
”Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?"
Por Monteiro de Queiroz, 2018
“PENAGUIÃO”?... “SANTA MARTA”?... “SANTA MARTA DE PENAGUIÃO”?...
SOANGA - SOENGA, BARRO DE BISALHÃES
“[a] O Barro Preto de Bisalhães no concelho de Vila Real foi em 2016 declarado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, sendo incluído na lista de património que requer medidas urgentes de salvaguarda.”
Ver em [http://toponimiagalaicolusitana.blogspot.com/2025/02/rua-da-soanga.html]
Fontes:
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Louça_preta_de_Bisalhães];
[https://ich.unesco.org/en/USL/bisalhaes-black-pottery-manufacturing-process-01199];
Vídeo em [https://m.youtube.com/watch?v=OtpuHzDtdMc];
[https://observalinguaportuguesa.org/olaria-negra-de-bisalhaes-declarada-patrimonio-da-unesco/];
[r.2025.02.17 - #porMdQ]
[act.2025.02.17 - idem]
O Alto Douro é um cantão excepcional
“Talvez que em toda a Península e em toda a Europa, in illo tempore, não houvesse um paiz tão rico, tão cheio de prata e ouro, joias, estofos, louça e mobilia do Japão e da India, como era o Douro. — Graças ao marquez de Pombal, a quem o Douro ha muito tempo devia — por gratidão — ter levantado um monumento — uma estatua, na formosa villa da Regoa,— villa que é o centro e coração do Douro, e não existia antes do marquez de Pombal em 1756 fundar a poderosa Companhia da Agricultura e Vinhos do Alto Douro.
A mencionada Companhia foi muito privilegiada, mas transformou em luxuosos vinhedos, que produzem o vinho mais generoso de Portugal e do mundo inteiro, — as ingremes, alcantiladas, pedragosas e ardentíssimas encostas da dita região, até alli sem valor, pois, como já dissemos no 1.° volume d'esta obra, as ditas encostas anteriormente estavam incultas na sua maior parte e só produziam sumagre?!...
O Alto Douro é um cantão excepcional, que demanda legislação igualmente excepcional. — Assim o comprehendeu o primeiro ministro que Portugal tem tido até hoje — o grande marquez de Pomhal.
Uma poderosa Companhia não só enriqueceu o Douro — mas Portugal todo?!
A um meu ascendente disse n'aquelle tempo certo negociante de Lisboa : — «Nós mesmo aqui, nas transacções commerciaes, notamos a decadência ou a prosperidade do Douro». — E mais — muito mais!... — devia e deve notar-se no Porto por ser o empório dos vinhos do Douro — e porque os negociantes, proprietários e lavradores (?) do Douro se forneciam e fornecem quasi exclusivamente do Porto - e no Porto consumiam e consomem a maior parte das suas rendas.
É um disparate, uma loucura e falta de criterio dos nossos governantes o equipararem o Douro ás nossas regiões vinicolas do centro e sul do nosso paiz.
O Douro, como todos sabem, — é muito escabroso, muito ardente, muito alcantilado e muito pedragoso, mórmente a parte que produz o vinho mais generoso, — a que ouve ranger a espadela dos barcos rabellos ou que está mais proxima do rio e é a mais ardente. — O seu clima no verão sustenta o confronto com a zona tórrida, pois, como já dissemos, no rigor da estiagem tremera alli com sezões os gatos, as gallinhas e os cães, — derrete-se a solda das vazilhas de lata e destemperam-se os machados, os cutellos, as podôas e outros instrumentos de ferro que fiquem expostos á tisneira.
As proprias pedras tornam-se candentes; — estalam com o calor — e durante a construcção da linha ferrea do Douro, os jornaleiros assavam as sardinhas nos rails, ainda em montão e expostos á tisneira. — Isto é facto que em Pinhão presenciou um meu criado, filho de Lamego, homem sério, digno de todo o credito.
O clima é tão ardente que por vezes as próprias perdizes voando, sendo aves tão valentes, cahem a terra, suffocadas com o calor?!...
Parece incrível, mas é facto que eu posso affirmar e jurar, pois certo dia, no rigor do verão, sendo eu abbade de Tavora, no alto Douro e, seguindo a cavallo para o meu casarão da Corvaceira, no baixo Douro, e passava a jusante da quinta de Valmôr 1 pela margem esquerda do rio, atravez d'um areal candente, porque ao tempo ainda não estava feita a estrada marginal a macadam, — vi com surpreza uma perdiz voando atabalhoadamente da direita do Douro pra a esquerda e cahir no areal junto de mim, ficando inerte, como fulminada!”
_______________
“1 Este nome é de phantasia e moderno. O seu velho nome era quinta
da Penha, mas, quando a comprou José Izidoro Guedes, unindo-a a
outra que herdára do seu primeiro sogro, deu-lhe o nome de Valmôr e d'ella
tomou o titulo de Visconde de Valmôr.
A quinta é uma das maiores do alto Douro e tem boa
casa d'habitação e bons armazens que fôram feitos sobre uma grande penha,
pelo que se denominou quinta da Penha. O nome era bem apropriado, — não
o de Valmôr, pois quer dizer valle-mór, valle maior ou
muito grande, — valle que não se lobriga em tal quinta.
Ella pertence á freguezia da Folgosa e á de Villa
Secca d’Armamar, pelo que lhe dediquei um largo tópico no Portugal
antigo e moderno, vol. XI, pag. 1:063, col. 2.ª e seguinte, fallando de Villa
Secca de Armamar.”
FERREIRA, Pedro Augusto, Abade de Miragaya, aposentado, TENTATIVA
ETYMOLOGICO-TOPONYMICA, 1915, 2º Volume, pág. 217, 218, 219
[https://ia800202.us.archive.org/4/items/tentativaetymolo02ferr/tentativaetymolo02ferr.pdf],
[r.2025.01.19 - #porMdQ]

