Meira (1985-2001) P. Agostinho Pereira Rodrigues Brígido (2001...).
Entre as instituições da paróquia destacamos: o Orfeão Godinense, fundado a 11 de Maio de 1933, pelo P. Mário Silva, professor no seminário e musicólogo distinto. O Orfeão estreou-se a 15 de Agosto desse ano, nas festas de Nossa Senhora do Socorro da Régua, cantando na Alameda principal um brilhante sarau juntamente com o Orfeão do Porto e o Orfeão Reguense. Com a partida do P. Mário, o Orfeão morreu.
Outra instituição marcante da paróquia é o Patronato, fundado pelo P. Alberto Teixeira de Carvalho. Além da verba que ele deixou para esse efeito, colaboraram o engenheiro Joaquim Gaudêncio Pacheco e sua esposa D. Carlota Champallimaud e a Srª D. Antónia Adelaide Ferreira de Lima, viúva do Conselheiro Venceslau de Lima. A obra teve início em Janeiro de 1938, sendo pároco o P. Daniel Junqueira. Posteriormente junto do Patronato foi estabelecida uma creche em cumprimento de uma disposição testamentária de D. Antónia Adelaide Ferreira de Lima. O Patronato destina-se à formação moral e intelectual das crianças. A direcção do Patronato está a cargo das religiosas “Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus”. O Patronato é subsidiado pelo Estado, Câmara Municipal e vários benfeitores. (469)
No dia 8 de Dezembro de 1990 um incêndio atingiu a residência paroquial, queimando uma boa parte do edifício e todo o espólio que nela estava guardado. Salvaram-se com custo os livros de registo paroquial. Este incêndio veio levantar um diferendo já antigo sobre os direitos de propriedade da residência paroquial: a paróquia ou a Congregação do Espírito Santo? Daqui resultou um longo contencioso entre as duas partes, que depois de muita discussão e diálogo, levou à celebração do seguinte acordão entre as duas partes:
“A fim de serem dissipadas as dúvidas ultimamente surgidas sobre direitos de propriedade na chamada “Residência Paroquial” de S. José de Godim, e sendo urgente responder à situação causada pelo incêndio que, em Novembro de 1990, devorou a parte superior da mesma, a Paróquia de S. José de Godim-Régua e a Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo trocaram opiniões, consultaram documentos oficiais, ouviram pessoas de várias idades e pediram pareceres jurídicos sobre o assunto.
1º. A Paróquia de S. José de Godim-Régua reconhece que a Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo é a única e legítima proprietária do edifício onde se encontra a chamada “Residência Paroquial” e do terreno que lhe serve de logradouro, comprometendo-se consequentemente a não mais invocar quaisquer pretensos direitos de qualquer natureza que tenham por objecto os mencionados prédio e terreno;
2º. Por sua vez, a Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo cede à paróquia de S. José de Godim-Régua uma faixa de terreno (130 m2) que possui a sudeste do seminário, contígua a outra já pertença da referida Paróquia, faixa essa que será delimitada, a norte, por uma linha recta, que, partindo da ala norte do Adro paroquial, se prolonga por uma extensão de 14 m.
3º. Além disso, para arranque das obras de construção da nova residência paroquial, a mesma Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo contribui com a quantia de dois milhões de escudos (2.000.000$00) a entregar no acto da assinatura do presente acordo.
O presente acórdão foi lido e aceite pelas duas partes e é assinado pelos seus legítimos representantes para valer como documento de propriedade futura.
Godim, 08.06.93
Então, o P. Moisés Alves de Pinho pediu ao bispo para ligar proforma a paróquia à vila. Mas o bispo queria que os Espiritanos continuassem em Godim na paróquia. (466)
As condições do contrato entre a diocese e a Congregação ficaram expressas na Provisão emanada da Cúria diocesana:
“Vila Real, 4 de Julho de 1927.
Tendo falecido o Rev. P. Alberto Teixeira de Carvalho... e sendo necessário proceder de uma maneira constante e definitiva às necessidades religiosas da referida paróquia, Havemos por bem, de acordo com o Rev. P. Provincial da Congregação do Espírito Santo:
1º. Confiar à mesma Congregação a paroquialidade da referida paróquia de S. José de Godim, ficando a seu cargo a indicação do respectivo pároco, cujo nome será oportunamente notificado a esta Cúria, com a liberdade de o substituir sempre que a mesma Congregação assim o julgar oportuno e podendo os sacerdotes da residência seguir o seu próprio calendário mesmo na igreja paroquial, embora acrescentando as festas próprias da diocese.
2º. Tomamos o compromisso de não retirar a jurisdição paroquial da mesma freguesia à referida Congregação do Espírito Santo, sem pelo menos três meses de antecedência na respectiva comunicação; e manifestamos o desejo que este compromisso seja recíproco.
3º. Para a nomeação do sacerdote indicado para o desempenho deste ministério paroquial seguir-se-ão as normas do Direito Canónico (Cans. 454 e 456). Igualmente, no que diz respeito aos deveres e direitos do pároco, todos serão aceites e compreendidos segundo as normas do mesmo código; procedendo-se de comum acordo nos casos imprevistos ou não mencionados. E para constar mandamos lavrar esta Provisão que será por nós assinada e pelo delegado do Revdo Provincial da Congregação do Espírito Santo, Revdo P. Clemente Pereira da Silva - Vila Real 4 de Julho de 1927. J. Arcebispo Bispo de Vila Real. P. Clemente Pereira da Silva”. (467)
O Conselho Geral, a 7 de Junho de 1927, aprovou a decisão, que pôs como condição que o padre encarregado da paróquia não ficasse exclusivamente para este serviço mas que tivesse também outra ocupação na obra da congregação. (468)
A 26 de Julho de 1928, D. José de Lencastre doava à Corporação dos Missionários do Espírito Santo, na pessoa do seu representante, P. Moisés Alves de Pinho, a casa da residência e seus anexos, que tinha recebido do P. Alberto Teixeira de Carvalho: um prédio (casa de andar e loja, Casa de lagar e vinha, tudo pegado) “com todos os seus anexos e pertenças, serventias e servidões activas”. A doação foi feita com o desejo de “servir a causa das Missões portuguesas no Ultramar a fim de auxiliar a instrução e preparação dos Missionários a enviar às Possessões Ultramarinas”.
O facto explica-se pelo seguinte: Depois do 28 de Maio, a 6 de Junho de 1926 é publicado o decreto de Rodrigues Gaspar que visou tornar efectivo o reconhecimento da personalidade jurídica das Igrejas e a regularizar a situação dos bens afectados ao culto, incluindo as residências dos ministros da religião.
Posteriormente, a 13 de Outubro de 1926, é aprovado e publicado o Decreto nº 12.485 que consagra o Estatuto Orgânico das Missões Católicas Portuguesas da África e de Timor. O artigo 6 deste diploma dispõe que “ficam sendo propriedade das referidas missões e isentas de quaisquer contribuições gerais ou locais, os templos, as escolas, as oficinas, as residências episcopais, eclesiásticas e missionárias ou paroquiais, todos os bens imobiliários e mobiliários eclesiásticos ou missionários, arrolados ou não pelo Estado, e outros que lhes venham a pertencer, assim como os terrenos que o Governo ou qualquer corporação administrativa ou entidade particular lhes tenham concedido ou vierem a conceder, e o mais que tenham adquirido ou venham a adquirir por meios legítimos”. É neste contexto, que já depois da morte do P. Alberto Teixeira de Carvalho, D. José de Lencastre e a esposa fazem doação da residência paroquial de Godim à Congregação dos Missionários do Espírito Santo de Angola, para cumprimento da vontade do P. Teixeira de Carvalho.
Os párocos Espiritanos de Godim foram os seguintes: P. António Ribeiro Teles (1927-1928); P. António Rodrigues Pintassilgo (1928); P. Daniel Gomes Junqueira (1929-1938); P.Cândido Ferreira da Costa (1938-1944); P. Joaquim Correia de Castro (1944-1946); P. José da Fonseca Lopes (1946-1948); P. Joaquim Correia de Castro (1948-1961); P. João Pinto da Silva (1961- 1965); P. Vitorino da Silva Amorim (1965-1967); P. António Pereira Rodrigues (19671972); P. Joaquim Martins (1972-1974); P. Àlvaro da Costa Campos (19741980); P. Agostinho Pereira Rodrigues Brígido (1980-1982); P. António dos Santos Moreira (1982-1984); P. António Alves de Oliveira (1984-1986); P. José Pinto de Carvalho (1986-1994); P. Àlvaro da Costa Campos (1994-1995); P. Ricardo dos Santos Meira (1985-2001) P. Agostinho Pereira Rodrigues Brígido (2001...).
Entre as instituições da paróquia destacamos: o Orfeão Godinense, fundado a 11 de Maio de 1933, pelo P. Mário Silva, professor no seminário e musicólogo distinto. O Orfeão estreou-se a 15 de Agosto desse ano, nas festas de Nossa Senhora do Socorro da Régua, cantando na Alameda principal um brilhante sarau juntamente com o Orfeão do Porto e o Orfeão Reguense. Com a partida do P. Mário, o Orfeão morreu.
Outra instituição marcante da paróquia é o Patronato, fundado pelo P. Alberto Teixeira de Carvalho. Além da verba que ele deixou para esse efeito, colaboraram o engenheiro Joaquim Gaudêncio Pacheco e sua esposa D. Carlota Champallimaud e a Srª D. Antónia Adelaide Ferreira de Lima, viúva do Conselheiro Venceslau de Lima. A obra teve início em Janeiro de 1938, sendo pároco o P. Daniel Junqueira. Posteriormente junto do Patronato foi estabelecida uma creche em cumprimento de uma disposição testamentária de D. Antónia Adelaide Ferreira de Lima. O Patronato destina-se à formação moral e intelectual das crianças. A direcção do Patronato está a cargo das religiosas “Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus”. O Patronato é subsidiado pelo Estado, Câmara Municipal e vários benfeitores. (469)
No dia 8 de Dezembro de 1990 um incêndio atingiu a residência paroquial, queimando uma boa parte do edifício e todo o espólio que nela estava guardado. Salvaram-se com custo os livros de registo paroquial. Este incêndio veio levantar um diferendo já antigo sobre os direitos de propriedade da residência paroquial: a paróquia ou a Congregação do Espírito Santo? Daqui resultou um longo contencioso entre as duas partes, que depois de muita discussão e diálogo, levou à celebração do seguinte acordão entre as duas partes:
“A fim de serem dissipadas as dúvidas ultimamente surgidas sobre direitos de propriedade na chamada “Residência Paroquial” de S. José de Godim, e sendo urgente responder à situação causada pelo incêndio que, em Novembro de 1990, devorou a parte superior da mesma, a Paróquia de S. José de Godim-Régua e a Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo trocaram opiniões, consultaram documentos oficiais, ouviram pessoas de várias idades e pediram pareceres jurídicos sobre o assunto.
1º. A Paróquia de S. José de Godim-Régua reconhece que a Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo é a única e legítima proprietária do edifício onde se encontra a chamada “Residência Paroquial” e do terreno que lhe serve de logradouro, comprometendo-se consequentemente a não mais invocar quaisquer pretensos direitos de qualquer natureza que tenham por objecto os mencionados prédio e terreno;
2º. Por sua vez, a Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo cede à paróquia de S. José de Godim-Régua uma faixa de terreno (130 m2) que possui a sudeste do seminário, contígua a outra já pertença da referida Paróquia, faixa essa que será delimitada, a norte, por uma linha recta, que, partindo da ala norte do Adro paroquial, se prolonga por uma extensão de 14 m.
3º. Além disso, para arranque das obras de construção da nova residência paroquial, a mesma Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo contribui com a quantia de dois milhões de escudos (2.000.000$00) a entregar no acto da assinatura do presente acordo.
O presente acórdão foi lido e aceite pelas duas partes e é assinado pelos seus legítimos representantes para valer como documento de propriedade futura.
Godim, 08.06.93
P. José de Castro Oliveira (Provincial)
P. José Pinto de Carvalho (Pároco de S. José de Godim)
Três membros da Fabriqueira – ilegível”. (470)
A 19 de Março de 1995, foi feito um acordo entre a Congregação e o bispo de Vila Real, em que os Espiritanos se comprometiam a continuar com a responsabilidade da paróquia por mais seis anos, a contar de 1 de Setembro de 1995.
Três membros da Fabriqueira – ilegível”. (470)
A 19 de Março de 1995, foi feito um acordo entre a Congregação e o bispo de Vila Real, em que os Espiritanos se comprometiam a continuar com a responsabilidade da paróquia por mais seis anos, a contar de 1 de Setembro de 1995.
in QUINTA PARTE A PROVÍNCIA E AS SUAS OBRAS, de Adélio TORRES NEIVA
(465) Elementos para a história de Godim, 1961
(466) Carta do P. Pinho de 28/12/1928
(467) AGPPCSSp. B 482 CH V
(467) AGPPCSSp. B 482 CH V
(468) Ibid. Carta de 7 de Julho de 1927
(469) Elementos recolhidos de “Elementos para a história de S.José de Godim”
(470) BPPCSSp. 1993. p. 28-29
in pdf http://docplayer.com.br/43453817-Quinta-parte-a-provincia-e-as-suas-obras.html, [Consulta em 05dez2017]
O gentílico de Lobrigos
«Como se chamam os naturais de Lobrigos (Peso da Régua, Portugal)? “Lobriguense”, “lobricense” ou outro nome de naturalidade?
Rui Moura, Funcionário público, Vila Real, Portugal»
«Existem os topónimos Lobrigo e Lobrigos, o primeiro em Sernancelhe (em Quinta do Lobrigo, segundo o Dicionário Onomástico-Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado) e o segundo na região mencionada na pergunta (ver idem e F. A. de Mattos, Diccionario de Portugal, 1889). José Pedro Machado não define a origem deste destas formas toponímicas: «talvez antropónimo de origem germânica, variante de Laboriz?» (idem). Laboriz (Amarante, Braga) parece ser a evolução do genitivo ‘Loverici’ ou ‘Leouerici’ de ‘Lovericu’ ou ‘Leouericu’, formas hipotéticas que estarão na origem dos nomes Leouerigu e Loverigo, que surgem em documentos medievais portugueses (ibidem).
Se Lobrigo e Lobrigos têm a mesma etimologia, e se esta os faz remontar à formas já apontadas, considero que há, pelo menos, duas possibilidades para formar o respectivo gentílico:
– ou se usa a forma Lobrigo para se obter lobriguense;
– ou se parte dos étimos hipotéticos e forma-se lovericense.
Note-se que opto pela forma ‘Lovericu’ para criar “lovericense”, porque parece mais próxima das formas Lobrigo/Lobrigos. Ignoro se há alguma tradição que estabeleça a forma “lobricense”; se for este o caso, considero que deve ser adoptada, apesar do que já expliquei. (1)
Acrescente-se que o hipotético ‘Leovericu’ seria um composto germânico formado pelo elemento gótico ‘leuba’, «caro, carinhoso» e por ‘rik’, «poderoso, forte» (José Pedro Machado, op. cit.).
(1) O consulente Rui Moura confirma que em Lobrigos, concelho de Santa Marta de Penaguião, próximo de Peso da Régua (Portugal), os habitantes se consideram lobricenses.
in www.ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-gentilico-de-lobrigos/18905 [Consulta em 12nov2017]
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