TERRAS DE PENAGOYÃ:

Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?
"

Por Monteiro de Queiroz, 2018

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

O Alto Douro é um cantão excepcional


“Talvez que em toda a Península e em toda a Europa, in illo tempore, não houvesse um paiz tão rico, tão cheio de prata e ouro, joias, estofos, louça e mobilia do Japão e da India, como era o Douro. — Graças ao marquez de Pombal, a quem o Douro ha muito tempo devia — por gratidão — ter levantado um monumento — uma estatua, na formosa villa da Regoa,— villa que é o centro e coração do Douro, e não existia antes do marquez de Pombal em 1756 fundar a poderosa Companhia da Agricultura e Vinhos do Alto Douro.

A mencionada Companhia foi muito privilegiada, mas transformou em luxuosos vinhedos, que produzem o vinho mais generoso de Portugal e do mundo inteiro, — as ingremes, alcantiladas, pedragosas e ardentíssimas encostas da dita região, até alli sem valor, pois, como já dissemos no 1.° volume d'esta obra, as ditas encostas anteriormente estavam incultas na sua maior parte e só produziam sumagre?!...

O Alto Douro é um cantão excepcional, que demanda legislação igualmente excepcional. — Assim o comprehendeu o primeiro ministro que Portugal tem tido até hoje — o grande marquez de Pomhal.

Uma poderosa Companhia não só enriqueceu o Douro — mas Portugal todo?!   

A um meu ascendente disse n'aquelle tempo certo negociante de Lisboa : — «Nós mesmo aqui, nas transacções commerciaes, notamos a decadência ou a prosperidade do Douro». — E mais — muito mais!... — devia e deve notar-se no Porto por ser o empório dos vinhos do Douro — e porque os negociantes, proprietários e lavradores (?) do Douro se forneciam e fornecem quasi exclusivamente do Porto - e no Porto consumiam e consomem a maior parte das suas rendas.

É um disparate, uma loucura e falta de criterio dos nossos governantes o equipararem o Douro ás nossas regiões vinicolas do centro e sul do nosso paiz.

O Douro, como todos sabem, — é muito escabroso, muito ardente, muito alcantilado e muito pedragoso, mórmente a parte que produz o vinho mais generoso, — a que ouve ranger a espadela dos barcos rabellos ou que está mais proxima do rio e é a mais ardente. — O seu clima no verão sustenta o confronto com a zona tórrida, pois, como já dissemos, no rigor da estiagem tremera alli com sezões os gatos, as gallinhas e os cães, — derrete-se a solda das vazilhas de lata e destemperam-se os machados, os cutellos, as podôas e outros instrumentos de ferro que fiquem expostos á tisneira.

As proprias pedras tornam-se candentes; — estalam com o calor — e durante a construcção da linha ferrea do Douro, os jornaleiros assavam as sardinhas nos rails, ainda em montão e expostos á tisneira. — Isto é facto que em Pinhão presenciou um meu criado, filho de Lamego, homem sério, digno de todo o credito.

O clima é tão ardente que por vezes as próprias perdizes voando, sendo aves tão valentes, cahem a terra, suffocadas com o calor?!...

Parece incrível, mas é facto que eu posso affirmar e jurar, pois certo dia, no rigor do verão, sendo eu abbade de Tavora, no alto Douro e, seguindo a cavallo para o meu casarão da Corvaceira, no baixo Douro, e passava a jusante da quinta de Valmôr 1 pela margem esquerda do rio, atravez d'um areal candente, porque ao tempo ainda não estava feita a estrada marginal a macadam, — vi com surpreza uma perdiz voando atabalhoadamente da direita do Douro pra a esquerda e cahir no areal junto de mim, ficando inerte, como fulminada!”

_______________

“1 Este nome é de phantasia e moderno. O seu velho nome era quinta da Penha, mas, quando a comprou José Izidoro Guedes, unindo-a a outra que herdára do seu primeiro sogro, deu-lhe o nome de Valmôr e d'ella tomou o titulo de Visconde de Valmôr.

A quinta é uma das maiores do alto Douro e tem boa casa d'habitação e bons armazens que fôram feitos sobre uma grande penha, pelo que se denominou quinta da Penha. O nome era bem apropriado, — não o de Valmôr, pois quer dizer valle-mór, valle maior ou muito grande, — valle que não se lobriga em tal quinta.

Ella pertence á freguezia da Folgosa e á de Villa Secca d’Armamar, pelo que lhe dediquei um largo tópico no Portugal antigo e moderno, vol. XI, pag. 1:063, col. 2.ª e seguinte, fallando de Villa Secca de Armamar.”


FERREIRA, Pedro Augusto, Abade de Miragaya, aposentado, TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA, 1915, 2º Volume, pág. 217, 218, 219

[https://ia800202.us.archive.org/4/items/tentativaetymolo02ferr/tentativaetymolo02ferr.pdf], [r.2025.01.19 - #porMdQ]

#GGAALLÉÉCCIIAA


#GGAALLÉÉCCIIAA

Desculpem, mas só não aprende quem não quer! Ou então teimam em se manter presos a uma ideia retrógada e parada no tempo. Se não existe "Galécia" no galego, então só posso concluir que o galego não evoluiu do galego-português conforme o português evoluiu. Razão terão aqueles que defendem que o galego ficou parado no tempo. Isto por culpa de alguns, me desculpem, teimosos. Concluo também que aqueles que afirmam à boca cheia que o português é galego estão profundamente errados. Se o galego nem o termo "Galécia" possue!... Preferem ainda por cima o termo "Galícia" que tudo indica ser de origem castelã! Mas o que seria de esperar de um idioma que está a perder terreno e ainda por cima os seus falantes não se entenderem ao nível ortográfico?

Sinceramente... [https://www.facebook.com/share/p/15VCDF97iP/]

por Monteiro deQueiroz, 14.06.2023, in Quintal da Galécia [Grupo FB]

Diassistema Galego-Português


QUESTÃO QUE SE COLOCA

... tendo em conta o conceito de “diassistema” e os diferentes exemplos possíveis, sendo nos níveis fonético, escrito ou lexical, coloca-se a seguinte questão:

No caso da progressão castelanizante do galego continuar - que é o previsto, infelizmente, por acção maligna das instituições competentes e oficiais, o galego deixará a longo prazo de pertencer ao DIASSISTEMA GALEGO-PORTUGUÊS?

por Monteiro deQueiroz, 2024.01.04
[http://docsdequeiroz.blogspot.com/2025/01/o-galego-e-o-portugues-nasceram-na.html]

#DiassistemaGalegoPortuguês

O galego e o português "nasceram" na Galécia

O DIASSISTEMA “GALEGO E PORTUGUÊS” [1ª ACTUALIZAÇÃO]
O galego e o português “nasceram” na Galécia

(Nota: coloca-se uma questão no final do artigo.)

O galego e o português não nasceram na Galiça nem em Portugal. Ambos evoluíram de um tronco comum “linguístico” que evoluiu do "latim vulgar" falado na ancestral Galécia romano-sueva-visigoda - com capital e centro irradiador social, religioso, político, económico e cultural sediados na antiga "Bracara Augusta" - sede do antigo “Convento Bracarense”, a actual Cidade de Braga fundada pelos romanos por volta do ano 16 a.C. e assim nomeada em honra do Imperador César Augusto.

Por sua vez esse latim “galeciano” tinha evoluído do "latim vulgar luso-galaico", latim vulgar esse que subiu lentamente, com a conquista romana, do sul peninsular através da Bética até ao noroeste peninsular. Durante essa longa viagem de séculos para norte e para este, o latim foi-se adaptando às montanhas e aos seus habitantes, os povos da montanha e dos castros. 

Quando a Galiça e Portugal, conforme os conceptualizamos hoje se formaram posteriormente, transformando geopoliticamente a antiga Galécia na Galiça e em Portugal, não esquecendo as Astúrias e Leão, a “linguagē” falada a norte do Minho foi lentamente e por séculos sufocada pelo castelão e a do sul super influenciada pelas linguagens meridionais lusitano-latino-arabizadas e, mais recentemente, desde os séculos XV/XVI, pelas linguagens de além-mar ameríndias, africanas e asiáticas.

Apesar de longos séculos de separação e de evolução diferentes, o galego e o português não deixaram de demonstrar a sua identidade comum, formando um diassistema a exemplo de outros, como por exemplo, o asturo-leonês e o mirandês, o búlgaro e o macedônio, o catalão-valenciano e o occitano, o dinamarquês e o norueguês, o neerlandês e o flamengo, o romeno e o moldávio, o sérvio e croata, o tcheco e o eslovaco, entre outros.

Por Monteiro deQueiroz

 
Noção de DIASSISTEMA

Um diassistema é um termo da dialetologia que define um sistema virtual que existe na base estrutural de duas ou mais línguas com alto grau de inteligibilidade mútua. As razões para a existência dos diassistemas são múltiplas; normalmente a consideração como línguas separadas é derivada dum desenvolvimento histórico e cultural diferente a partir de um determinado momento histórico. As diferenças podem afetar o léxico, tal qual ocorre entre o occitano e o catalão devido à influência respectiva do francês e do castelhano. [1]

Também existem casos nos quais a maior diferença ocorre no sistema de escrita empregado, caso do hindi, que utiliza o devanágari, e o urdu, que emprega o alfabeto árabe, embora ambas as línguas sejam mutuamente inteligíveis. Em outros casos, os fatores legais e políticos os consideram línguas diferentes a legislação existente estabelece uma diferença entre dialetos apesar de não existirem barreiras reais de compreensão entre essas variedades linguísticas, nem na sua fonética, escrita ou léxico, como ocorre no caso do romeno e o moldavo. A determinação de um diassistema permite reduzir dificuldades na identificação de fronteiras lingüísticas e na explicação de fenômenos dialetais.

Referência:
[1] Trask (1996) : 112, via [https://pt.wikipedia.org/wiki/Diassistema]

Bibliografia:
Trask, Robert L. (1996). A Dictionary of Phonetics and Phonology. London: Routledge

Retirado da Wikipédia, [https://pt.wikipedia.org/wiki/Diassistema], [r.2025.01.04 - #porMdQ]


SISTEMA LINGUÍSTICO HISTÓRICO

O sistema linguístico histórico galego-português ou sistema linguístico galego-luso-brasileiro, é um diassistema formado por conjunto de variedades linguísticas derivadas do galego-português medieval.”

Notas:

[1] Henrique Monteagudo, Variación e cambio no sistema lingüístico histórico galego-portugués, ILG.

[2] Henrique Monteagudo, Sobre a polémica da Normativa do Galego, Grial, número 107, páxinas 293-313

Retirado da Wikipédia, [https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_linguístico_histórico_galego-português], [r.2025.01.05 - #porMdQ]


INTELIGIBILIDADE MÚTUA

Facilidade de compreensão entre idiomas

Em linguística, a inteligibilidade mútua ou intercompreensão é a relação entre os idiomas em que os falantes de línguas diferentes, mas relacionadas, podem compreender uns aos outros com relativa facilidade, sem estudos intencionais ou esforços extraordinários. Às vezes, é usada como um critério para distinguir línguas de dialetos, embora os fatores sociolinguísticos também sejam importantes.

A inteligibilidade entre línguas pode ser assimétrica, quando o falante de um idioma entende os falantes de outro, mas sem que ocorra o inverso. É quando ela é relativamente simétrica que é caracterizada como "mútua". Ela existe em diferentes graus entre muitas línguas aparentadas ou geograficamente próximas do mundo, muitas vezes no contexto de uma continuidade dialetal.

Retirado da Wikipédia
Ver +++ em [https://pt.wikipedia.org/wiki/Inteligibilidade_mútua], [r.2025.01.05 - #porMdQ]


QUESTÃO QUE SE COLOCA

Pelo seguinte, e tendo em conta o conceito de “diassistema” e os diferentes exemplos possíveis, sendo nos níveis fonético, escrito ou lexical, coloca-se a seguinte questão:

No caso da progressão castelanizante do galego continuar - que é o previsto, infelizmente, por acção maligna das instituições competentes e oficiais, o galego deixará a longo prazo de pertencer ao DIASSISTEMA GALEGO-PORTUGUÊS?

por Monteiro deQueiroz, 2024.01.04
[http://docsdequeiroz.blogspot.com/2025/01/o-galego-e-o-portugues-nasceram-na.html]

#DiassistemaGalegoPortuguês

LINGUAGĒ LADINHA PORTUGUEZ


LINGUAGĒ LADINHA PORTUGUEZ

Versão: 2024.10.09

[p.2024.10.09 - porMdQ]
[recolhas.Monteiro deQueiroz]

CRONOLOGIA DA “LINGUAGĒ PORTUGUEZ”

{1} - O GALEGO-PORTUGUÊS

«O termo galego-português é a designação contemporânea para a língua românica falada durante a Idade Média nas regiões de Portugal e da Galiza e o atual sistema linguístico *[1] que ocupa toda a faixa ocidental da Península Ibérica, incluindo os diversos dialetos das línguas portuguesa e galega, assim como as variedades próprias das Astúrias, Bierzo, Portelas, de Xálima, das Terras de Alcântara, de Olivença e de Barrancos. Para além destes territórios, as aldeias de Rio de Onor e Guadramil também podem ser incluídas nesta faixa, tendo sido até meados do século XX de fala leonesa.

O idioma galego-português, na época chamado apenas de linguagem, é o idioma ancestral comum às línguas galaico-portuguesas. Destacou-se pela sua utilização como idioma próprio da poesia trovadoresca não só nos reinos onde era nativa (Portugal, Galiza e Leão) mas também em Castela e, pontualmente, noutros locais da Europa.» 

{1}.

{2} - QUE LÍNGUA SE FALAVA EM PORTUGAL QUANDO SE TORNOU INDEPENDENTE? 

«Quando Portugal se tornou independente, os habitantes do novo reino continuaram a usar a língua que já usavam antes. Esta língua não tinha nome e não era particularmente diferente da língua falada na Galiza. Ninguém considerou necessário declarar qual era o idioma do reino. Dizemos hoje que o latim era oficial, mas esse conceito não existia, pelo menos com a definição que lhe damos hoje. O latim era a língua usada, na escrita, por quem escrevia - que eram poucos.

O reino expandiu-se para sul e, com ele, veio o idioma. No Sul, falava-se ainda latim hispânico já muito mudado e com muitas influências árabes − a língua a que chamamos hoje moçárabe. A língua do Norte era a língua da corte e dos soldados, da administração. A população acabou por moldar o seu latim a esse outro latim, incrustando-lhe umas pepitas moçárabes.

Aquele antigo latim do Norte − a que podemos chamar galécio, galego, portucalense, romance da Galécia ou da Galiza… − ganhou outro sabor, outros sons, algumas outras palavras, um tom ligeiramente diferente ao misturar-se com o latim do Sul, mas não deixou de ser a língua do Noroeste, agora transplantada para Sul, agora falada da  Corunha ao Algarve.»

{2}.

{3} - Os “Latim, Ladinho, Ladimo, Ladino, Lídimo, Aravia, Arabia, Geringonça Judenga, Hebraico” …

«LADINHO, *[2] adj. antiq. linguagem ladinha Portuguez. Ord. Aj. 2, f. 513. o romance puro de Portugal, derivado do Latim, sem mescla de Aravia, ou da Gerigonça Judenga; ou em Portuguez e não em Hebraico, na Cit. Ord. Afons.».

«LADÍNHO, A, *[3] adj. ant. Legitimo, puro; sem corrupção: “linguagem ladinha Portugueza” Ord. Af. 2. f. 513. i. é, o romance puro de Portugal, der. do Lat. sem mescla de arabía, ou da geringonça Judenga; ou em Portuguez, e não em Hebraico.

LADİNO, A, *[3] adj. (corrupção de latino) Legitimo, derivado do Latim, sem mescla do Arabico: “Mouros que sabião fallar ladino” sabiam o Portuguez não algemiado (deriv. do Latino idioma, e differente da arabía). Ined. 2. 424. §. Homen ladino; loc. fig. não rude; esperto, fino, passado. Eufr. f. 3. §. Escravo ladino; o que já sabe a lingua, e o serviço ordinario de casa.»

«LADÍMO e LADINHO *[4] - portuguez antigo - puro, sem mistura, genuíno. Nas províncias do Norte ainda se emprega a palavra lídimo, para significar o mesmo.»

{3}.

{4} - LINGUAGĒ PORTUGUEZ

1258 -
“Linguagē” assim chamavam no séc. XIII à língua vulgar usada no Reino de Portugal. *[5]

Foi nas Inquirições de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis, que em Portugal se começou a usar na escrituração oficial do reino a chamada “linguagē”, falada e escrita, iniciando-se dessa forma a substituição do latim na documentação régia.

Lourenço Gomez, de Porto de Mós, propôs ao escrivão responsável pela escrituração das Inquirições que o fizesse em “linguagē” em vez de latim.

«Aqui me disse Lourenço Gomez de Porto de Moos que fezera mal porque nõ screvera per linguagē, e por esso o torney en linguagē des aqui adeante».

1290 -
Dom Dinis decretou que a “linguagē” passasse a ser usada na corte em vez do latim. *[6]

«Em 1290 o Rei Dinis I de Portugal decretou que a "língua vulgar" fosse usada em vez do latim na corte».

1296 -
Em 1296, no reinado de Dom Dinis, a “linguagē” passa a ser usada nos documentos oficiais da chancelaria régia portuguesa. *[6]

«Em 1296 essa língua [vulgar] foi adaptada pela chancelaria régia e passou a ser usada não só na poesia, mas também na redação das leis e pelos notários».

1296 e seguintes -
A partir de 1296, no reinado de Dom Dinis, começam a aparecer referências à “linguagē portuguez”. *[6]

«Começaram então a aparecer referências à «linguagem português».»

1331 -
No reinado de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis, Martim Anes, Abade da Igreja de Santa Maria de Borbela, Vila Real, traslada um “liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto” de “latin en l[i]nguage”. *[7]

«Este liuro foi traladado per outro liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto per mão de mj Martim anes Abbade da jgreia de Sancta Maria de boruela o qual os viij sexternos de latin en l[i]nguage torney e foy acabado no mes de mayo e na vila de Sanctaren quando hy o dicto Senhor fez Cortes com os prelados e mestres e Ricos homens e os procuradores das clerizias e dos Concelhos do seu Senhorio na Era de mil trezentos sassenta noue annos [1331 da era actual]».

1430 -
O Infante Dom Pedro de Avis traduz "dos Oficios" de Tullio para português.*[8]

«E por que nom sey per que aventuira se acertou que huü livro, que assaz d'annos ha me deu nosso irmãao, o Infante Dom Fernando, o qual Tullio compôs, e chama-se "dos Oficios", em este anno passado tomey afeiçom a leer per elle. E quanto mais lia tanto me parecia melhor e mais virtuoso, e non soomente a mym, mas assy parecia a alguüs outros a que eu liia em portugues alguüs seos capítulos, em tanto que per elles algüas vee[ses] fuy requerido que tornasse este livro em esta linguagem.»

{4}.

{5} - REGISTO DE PUBLICAÇÕES NO QUINTAL DA GALÉCIA
Em [https://www.facebook.com/QuintalDaGalecia]

Quintal da Galécia | LÍNGUA [I]

ERA 1430 *[9]

"O português, por seu lado, desenvolveu-se no único território peninsular independente do domínio linguístico do castelhano, e, em 1430, é referido pela primeira vez simplesmente como "português" pelo Infante D. Pedro, na introdução à sua tradução de De Officiis, de Cicero.”

Quintal da Galécia | LÍNGUA [II]

ERA 1430 *[10]

«E por que nom sey per que aventuira se acertou que huü livro, que assaz d’annos ha me deu nosso irmãao, o Infante Dom Fernando, o qual Tullio compôs, e chama-se "dos Oficios", em este anno passado tomey afeiçom a leer per elle. E quanto mais liia tanto me parecia melhor e mais virtuoso, e non soomente a mym, mas assy parecia a alguüs outros a que eu liia em portugues alguüs seos capítulos, em tanto que per elles algüas vee[ses] fuy requerido que tornasse este livro em esta linguagem.»

Quintal da Galécia | LÍNGUA [III]

ERA 1290 *[11]

«Por alturas do reinado de D. Dinis, o romance falado em Portugal começou a ser usado nos documentos oficiais. Ninguém lhe deu nome, no entanto. Aquela era a «linguagem», nome que se dava a essa forma de falar diferente do latim. Começaram a aparecer referências à «linguagem português» (a concordância era peculiar, mas era assim).»

Quintal da Galécia | LÍNGUA [IV]

ERA 1258 *[12]

«Aqui me disse Lourenço Gomez de Porto de Moos que fezera mal porque nõ screvera per linguagẽ, e por esso o torney en linguagẽ des aqui adeante».

Quintal da Galécia | LÍNGUA [V]

ERA 1331 *[13]

«Este liuro foi traladado per outro liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto per mão de mj Martim anes Abbade da jgreia de Sancta Maria de boruela o qual os viijº sexternos de latin en l[i]nguagẽ torney e foy acabado no mes de mayo e na vila de Sanctaren quando hy o dicto Senhor fez Cortes com os prelados e mestres e Ricos homens e os procuradores das clerizias e dos Concelhos do seu Senhorio na Era de mil trezentos sassenta noue annos [1331 da era actual]».

Quintal da Galécia | LÍNGUA [VI]

ERA 1258 A 1331 *[14]

LINGUAGẼ | LINGUAGEM PORTUGUÊS

LINGUAGẼ

Era 1258 - LOURENÇO GOMEZ, de Porto de Mós, no tempo de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis

«Aqui me [Inquiridor não Identificado] disse Lourenço Gomez de Porto de Moos que fezera mal porque nõ screvera per linguagẽ, e por esso o torney en linguagẽ des aqui adeante».

LINGUAGEM PORTUGUÊS

Era 1290 - D DINIS DE PORTUGAL *[15]

«Em 1290 o Rei Dinis I de Portugal decretou que a "língua vulgar" (o galego-português falado) fosse usada em vez do latim na corte. Em 1296 essa língua foi adaptado pela chancelaria régia e passou a ser usado não só na poesia, mas também na redação das leis e pelos notários. Começaram então a aparecer referências à «linguagem português».»

L[I]NGUAGẼ *[16]
Era 1331 - MARTIM ANES, Abbade da Igreja de Sancta Maria de Borbela [Vila Real], no tempo de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis

«Este liuro foi traladado per outro liuro da chancelaria per mandado de nosso senhor El Rey Don Affonso o quarto per mão de mj Martim anes Abbade da jgreia de Sancta Maria de boruela o qual os viijº sexternos de latin en l[i]nguagẽ torney e foy acabado no mes de mayo e na vila de Sanctaren quando hy o dicto Senhor fez Cortes com os prelados e mestres e Ricos homens e os procuradores das clerizias e dos Concelhos do seu Senhorio na Era de mil trezentos sassenta noue annos [1331 da era actual]».

Quintal da Galécia | LÍNGUA [VII]

ERA 1258 A 1430 *[17]

- ‘linguagẽ’ - Era 1258 - Lourenço Gomez, de Porto de Mós, no tempo de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis

- ‘língua vulgar’ / ‘linguagem português’ - Era 1290 - D Dinis de Portugal

- ‘l[i]nguagẽ’ - Era 1331 - Martim Anes, Abbade da Igreja de Sancta Maria de Borbela [Vila Real], no tempo de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis.

Quintal da Galécia | LÍNGUA [VIII]

LADINHO E ARAVIA *[18]

Ladinho ou linguagem ladinha era o nome que se dava ao puro romance português derivado do Latim, sem mescla de Aravia ou da Gerigonça judenga. (1)

A poesia heroica tinha duas vertentes: a Aravia, usada pelo povo, e o Romance, empregado pelos eruditos. São numerosos os documentos em que a palavra Aravia (2) significou a linguagem plebeia, a gíria e o canto do povo. Para os eruditos o Romance significava a linguagem vulgar. (3) "Para os eruditos do século XV e XVI, a Aravia é a linguagem corrupta com que cristãos e árabes se entendiam, é uma especie de gíria não escrita, e a própria designação de um canto do povo." [...] a Aravia que os Mosarabes falavam eram os dialetos vulgares ou Ladinha cristenga que em breve se iam desenvolver como línguas nacionais. A designação de Aravia passava a significar o cantar-romance, que veio a servir de primeiro elemento tradicional da história." Na comédia Eufrósina, Jorge Ferreira de Vasconcelos refere-se ao termo "germania" como sendo uma forma de aravia, quando escreve : "quando eles querem falam germania [...] senhora que viva convosco pera que me ensineis essa aravia." (4)

Quintal da Galécia | LÍNGUA [IX]

LADINHO E ARAVIA *[19]

- LADINHO, adj. antiq. linguagem ladinha Portuguez. Ord. Af. 2. f. 513. o romance puro de Portugal, derivado do Latim, sem mescla de Aravia, ou da Geringonça Judenga; ou em Portuguez, e não em Hebraico. na Cit. Ord. Afons.

- LADINO, adj. Homem ladino; não rude, esperto, fino, passado. Eufr. 1. 3. §. Escravo ladino, oppõe-se a boçal, e é o que já sabe a lingua, e o serviço ordinário de casa. “Mouros que sabião falar ladino:” sabião o Portuguez (derivado do Latino Idioma, e diferente da Aravia). Ined. 2. 424.

Ladinho ou linguagem ladinha *[20] era o nome que se dava ao puro romance português derivado do Latim, sem mescla de Aravia ou da Gerigonça judenga.(1)

A poesia heroica tinha duas vertentes: a Aravia, usada pelo povo, e o Romance, empregado pelos eruditos. São numerosos os documentos em que a palavra Aravia (2) significou a linguagem plebeia, a gíria e o canto do povo. Para os eruditos o Romance significava a linguagem vulgar. (3) "Para os eruditos do século XV e XVI, a Aravia é a linguagem corrupta com que cristãos e árabes se entendiam, é uma especie de gíria não escrita, e a própria designação de um canto do povo." [...] a Aravia que os Mosarabes falavam eram os dialetos vulgares ou Ladinha cristenga que em breve se iam desenvolver como línguas nacionais. A designação de Aravia passava a significar o cantar-romance, que veio a servir de primeiro elemento tradicional da história." Na comédia Eufrósina, Jorge Ferreira de Vasconcelos refere-se ao termo "germania" como sendo uma forma de aravia, quando escreve : "quando eles querem falam germania [...] senhora que viva convosco pera que me ensineis essa aravia." (4)

{5}.

-----

ANOTAÇÕES

{1} 

*[1] Vásquez Cuesta, Pilar. A variedade do sistema linguístico Galego-Português em [http://cvc.instituto-camoes.pt/dmdocuments/galegoportugues.pdf], [r.2024.10.08 - porMdQ]
In [https://pt.wikipedia.org/wiki/Galego-português], [r.2024.10.08 - porMdQ]

{2} 

«Fonte
Texto do professor universitário, escritor e tradutor Marco Neves, transcrito, com devida vénia na página do Facebook Língua e Tradição, com a data de 31 de agosto de 2021. Escrito segundo a norma ortográfica de 1945.» por Marco Neves, Professor de Língua Portuguesa na FCSH em Lisboa, escritor e tradutor. In «Quem deu o nome ao português?». In Ciberdúvidas, Marco Neves, 31 de agosto de 2021 em [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640] [consultado em 08-10-2024], [porMdQ]

{3} 

*[2] In Diccionario da lingua Portugueza: F - Z - Volume 2 - de António de Morais Silva, 1813, pág. 199, em [https://www.google.pt/books/edition/Diccionario_da_lingua_Portugueza/1s9FAAAAcAAJ].

*[3] In Diccionario da lingua Portugueza: F - Z - Volume 2 - de António de Morais Silva, (6ª Edição melhorada e muito acrescentada por Agostinho de Mendonça Falcão), 1858, pág. 251, em
[https://www.google.pt/books/edition/Diccionario_da_lingua_Portugueza/lTBxS8oISF4C].

*[4] In PORTUGAL ANTIGO E MODERNO, DICCIONARIO Geographico, Estatistico, Chorographico, Heraldico, Archeologico, Histórico, Biographico e Etymologico DE TODAS AS CIDADES, VILLAS E FREGUEZIAS DE PORTUGAL DE GRANDE NUMERO DE ALDEIAS, ... - “Vol. IV”, pág. 10, de Augusto Soares d’Azevedo Barbosa de Pinho Leal, Lisboa, 1874. [https://archive.org/details/gri_33125005925595/page/10/mode/2up?view=theater&q=LADINHO] 

{4} 

*[5] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1185. 

*[6] In «Quem deu o nome ao português?». In Ciberdúvidas, Marco Neves, 31 de agosto de 2021 em [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]

*[7] In PMH: Inq., fasc. VIII, p.1266

*[8] In “Transcrição presente no artigo Cícero em Portugal: momentos de humanismo cívico”, de Aires Augusto Nascimento.

{5} 

*[9 ] in «Quem deu o nome ao português?». Ciberdúvidas. 31 de agosto de 2021
[https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]

in História da língua portuguesa – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)
[https://pt.wikipedia.org/wiki/História_da_língua_portuguesa]

Versão: 2023.07.01 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=157621530653171&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[10] Transcrição presente no artigo Cícero em Portugal: momentos de humanismo cívico, de Aires Augusto Nascimento.
[https://ojs.unito.it/index.php/COL/article/view/1245/1064]

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640], [consultado em 02-07-2023]

Versão: 2023.07.01 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo/?fbid=157623460652978&set=pb.100092159730931.-2207520000]

*[11] in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, [https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]
[consultado em 02-07-2023]

Versão: 2023.07.02 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=158050940610230&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[12] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1185

Reinado de Dom Afonso III, pai de Dom Dinis

Versão: 2023.07.02 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=158075443941113&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[13] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1266

Reinado de Dom Afonso IV, filho de Dom Dinis

Versão: 2023.07.02 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=158076703940987&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[14] Anotação in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1185

*[15] In «Quem deu o nome ao português?». Ciberdúvidas. 31 de agosto de 2021
[ttps://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/quem-deu-o-nome-ao-portugues/4640]

Versão: 2023.07.04 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=168848102863847&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[16] in PMH: Inq., fasc. VIII, p.1266

Versão: 2023.07.04 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=168848102863847&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[17] Versão: 2023.07.05 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em
[https://www.facebook.com/photo.php?fbid=160178197064171&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[18] In Portugal(Wik)ipédia

[1] - MORAIS SILVA, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado de todos os impressos ..., Volume 2, 1823, Pág. 140
[2] - Morais Silva, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado dos vocabularios impressos ate agora, e nesta segunda edição novamente emendado, e muito accrescentado, Volume 1, 1813, Pág. 170/171
[3] - BRAGA, Theophilo, CURSO DE HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA, adaptado ás aulas de instruccão secundaria por..., Nova Livraria Internacional, Lisboa, 1885.
[4] - VASCONCELLOS, Jorge Ferreira de, d. 1585, Comédia Eufrosina Comédia Eufrosina; conforme a impressão de 1561, [https://archive.org/details/comdiaeufrosin00vascuoft]

Versão: 2023.07.09 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em 
[https://www.facebook.com/photo.php?fbid=163556100059714&set=pb.100092159730931.-2207520000&type=3]

*[19] In MORAIS SILVA, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado de todos os impressos ..., Volume 2, 1823, Pág. 140

Versão: 2023.07.09 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em
[https://www.facebook.com/photo/?fbid=163592003389457&set=pb.100092159730931.-2207520000]

*[20] In Portugal(Wik)ipédia

[1] - MORAIS SILVA, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado de todos os impressos ..., Volume 2, 1823, Pág. 140
[2] - Morais Silva, António de, Diccionario da lingua portugueza: recopilado dos vocabularios impressos ate agora, e nesta segunda edição novamente emendado, e muito accrescentado, Volume 1, 1813, Pág. 170/171
[3] - BRAGA, Theophilo, CURSO DE HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA, adaptado ás aulas de instruccão secundaria por..., Nova Livraria Internacional, Lisboa, 1885.
[4] - VASCONCELLOS, Jorge Ferreira de, d. 1585, Comédia Eufrosina Comédia Eufrosina; conforme a impressão de 1561, [https://archive.org/details/comdiaeufrosin00vascuoft

Versão: 2023.07.09 in Quintal da Galécia
Texto & Imagem em 
[https://www.facebook.com/photo/?fbid=163592003389457&set=pb.100092159730931.-2207520000]

—--

[p.2024.10.09 - porMdQ] Em Galego - Português

[recolhas.Monteiro deQueiroz]

#EmGalegoPortuguês
#NossaLínguaComum
#QuintalDaGalécia
#Lusofonia
#LínguaPortuguesa
#Português
#porMdQ #MdQ #dQz
#MdQDivulgação
#DivulgaçãoMdQ

Versão: 2024.10.09

[p.2024.10.09 - porMdQ]
[recolhas.Monteiro deQueiroz]

ver +++ em [https://www.facebook.com/photo?fbid=122171680970243801&set=a.122171398490243801]
 

O ENTRUDO E OS CARETOS

O ENTRUDO E OS CARETOS PRIMORDIAIS 

O intruido começa no dia de S. Sebastião (20 de Janeiro); outros, porém, afirmam que o intruido começa, na verdade, na noite que antecede S. Estêvão, isto é, no Natal (ou consoada), noite em que se acende o madeiro do galo ou lume novo que ardia interruptamente até ao dia de Reis; a cinza aí produzida é colhida pelas mulheres e peneirada, sendo depois guardada para botar nas hortas (sementeiras); em parte é usada pelos rapazes (encaretados) para botar às moças (mas não só) no S. Brás e nos 3 dias de intruido. Segundo consta, o rito de botar cinza: as ludras, os farelos, fariatos ou farinhatos, as carapelas, carrapelas ou carranhosas, seria uma tradição antiga de fertilidade e que muitas brigas causavam. 

A quarta-feira de cinzas terá origem na cessação dos antigos fogos sagrados pagãos. Refira-se que em Barroso ainda hoje é costume, sempre que se fazem grandes fogueiras (Natal, Magusto, S. João), enfarruscar a cara uns dos outros como se de uma luta ou contenda ritual se tratasse. Isto são farruscos ou encaretadas, na essência, caretos primordiais.

in "JOGO DO GALO - Ritual tétrico, guerreiro e solar, presidido por caretos", Agostinho Veras 

Consultar: 

[https://www.apeiron-edicoes.com/products/jogo-do-galo/?fbclid=IwAR1aVomPqv6dDe6mr31E2HJjYcXcvADa1kMj8n-ld8AT4WLABAeJCznojcU)

[https://www.facebook.com/share/p/5DNWPdMd4QY8iSB2/]

Eduardo Amarante no Facebook 
https://www.facebook.com/share/TfgsHexwPu1btWEL/
[r.2024.02.13 - por MdQ]

O ministro idiota


"O ministro idiota.
O ministro do Exército, Sá Viana Rebelo foi o autor do cérebre Dec-Lei 353/73, que procurava fazer face à escassez de capitães do quadro permanente. Funcionou como detonador para a contestação, que levaria ao 25 de Abril de 1974.
Um idiota!
E o problema dos ministros atuais, é que não aprendem com a história.
Porque não a conhecem.
Este Carneiro queria ser primeiro-ministro, e perante um problema resultante de um ato totalmente estúpido, do qual ele nem sequer é responsável, mas sim o Costa e o Marcelo, resolveu agora instaurar processos disciplinares em massa, para combater a ilegítima insubordinação dos Polícias, originada por uma causa justa:
humilhação, vexame e discriminação. 
A culpa não é dele, é de quem o deixa ainda estar em funções. 
Volta Viana, estás perdoado.
Não és o único!"

Por Varela de Matos, Advogado

Via António Pereira / Facebook

Carta aberta de um OPC abandonado.

Carta aberta do António, um OPC abandonado em Portugal:

"O António ingressou na Guarda Nacional Republicana, pois desde cedo os seus olhos brilhavam cada vez que via um Guarda na rua, o António respeitava as Forças de Segurança e via-os como heróis.
O António ingressou na Guarda Nacional Republicana, o dia mais feliz da sua vida, pois iria finalmente servir o Povo.
O António assim que jurou dar a sua vida pela pátria ficou colocado a 300KM da sua casa.
O António percebeu que nas suas folgas só iria passear com os seus filhos uma vez por mês, pois as suas folgas são rotativas e só folga um fim de semana mensal.
O António esta semana irá trabalhar das 08-12H e 16-24H no mesmo dia, pois tem de fazer serviços gratificados para compensar o baixo ordenado, volta a entrar às 08-16H, seguido de mais um 08-16H no dia seguinte, descansando somente 8 horas e entra de novo às 00-08h, fazendo mais um gratificado das 09-13H. O António trabalhou 40 Horas em 4 dias.
O António durante o seu primeiro serviço viu um cadáver em decomposição há 1 mês, uma vítima de violência doméstica em estado grave e foi ainda ameaçado de morte por ter de autuar um condutor que ia a conduzir alcoolizado.
O António chega a casa e não pode simplesmente desabafar com a família, pois ninguém merece ver o que ele vê, ninguém merece sofrer o que ele sofre.
O António começou a temer pela sua família e filhos.
O António vê o seu sonho tornar-se um autêntico pesadelo.
O António percebe o motivo da taxa de suicídio na sua profissão ser o dobro da população em geral.
O António não viu os filhos crescerem pois demorou 6 anos a ir para perto da sua casa.
O António acabou por se divorciar, pois o seu casamento desmoronou com a sua ausência.
O António se não abdicasse do tempo com a sua família, no fim do mês levava para casa aproximadamente 1090 €.
O António vale 60€ para o Estado, que é o valor do seu suplemento de risco.
O António jurou morrer se necessário fosse para defender uma família que não a dele.
O António sente-se desvalorizado, desrespeitado, deprimente, sem mais vontade de continuar a servir o povo que jurou defender.
O António faz parte da percentagem de elementos das forças de segurança que pôs fim à sua vida.
O António é uma mera representação da realidade de todos os António’s das Forças de Segurança."

Do Facebook por Toni Santos
[2024.02.06]

GUARDA GNR POLÍCIA PSP


OS POLÍCIAS NÃO SÃO BONS

Eu sou polícia e como polícia digo: os polícias não são bons.

São pessoas que, não satisfeitas com os seus próprios problemas, se inteiram dos problemas dos outros, estejam ou não de serviço, estejam ou não fardados. Pior, inteiram-se de tal maneira destes problemas das pessoas que não se limitam a ter o simples conhecimento das coisas, tentando afincadamente resolver vidas, apesar de terem a fama de só quererem passar multas. Muitas esposas e maridos destes polícias às vezes chateiam-se: fartam-se que estejam sempre a atender chamadas em casa, deste e daquele que precisa de um conselho rápido, tiveram um acidente, um filho desapareceu de casa e temem o pior. Polícias intrometidos, nem a tomar conta dos filhos desligam os telemóveis para se dedicarem inteiramente à família. Insensíveis, parecem que gostam mais dos outros que dos seus, gente sem noção.

Estes polícias, nunca desligam, mesmo. Podem estar num belo passeio de carro com os filhos que têm sempre a curiosidade de olhar em volta só para se assegurar que está tudo em ordem, devem ter a mania. Já chegaram a deixar os filhos presos às cadeirinhas no banco de trás para deitarem a correr atrás de umas pessoas estranhas que em vez de estarem a sair pelas portas das casas, desciam pelos muros. Polícias do caraças, apanharam-nos e descobriu-se que eram ladrões, que sorte ir a polícia a passar. Que sorte que era um polícia casado com uma mulher polícia, sorte mesmo. Constou-se que os filhos ficaram a chorar, no meio daquela confusão toda, mas pronto, são crianças. E as crianças choram.

Polícias há também que fazem compras nos supermercados como as pessoas normais. Só que os polícias não têm o dom de passar despercebidos e usufruírem do estatuto de perfeitos desconhecidos. Mas a culpa é deles, escolheram um trabalho que os obriga a deter pessoas que não gostam de ser detidas apesar de terem cometido crimes graves, vão apreender armas ilegais que estão dentro de casas de pessoas de bem e que não mereciam ser incomodadas (‘pois só chegaram a ameaçar, não mataram ninguém’) e tantas, tantas outras coisas. Às vezes vão pelos corredores do supermercado e sentem os olhares ameaçadores dessas pessoas que, sendo de bem, parecem direcionar para estes polícias toda a sua raiva e ódio da justiça ter sido reposta. O polícia tenta não ver, nem comenta com a mulher e muito menos com os filhos mas o dia já está estragado. Culpa dele: não quis ser agente de autoridade? Então que lide com a autoridade e com os autoritários.

E polícia que é polícia não consegue voltar para a casa sossegado. Se ouve um alarme de um carro, aguarda por perto até que o condutor chegue. Cheira-lhe a haxixe e fica logo preocupado. Passa os olhos pelo grupo a ver se haverá ali miúdos que não se saibam defender quando a coisa descambar porque lhe vem à memória histórias de meninas que foram abandonadas por esses amigos, semi-nuas e completamente desorientadas, coitadas. Podia ser um filho, uma filha sua. Mania que os polícias têm de fazer associações entre tudo e coisa nenhuma, de se valer da experiência de longos anos de desgraças que viram acontecer e que não querem que aconteçam aos outros. Mania de desenterrar fantasmas, de coisas que os matam por dentro. Ainda se lembram que tinham 20 anos e que o seu primeiro serviço foi uma morte violenta, depois vieram enforcados, feridos graves e mortos em acidentes, abandonados em decomposição, vítimas de violência doméstica desfiguradas. Mas deve ser mentira e mania de vitimização: os polícias só passam multas.

Tem alturas que os polícias se armam em pessoas em condições. Vão às reuniões na escola dos filhos, levam-nos aos jogos de futebol, não faltam às reuniões de condomínio e até querem fazer parte de grupos que se divertem às quartas-feiras ou sextas num hobbie qualquer: se falam, têm a mania que são polícias; se não falam, deviam falar, são pais; se dizem nas bancadas para terem calma pois insultar os treinadores é coisa feia, que se calem que ali não são polícias, são como os outros; e se nada fazem para impedir aquela lamentável exibição de violência à frente dos miúdos, alguns presentes são da opinião que, como são polícias, deviam dizer ali alguma coisa; entre os vizinhos, têm que ser os últimos a falar senão influenciam os outros; e essa ideia de querer fazer parte de um grupinho divertido, esquece, não tarda os colegas descobrem que é polícia, um amigo de um amigo de um grande amigo contou-lhe isto e aquilo e os polícias não estiveram nada bem e a partir dali o polícia já sabe: veio para esquecer o serviço mas tornou-se o tema das piadas. Abandona, arranca e não faças pó, ó, ó… polícia.

Não são bons, não. São estranhos, não têm nojo. Ainda me lembro que no tempo do Covid-19 iam na mesma ajudar as pessoas. Sempre naquela certeza que a vida dos outros se sobreponha àquelas circunstâncias e nunca deixaram de trabalhar quando quase todos se resguardaram nas suas casas com as suas famílias. Alguns polícias ainda se lembram bem como lhes custou deixar os próprios filhos num sítio que abriu para lá se depositar os filhos dos «profissionais de funções essenciais». Paciência. Mania que são essenciais, temos pena. De certeza que os filhos dos polícias até se divertiram mais, já estão habituados a ser deixados à pressa na casa de um familiar porque o papá ou mamã polícia foram chamados para o trabalho. Aliás, impossível: ninguém é obrigado a estar sempre disponível para o serviço. E era…
E também não têm nojo de parar o carro para arrumar o cadáver de um cão ou de um gato, se lhes perguntarem porquê de certo respondem que é para não haver um acidente mais grave mas sejamos sinceros: foi por isso mas também por pena, coitado do bicho ali a ser despedaçado por carro atrás de carro e se chega o pequenito que o adorava e o vê naquele estado? Coitadinho do menino. Ainda bem que o polícia não tem nojo destas coisas.

Mas não são bons, decididamente: nenhuma pessoa no seu perfeito juízo conseguia suportar tantos sacrifícios com tão boa cara. Não são bons. Ninguém conseguia carregar uma cruz num dia e, no outro a seguir, regressar ao trabalho com vontade de ser mais e melhor, durante 10, 20, 30 anos...até ao fim. 
Não me admirava que se um dia finalmente fizessem um pedido de ajuda - por justiça - se juntariam aos milhares, como irmãos. Mas seria realmente admirável: milhares de polícias e nem um único caso menos digno a relatar. Daqueles polícias de alma e coração. Aos milhares. E logo os polícias, que nem têm coração...

E é por isso que vos digo: os polícias não são bons. SÃO MAIS QUE BONS.

(Obrigada companheiros)

Via Helena Ribeiro (Autora?) aqui
[2024.02.07]