A BANDEIRA GALAICO-LUSITANA
Símbolo de União Ibero-Ocidental-Atlântica
Apresenta-se a GALAICO-LUSITANA, bandeira simbólica de inspiração ancestral que funde, numa composição visual tripartida, os grandes conceitos identitários da Gallaecia et Lvsitania. Esta insígnia afirma uma união ibero-ocidental-atlântica profundamente enraizada na memória comum, na geografia partilhada, na ancestralidade que nos define, na história que nos moldou, na cultura que nos une, nas tradições que atravessam gerações e na relação indissociável entre a terra que nos sustenta e o mar que nos expande.
Importa esclarecer, de forma inequívoca, o seu carácter exclusivamente cultural e histórico. Esta bandeira não possui dimensão autonomista, independentista ou político-administrativa. Não questiona fronteiras, não propõe alterações de soberania, nem configura qualquer projeto político. Trata-se de um símbolo de celebração identitária, de reconhecimento da herança comum e de afirmação da profunda ligação histórica e cultural entre galaicos e lusitanos. É bandeira da memória, da cultura e da fraternidade - nunca da divisão.
A ESTRUTURA TRIPARTIDA: CÉU, ENCONTRO E TERRA
A bandeira organiza-se em três faixas horizontais cuidadosamente proporcionadas, refletindo uma cosmologia territorial completa:
AZUL superior - evoca a Gallaecia setentrional, assim como o céu infinito, os rios caudalosos e o oceano Atlântico que envolvem a Gallaecia et Lvsitania. Representa a imensidão do horizonte marítimo, a vocação atlântica que nos caracteriza e a abertura cosmopolita que nos projetou no mundo.
BRANCO central (mais estreito) - simboliza o espaço sagrado de união entre a Gallaecia et Lvsitania, o diálogo permanente entre ambas. Representa simultaneamente a língua comum, o galego-português, idioma-mãe que nos identifica e une através dos séculos. É a linha de encontro onde se reconhece a fraternidade essencial.
VERDE inferior - evoca a Lvsitânia meridional, assim como a terra fértil de toda a Gallaecia et Lvsitania. Representa a exuberância dos campos, a permanência telúrica, o enraizamento nas comunidades e a continuidade das tradições agrárias que sustentaram e sustentam estes povos.
Esta estrutura não estabelece hierarquias, mas antes uma complementaridade essencial. As grandes dimensões do mar e da terra encontram-se através de uma linha de união deliberadamente mais contida, sublinhando o carácter precioso, delicado e singular desse espaço de convergência.
AS CORES: AZUL E VERDE - GEOGRAFIA E IDENTIDADE PARTILHADAS
O azul da Gallaecia e o verde da Lvsitania não são cores excludentes, mas tonalidades comuns a ambos os espaços, reflexo de uma paisagem verdadeiramente partilhada.
A Vocação Atlântica: Do Oceano ao Mundo
O azul evoca a imensidão do céu que nos cobre, o Atlântico que banha as costas de norte a sul, e os rios que estruturam o território ocidental da Península - Minho, Lima, Cávado, Douro, Mondego, Tejo, Guadiana. É a cor da água que nos dá identidade, da navegação que nos define, do horizonte infinito que sempre nos chamou.
Este azul não representa apenas geografia, mas uma vocação histórica. Dos portos atlânticos galaico-lusitanos partiram embarcações que abriram rotas para novos continentes. O Atlântico foi estrada líquida que conduziu à América, África, Ásia e Oceania. Esta bandeira celebra a herança marítima comum: pescadores, construtores navais, cartógrafos, mercadores e navegadores que transformaram o oceano em ponte entre civilizações. Celebra tanto figuras históricas marcantes como os inúmeros marinheiros anónimos galegos e portugueses que fizeram do mar o seu destino.
O azul é, assim, o azul dos horizontes sem fim, das rotas que expandiram o conhecimento humano, da coragem marítima e de uma identidade atlântica profunda e partilhada.
A Vocação Telúrica: Da Terra ao Futuro
O verde simboliza a terra fértil, a exuberância atlântica, a vitalidade agrícola e o enraizamento secular das comunidades humanas. É a cor da permanência, da continuidade, do trabalho honesto que sustenta gerações.
Este verde não representa apenas paisagem, mas uma vocação ancestral. Dos campos férteis da Galécia e Lusitânia brotaram culturas, tradições e modos de vida profundamente ligados à terra. Entre montes, vales e rios, formou-se uma identidade moldada pelo trabalho agrícola, pela pastorícia e pelo respeito pelos ciclos naturais. Esta bandeira celebra a herança rural comum: lavradores, viticultores, pastores, artesãos e comunidades que fizeram da terra sustento e continuidade. Celebra tanto figuras emblemáticas da cultura agrária como os inúmeros homens e mulheres anónimos galegos e portugueses que, geração após geração, cultivaram o solo e preservaram saberes transmitidos ao longo dos séculos.
O verde é, assim, o verde dos campos que alimentam, das florestas que protegem, das vinhas que florescem e dos caminhos que ligam aldeias e cidades. É a cor da renovação, da esperança e da ligação profunda a uma paisagem partilhada que continua a inspirar um futuro comum.
Juntas, estas cores representam a complementaridade entre litoral e interior, vocação marítima e permanência telúrica, abertura cosmopolita e estabilidade territorial - dimensões que definem tanto galaicos como lusitanos.
AS DOZE ESTRELAS: CONSTELAÇÃO DE UNIDADE E MEMÓRIA
A bandeira apresenta doze estrelas - dez douradas, uma verde e uma azul - dispostas de forma harmoniosa e simétrica, formando uma constelação simbólica de significado profundo.
Na faixa azul superior, cinco estrelas douradas formam um arco celestial que evoca a abóbada celeste que guiou povos e navegadores atlânticos ao longo dos séculos. Representam também a nossa história e cultura comuns - as conquistas, as lutas, os momentos de glória e de sacrifício que forjaram a identidade galaico-lusitana.
Na faixa verde inferior, cinco estrelas douradas dispõem-se em padrão semicircular, como sementes lançadas à terra fértil, símbolo de continuidade e prosperidade. Representam também a nossa ancestralidade comum - as raízes pré-romanas, a herança celta, a romanização que nos nomeou, a formação medieval que nos estruturou.
Estas estrelas evocam também as constelações que orientaram travessias oceânicas - a Estrela Polar, o Cruzeiro do Sul e os astros que permitiram calcular latitudes e traçar rotas. São símbolos da sabedoria náutica, da coragem dos que se lançaram ao desconhecido guiados apenas pelas estrelas.
Na faixa branca central surgem duas estrelas cromáticas, criando um eixo visual de reciprocidade e reconhecimento mútuo:
Estrela verde (à esquerda) - representa a Lvsitania no espaço de união, afirmando a sua presença e contributo no território partilhado.
Estrela azul (à direita) - simboliza a Gallaecia igualmente presente nesse território comum, reconhecendo e celebrando a identidade irmã.
O conjunto das doze estrelas simboliza unidade humana e continuidade histórica, galaico-lusitanas, galego-portuguesas - não fronteiras políticas. O dourado predominante evoca dignidade ancestral, memória coletiva e permanência civilizacional. É a cor do sol que ilumina, do ouro que perdura, da herança que atravessa séculos.
A FAIXA BRANCA CENTRAL: LINHA DE UNIÃO ESSENCIAL
A faixa branca central, embora mais estreita que as faixas azul e verde, ocupa a posição crucial na composição: é o coração da bandeira, o espaço onde se concretiza o encontro. A sua dimensão contida não diminui, antes reforça, o carácter precioso e sagrado deste lugar simbólico.
O branco evoca paz duradoura, clareza de propósitos, transparência nas relações e diálogo permanente. É espaço de entendimento cultural, de celebração da herança comum, de fraternidade genuína. Nunca de contestação política, nunca de reivindicação territorial, nunca de divisão.
As duas estrelas cromáticas colocadas neste campo reforçam a ideia de que cada identidade reconhece a outra no espaço partilhado. Não há absorção, não há dominação - há reconhecimento mútuo, respeito e celebração da diversidade que enriquece a unidade.
Esta faixa representa também a língua comum - o galego-português, idioma-mãe que nos une através dos séculos. É a língua dos trovadores, dos cantares, das narrativas épicas, da poesia lírica. É o código partilhado que permite o diálogo, a transmissão da memória, a expressão da alma coletiva.
SIMETRIA E EQUILÍBRIO: IGUALDADE SEM HIERARQUIAS
A disposição das estrelas revela rigor compositivo e profunda intencionalidade simbólica. Os arcos superiores e inferiores espelham-se perfeitamente, transmitindo estabilidade e igualdade. As faixas azul e verde possuem dimensão equivalente, reconhecendo igual importância simbólica a Gallaecia e Lvsitania.
A faixa branca, embora mais estreita, concentra o significado essencial da união. A sua posição central e o seu papel de ponte entre azul e verde conferem-lhe um protagonismo simbólico que transcende a dimensão física.
Não há dominação, apenas complementaridade. Não há hierarquia, apenas diversidade. Não há subordinação, apenas fraternidade.
SÍNTESE: IDENTIDADE CULTURAL E HORIZONTE PARTILHADO
No seu conjunto harmonioso, esta bandeira afirma uma identidade histórica e cultural profundamente enraizada - ibero-ocidental-atlântica, ancestralmente galaico-lusitana e essencialmente galego-portuguesa.
Olha para trás com orgulho e gratidão, reconhecendo a herança pré-romana que nos deu os primeiros alicerces, a romanização que nos nomeou Gallaecia e Lvsitania, a formação medieval do Reino da Galiza e do Condado Portucalense, a epopeia marítima que projetou estes povos pelo mundo e a consolidação das identidades modernas que hoje conhecemos.
Mas projeta-se também para o futuro com confiança e esperança: não como projeto político, mas como património cultural; não como reivindicação territorial, mas como celebração identitária; não como proposta administrativa, mas como memória viva e partilhada que inspira e orienta.
É, em suma, o estandarte simbólico de uma comunidade humana que soube fazer da diversidade riqueza e da proximidade geográfica destino comum. Entre serras e oceano, entre campos férteis e portos atlânticos, reconhece-se uma origem partilhada e uma herança marítima que nos define.
É a celebração da fraternidade ibero-ocidental-atlântica - cultural, histórica e profundamente humana. Jamais política ou contestatária.
Gallaecia et Lvsitania
15 de fevereiro de 2026
#porMdQ - Monteiro de Queiroz




